sexta-feira, 19 de maio de 2017

CASA, CORPO E AMBIENTE

Esses dias recebi uma frase no facebook, atribuída á um biólogo, que dizia o seguinte: "se desaparecessem todos os insetos da Terra, em 50 anos a vida no planeta se exterminaria; mas se desaparecessem os seres humanos, em 50 anos toda a Terra seria reconstituída, com toda a sua biodiversidade." Não creio que há exageros nisso, realmente o ser humano tem sido terrível em relação ao modo como interage com o espaço, o ambiente, o lugar e as pessoas com quem convive.
Um espaço em desarmonia é resultado de uma mente em desarmonia. Uma casa em desarmonia é resultado de uma mente em desarmonia. Um corpo em desarmonia também é resultado de uma mente em desarmonia.Por isso, independente de ambientes sofisticados ou simples, ao cuidar do lugar, com gratidão e carinho, ele refletirá esse "clima". Assim também, quando arrumamos a nossa "casa" em todos os sentidos, estamos arrumando a nossa mente. Há uma sutil, profunda e misteriosa relação entre o mundo exterior e o mundo interior que devemos aprender, ou ter interesse pelo menos em fazê-lo.
Algumas tradições ancestrais estudaram profundamente essa relação, como por exemplo, a sabedoria antiga da China, na época do "Imperador Amarelo', Lao Tsé, etc.; a sabedoria tibetana, através do budismo, também expressa uma complexa e profunda relação de conhecimento dos mistérios da mente e do espaço. A tradição ancestral do Brasil, notadamente a tupy, deixou costumes e fragmentos de sabedoria em sua memória cultural, que nos leva a ter uma relação de equilíbrio entre a natureza exterior e a natureza interior. Além disso, deixou práticas de utilização de ervas, defumações, rezas, benzimentos que tem como propósito a manutenção do equilíbrio entre casa, corpo e mente. São conhecimentos milenares, simples, que primam pelo reconhecimento de que somos uma rede de inter-relações, ligados internamente por energias, que nos fazem irmanados com todas as manifestações de vida, do céu e da Terra.
O espaço onde se estabelece uma casa é uma soma de diversas energias.
Algumas vem do sagrado poder da terra, que faz a luz do sol se manifestar em vida. E esta vida forma a aura de uma casa. Cabe aos moradores qualificar esta aura com boas energias, que, como uma árvore, crescerão e se multiplicarão.
Outras energias vem do sagrado poder do ar, que faz a aura da casa expandir e retrair, assim como o dia e a noite. mas o ar tem que circular, assim como quando respiramos, ou seja, não pode haver bloqueios em um lar, tudo tem que fluir, a cada corredor e a cada cômodo. Não entulhe seu lar!!!
Além disso, há aquelas energias que vem das emoções que brotam da família ou da pessoa que habita um local. A memória das emoções transpiram pelas paredes. Temos que prestar atenção nás emoções que entoamos, pois formam registros emanadores de intentos!!!
E há a claridade do dia e o cobertor da noite, que embala os lares. Existem pessoas que impedem a luz de entrar de dia e ligam todas as luzes á noite, subvertendo o ritmo natural do lar. Mal sabem que isto adoece a casa.
E por fim, nada vivifica tanto um lar quanto a presença das plantas, das flores, dos aquários, dos peixinhos, ou seja, dos nossos amigos da natureza!!!

COMO A PAZ É POSSÍVEL

Não sabemos muitas vezes definir a palavra paz, mas quando a ouvimos, algo de bom ressoa em nossos corações. Onde há paz, há riqueza em todas as suas dimensões: social, econômica, ecológica, e pessoal. 
Mas embora seja difícil definí-la, podemos pelo menos refletir sobre o que nos põe fora dela e o que nos aproxima, integrando-a. Na sabedoria ancestral são reconhecidas quatro atitudes que nos distancia de sua luz :
A primeira atitude que a torna longe de nossa presença pacífica é a ideia de separatividade. Os mestres de sabedoria ensinam que somos uma só vida desdobrada em muitos, que embora tenhamos uma individualidade, em essência somos uma mesma respiração desa Vida. Mas criamos de nossas individualidades segregações, visões de mundo e sobre nós mesmos  que geraram conflitos diversos, que tem trazido desde tempos imemoriais toda sorte e graus de dificuldades nos relacionamentos e convivências.
A  segunda atitude que nos distancia da paz é aquele aspecto julgador que habita em cada um de nós, que muitas vezes acusa sem discernimento ou fundamentado em um jogo de rejeição mútua por excesso de apego aos próprios pontos de vista, gerando conflitos que vão desde discussões pessoais até guerras nacionais. 
A terceira atitude que nos distancia da paz é a culpabilidade. Pois por julgar culpamos, somos culpados e nos culpabilizamos; carregamos as vezes  por toda uma vida este tipo de sentimento que paralisa nossa evolução, pois independente de estarmos certos ou errados em situações que resultam tais sensações, ela nos destitui de clareza para conosco mesmo e com o outro. 
A quarta atitude que nos distancia da paz é tentar resolver todos os tipos de conflitos exclusivamente pelo viés punitivo. Punimos e somos punidos por situações que poderiam ser resolvidas através de diálogos e ações reordenadoras. Existe a punição que corrige ao frear erros, mas existe também a punição que não oportuniza a transformação e reordenamento da situação em questão; e quando nos viciamos em culpar e ser culpados, não conseguimos discernir uma coisa da outra.
Claro que felizmente existem as atitudes que nos aproximam da paz. Na verdade elas nos tornam a própria paz.  A primeira delas é a atitude de sorrir. Mesmo diante das adversidades, respirar fundo e buscar um sorriso de retomada do rumo da vida os traz paz, nos enriquece com um impulso para gerar uma nova oportunidade.  As vezes rir de si mesmo libera culpas e auto-punições descabidas. Sorrir expressando-se para os outros e para si mesmo preenche de uma energia de paz e promove sempre abertura para algo bom. 
A segunda atitude que nos aproxima da paz é exercer um olhar apreciativo sobre aquilo que nos é estranho ou aparentemente oposto. Apreciar não é concordar. É conhecer sem julgar. A atitude apreciativa elimina muitos mal entendidos e conflitos desnecessários.
A terceira atitude que nos aproxima da paz é a inclusão. Ela quebra a tirania da desigualdade, da soberba e da prepotência. A inclusão redime e nos põe em um estado de interatividade propositiva. 
A quarta atitude que nos aproxima da paz é a partilha. Ao invés do debate que divide,  uma partilha que integra. Ao invés do acúmulo excessivo, uma partilha que equipara. Ela promove a troca de experiencias, sapiências, expande possibilidades, estimula a co-criação. 


Na aproximação e aceitação da paz como uma cultura cidadã, nos enriquecemos mutuamente, individualmente e coletivamente. Na minha opinião deveria ser ela a indicadora de riqueza de uma civilização. 

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BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...