QUEM GANHA COM AS ARMAS

Para uma família de uma comunidade da periferia das grandes cidades sair de condições sociais desastrosas e da convivência com a criminalidade são necessárias nove gerações de políticas públicas de forte incentivo na educação e geração de renda, segundo a UNESCO. Além disso boa parte da população vem de uma história de antepassados escravizados e manipulados por políticas de usurpação econômica e social desde o século XVI.
Por isso é necessário uma clara ação de regeneração social e um foco bem definido em educação; pensando no País e no futuro. Foi pensando na importância de renascimento social que criei a "pedagogia arapoty" ( uma tecnologia social que incentiva jovens a desenvolverem ações sociais cooperativas em favelas e comunidades tradicionais) em parceria com o Instituto Elos, que se chama "Escola de Guerreiros Sem Armas", que já atuou em 27 comunidades e formou cerca de 500 jovens nos últimos 17 anos.
No entanto, para ampliar esse processo de regeneração social é imprescindível políticas públicas fundamentadas em uma cultura de paz: que estimule o livro e não a arma, que incentive o diálogo e não a violência, que transforme o fogo da indignação no investimento de uma justiça restaurativa e no cuidado do cidadão.
O jornal El Pais informou, baseado em pesquisas da polícia militar, que aproximadamente 160 mil pessoas deixaram de morrer após a criação do estatuto do desarmamento em 2003. Isto porque 63% dos crimes ocorridos por armas tem sua origem em: brigas familiares, brigas de vizinhos, conflitos de trânsito, e conflitos de relacionamento. 
Entendo que quem tem que cuidar da segurança é o profissional de segurança, ou seja, é a polícia bem preparada e com foco na prevenção e no aprimoramento de uma inteligência policial capaz de evitar o mal pela raiz. E isto é possível, mais eficiente e mais humano que fazer a apologia do armamento. 
Só existe um vencedor para quem faz apologia do armamento: as empresas que fabricam armas, e o incauto com ganancia de poder pelo poder, sem nenhuma proposta programática para o país, que através do estímulo do medo coletivo,  fomenta essa idéia. 

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