sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Viver com que propósito?

Quando conheci o cacique Davi Yanomami no fim dos anos 1980, em São Paulo, na Embaixada dos Povos da Floresta; foi para refletir e buscar soluções para uma série de problemas: ele revelou que pessoas invadiam a Amazônia em busca de ouro, outras pirateavam o patrimônio genético em nome da ciência e outros ainda invadiam territórios de povos milenares da região, como foi o caso dos próprios Yanomami. 
Ele dizia que não entendia muito bem qual o sentido que o estrangeiro dava á vida, uma vez que não respeitava nem a do seu semelhante que expressa uma cultura diferente e nem a dos reinos da floresta, pois extraiam vegetação, minerais e mudavam cursos de rios de uma forma gananciosa e perigosa para a floresta e para a comunidade humana. 
Para o povo yanomami, o propósito de vida  é manter o céu em cima e a terra embaixo, deixando um espaço entre o céu e a terra, onde os seres livres mas com espírito de celebração, pudessem expressar contentamento e gratidão pela vida que constrói uma coluna de equilibrio entre o alto e o baixo.  
Nos estudos e pesquisas da ciência do mundo dito civilizado se diz que no cérebro humano existe uma espécie de sistema de recompensa formado por determinados tipos de neurônios. Estes estão localizados na parte central da cabeça; e o mais interessante é que quando se faz algo agradável física ou mentalmente, tais neurônios liberam uma substancia chamada dopamina, que causa a sensação de prazer.   
Diz-se que esse sistema tem uma grande influencia sobre nossas decisões e ações. Quando nos sentimos bem ou mal, é este sistema que nos dá esta sensação. Ele foi descoberto nos anos 50 pelos psicólogos James Olds e Peter Miller, da Universidade McGrill, do Canadá, fazendo a seguinte experiencia com ratos: sempre que o bichinho ia a um ponto da gaiola para receber um pequeno choque (prazeroso) no septo, um ponto no cérebro, ele voltava para receber mais.  Era tão bom que o bichinho chegou a passar 7 mil vezes por hora, e não ligava para mais nada. 
Não queria outra coisa senão buscar satisfação. Atualmente a ciência sabe que outros atrativos (drogas, açúcar, gordura, sexo) também têm o poder de atuar nas áreas deste sistema. 
É como se o cérebro fosse feito para o prazer e a felicidade. Desde informações vindas através do sabor, passando pelas sensações auditivas e visuais, pelo tato e aroma; até percepções vindas de regiões além dos sentidos.  De certa forma os Yanomami já sabiam disso e fazem da celebração e o equilíbrio entre o céu e a terra a razão de seu viver. 
Biologicamente somos preparados para o prazer, no entanto geramos dor. Mas porquê? Qual a causa? De um lado temos o desafio de lidar com a deformação do prazer; por exemplo, quando invade-se um território e afronta-se uma cultura, deve haver algum tipo de "recompensa" sensorial perversa para isso. Deve haver algum tipo de deformação. Do outro lado o também ás vezes agimos como o ratinho que faz o exagero de ficar sete mil vezes somente no prazer despropositado que leva ao vício e consequentemente ao desequilíbrio a partir deste sistema de recompensa.  Ou seja, temos um cérebro preparado para a felicidade mas não sabemos muitas vezes lidar com ele.  



OEA COBRA BRASIL POR VIOLENCIA CONTRA INDIOS



Foto: ReutersImage copyrightReuters
Image captionQuase 400 índios guarani kaiowá foram assassinados no Mato Grosso do Sul nos últimos 12 anos, segundo dados do Cimi
Membros da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) questionaram o governo brasileiro sobre o que tem sido feito para prevenir e punir crimes contra índios no Mato Grosso do Sul. Representantes da CIDH – braço da Organização dos Estados Americanos (OEA) – também pediram ao Brasil informações sobre denúncias de violações de direitos humanos na terra indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Mulher líder guarani de Santa Catarina e aldeia são ameaçados.


Desconhecido invade TI Morro dos Cavalos, dispara em escola e casas e ameaça de morte a cacica Eunice Antunes

Inserido por: Administrador em 20/10/2015.
Fonte da notícia: Cimi Regional Sul, equipe Florianópolis
Na madrugada de ontem (19/10) a cacica da comunidade Guarani da Terra Indígena (TI) Morro dos Cavalos, município de Palhoça, em Santa Catarina, sofreu o sexto atentado deste ano. Uma pessoa disparou dez vezes contra a escola e as casas que ficam no seu entorno. Com a arma em uma mão e uma lanterna na outra, o desconhecido cruzou, caminhando, a passarela sobre a BR 101 que corta a terra indígena. Se não bastassem os tiros, gritou palavrões contra os Guarani e prometeu matar a cacica Kerexu Yxapyry (Eunice Antunes).
Alguns Guarani que moram próximo à escola chegaram a sair de suas casas para ver o que estava acontecendo, e o invasor apontou a lanterna em direção a eles e atirou. Os indígenas, com medo dos disparos, retornaram para suas casas, mas continuaram observando de dentro das mesmas. O invasor, logo depois, desceu em direção ao muro que fica na frente da casa da cacica e foi embora.
A comunidade se reuniu na parte da manhã e decidiu registrar Boletim de Ocorrência na Polícia Federal.
Os atentados se tornaram frequentes. Há cerca de três meses os indígenas sofreram várias ameaças, o que fez o Ministério Público Federal (MPF) a solicitar a presença da Polícia Militar através de rondas na aldeia para evitar qualquer violência. No entanto, essas rondas foram paralisada no final do mês de agosto.
A comunidade indígena está vivendo com medo e insegura e pede para as autoridades competentes que investiguem todos os atos de violência e puna os culpados.

Histórico das violências
Desde que assumiu o cacicado em 2012, a cacica Eunice e membros da comunidade Guarani de Morro dos Cavalos têm sofrido com as ameaças e a destruição do patrimônio da comunidade indígena.
Em 19 de fevereiro de 2013, após uma manifestação dos que são contrários à demarcação da terra indígena, a adutora de água que abastece a comunidade foi destruída, sendo picotada com 38 cortes, numa extensão de 200 metros. Na época, membros da comunidade indígena viram sete não indígenas rondando a comunidade.
Em janeiro de 2014, a comunidade indígena sofreu mais uma violência, novamente a adutora de água que abastece a comunidade indígena foi cortada. No dia 15 de dezembro de 2014, mais uma vez a adutora foi cortada. 
No início de 2015, as ameaças de morte e perseguição à cacica Eunice retornaram com bastante intensidade, movidas pela decisão judicial que reconheceu a terra como sendo dos Guarani.
No início do mês de maio, indivíduos não identificados passaram a invadir a terra indígena de madrugada, rondando e vigiando a casa da cacica. São indivíduos com motos ou a pé que chegam de madrugada e passam a noite rondando a casa. Cinco episódios foram registrados:
O primeiro episódio ocorreu na madrugada do dia 16 para o dia 17 de maio, quando uma moto com duas pessoas parou diante da casa da cacica, fazendo bastante barulho com a aceleração do motor, por volta das três horas da manhã. A cacica abriu a janela e se deparou com pessoas estranhas, e logo fechou a janela. Essas pessoas ficaram um tempo ainda ali escondidas na sombra, sem que pudessem ser identificadas. Eles não conseguiram se aproximar da casa por causa dos cachorros. Passados algum tempo, os dois indivíduos foram embora, por uma estrada que passa por detrás da casa da cacica, no sentido da região do Massiambu.
O segundo episódio ocorreu na madrugada do dia 19 do mesmo mês, quando novamente pessoas se aproximaram da casa da cacica, desta vez a pé, vindas da mesma estrada do Massiambu.
O terceiro episódio aconteceu na madrugada do dia 23 para 24 de maio, quando, novamente, foram ouvidos vozes e passos.
O quarto episódio ocorreu no dia 1o de junho, em que sete pessoas cercaram o indígena Ivalino, tio da Cacica, e avisaram que "querem pegar a “Nice” (Eunice), ou seu irmão e que a comunidade deveria evitar ficar circulando à noite, pois a partir de então eles passariam a vigiar aquele trecho da estrada. Um Boletim de Ocorrência foi registrado na Polícia Federal.
O quinto episódio ocorreu na madrugada do dia 7 de junho. A cacica e sua família dormiam, quando foram acordados com o barulho de alguém tentando abrir a janela do quarto. Os invasores fugiram ao perceber que os moradores da casa tinham acordado.

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BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...