terça-feira, 26 de maio de 2015

SINTONIA

Mesmo em tempos difíceis, a flor nasce, o sol aparece, o rio flui e uma nova fruta brota da árvore.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Todos nascem para o êxito

A Mãe Terra germina indistintamente todas as sementes. A água a todas nutre. O sol á todas vivifica. A lei da natureza é vida e êxito.  A nós compete somente agradecer e oferecer cuidados.

Kaká Werá é homenageado pelo pioneirismo na literatura indígena


A literatura indígena no Brasil nasceu no inicio da década de 90. Mais exatamente em 1993 apos a publicacao do livro "Todas As Vezes que Dissemos Adeus", de minha autoria.  Em seguida veio o livro  "Coisas de Indio", de Daniel Munduruku. E a partir de entao comecamos a estimular o surgimento de escritores indigenas.  Criei nesta época um selo para o fomento, mas nao deu certo, e depois a editora peiropolis, que havia publicado meus livros seguintes, se interessou em lancar um selo para publicacao de escritores indigenas. 
Alguns antropólogos na época achavam que índio não podia escrever, e ate me questionaram por isso. Mas hoje são quase 50 escritores indígenas no Brasil e já somam próximo a um milhão de exemplares vendidos; em sua grande maioria catalogados como literatura infanto-juvenil. 
Alguns escritores indigenas tem uma produção regular e escrevem muito, como Daniele Munduruku, Olivio Jecupé, Eliane Potiguara e Yaguare Yaman. São referencias recorrentes em salões literários e bienais do livro.
No inicio dos anos noventa achava que o fato dos próprios indios e descendentes escreverem sobre suas culturas serviria para recuperar também territórios de idéias, cosmovisões, e de subjetividades que também foram destituídas.
A desestruturação social veio acompanhada também de desestruturação de alma e alto estima. Eu sabia que ao tocar, pela literatura, na valorização de saberes, isto poderia refletir no fortalecimento desta alma coletiva e diversa que formam as raízes que fundaram verdadeiramente o Brasil. Por isso, quando Pedro Bial, em evento  da Fundação Nacional do Livro Infanto-juvenil, presta uma homenagem pelo meu pioneirismo, penso que é o reconhecimento do início do resgate da dignidade do espírito coletivo de diversos povos ancestrais.

domingo, 24 de maio de 2015

Kaká Werá fala para a Rádio Yandê

O escritor, educador, ambientalista e fundador do Instituto Arapoty, Kaká Werá, de 51 anos, ficou conhecido por sua sensibilidade, livros e trabalhos sociais voltados para difundir o saber ancestral das culturas indígenas. Mas principalmente no combate ao assistencialismo e desmistificação da cultura.

Sua família de origem indígena vivia em Minas gerais e migrou para cidade de São Paulo nos anos 60. Na década de 80 em São Paulo ele iniciou um trabalho de apoio a Comunidade Guarani, criou laços de amizade profundos com o pajé Alcebíades Werá, um sábio ancião do Povo Guarani que compartilhou com Kaká seus saberes. Em 1986 Carlos Alberto dos Santos foi batizado e recebeu o nome guarani de "Werá Jecupé", hoje conhecido como Kaká Werá.

Em entrevista para Rádio Yandê ele falou sobre a importância de conscientizar a sociedade para as questões indígenas e a força da cultura indígena no combate aos males e desafios enfrentados pelos Povos Indígenas nos dias atuais.

(Rádio Yandê) Renata Tupinambá - Os Povos indígenas possuem saberes tradicionais que são de fundamental importância para preservação da biodiversidade. De que forma esses saberes podem auxiliar comunidades, instituições, empresas e toda sociedade ? 

Kaká Werá: Os povos indígenas possuem um princípio, de modo geral, que diz que a natureza é uma Entidade Viva, provedora de tudo que necessitamos e tudo que precisamos fazer é manejá-la com cuidado, gratidão e respeito. A partir deste valores, alguns povos desenvolveram sistemas de cultivo, caça, pesca; por exemplo, interagindo de um modo tão harmônico com os ciclos, a sazonalidade, respeitando os limites da cada lugar, que praticamente não provocam desequilíbrio ecológico. Creio que uma das maiores contribuições das culturas ancestrais é justamente neste aspecto de valores e princípios sustentáveis. 

(Rádio Yandê) Renata Tupinambá - A PEC 215 e outras ações da bancada ruralista são uma verdadeira ameaça a demarcação de terras indígenas. Em todo o país muitas áreas indígenas estão sofrendo com reintegração de posse, invasão, perda de portarias declaratórias, vários conflitos. Em São Paulo os Guarani Mbyá no Jaraguá estão correndo risco de ser despejados. O que gera situações como essas e o que pode ser feito para impedir ?

Kaká Werá: A idéia da PEC 215 é um regresso á época mais estúpida da colonização, pois tira a decisão de demarcação de terras do Poder Executivo que o faz após longos estudos antropológicos e jurídicos e  deixa a responsabilidade para os ruralistas, que são os invasores e os causadores de conflitos sociais e ecológicos em diversas regiões do país.  Em São Paulo, neste momento, os guaranis correm o risco de perder uma área mais do que legítima deles. Por omissão do Estado em assinar um projeto que demonstra com todos os estudos e reconhecimentos possíveis, que aquela área é deles. 

O que podemos fazer para impedir é sensibilizar a sociedade como um todo para que ela perceba o quanto estamos no meio de um jogo de interesses escusos e pedir o apoio da própria sociedade, através de seus especialistas nas áreas e temas que estão em conflito. Outra coisa é fazer com que a sociedade reconheça que o que acontece de ruim para as comunidades indígenas, repercute negativamente para todos nós. Índios ou não, pois desestrutura não somente culturas, mas também o clima e o meio ambiente. 

(Rádio Yandê) Renata Tupinambá -  O tráfico de influências age no poder legislativo, executivo e judiciário, a corrupção e falta de ética tornam as pessoas descreditadas da justiça. Órgãos que deveriam ajudar com funcionários agindo de forma irregular. Nesse momento muitos perdem a esperança em um futuro melhor. Os mais velhos ensinam que é preciso pensar nas futuras gerações. Como podemos combater os males que assolam não apenas o corpo mas o espirito das sociedades e cotidiano para fazer um amanhã melhor ?

Kaká Werá: Pois é. A grande crise da sociedade é que aqueles que ocupam postos de poder e decisão política, em sua maioria, não possuem verdadeiramente compromisso social. Além disso, uma boa parcela não tem caráter. O poder político passa por uma longa crise de valores. Que são virtudes que vem da alma, da essência do ser humano. Por isso, uma maneira de contrapor esse estado de coisas é oferecer princípios baseados em valores, ética profunda e mostrar que é possível viver e ser próspero sendo honesto. Mesmo que isso pareça algo reservado á poucos, na verdade não é. A maioria da população brasileira é séria, responsável e se preocupa com suas raízes e seus frutos, que são as gerações futuras, mas elas precisam de modelos atuantes para se fortalecerem e perceberem que ainda é possível um mundo melhor.

(Rádio Yandê) Renata Tupinambá -  Em seu livro “A Terra dos Mil Povos”(Ed. Peirópolis, 1998), você fala sobre o caminho do guerreiro, a necessidade de aprender a discernir, e que quando se deixa de criar o inimigo, extingue-se a necessidade das armas. Você acredita que os conflitos gerados pela falta de conhecimento sobre a realidade indígena e preconceito podem ser combatidos com difusão das culturas indígenas ? Essa sabedoria milenar de respeito a todos os seres e principalmente do poder da palavra para os povos indígenas pode ser considerado um antidoto para o veneno da intolerância ?

Kaká Werá: Eu acredito que podemos combater com arte, literatura, ombridade, sabedoria, ética e valores. Pois assim estamos combatendo com a força da alma. Aquilo que não tem alma se auto-destrói. Aprendi com os guaranis que a palavra é o corpo da alma. Quando uma palavra vem com verdade, ela vem com a força do espírito. E isso contagia. Se a gente combater  intolerância com intolerância estaremos somente alimentando mais ainda essa coisa terrível. E aquilo que alimentamos, vive. Assim como aquilo que não alimentamos, morre. 

(Rádio Yandê) Renata Tupinambá -  A degradação ambiental deve ser combatida de que forma ?

Kaká Werá: A degradação ambiental deve ser combatida com campanhas de comunicação, com cooperação entre pesquisadores, cientistas, especialistas, sabedorias ancestrais e tudo o que tiver ao nosso alcance para mudar toda uma mentalidade que degrada.

(Rádio Yandê) Renata Tupinambá - Como a dependência e o assistencialismo ao longo dos séculos prejudica o etnodesenvolvimento indígena ?

Kaká Werá : Este é o maior veneno que o nosso povo ainda bebe. Após séculos de extermínios de nossos antepassados e de seus saberes, estamos há décadas em um sistema de relação com os poderes públicos praticamente na base do estímulo à dependência social seguida muitas vezes de adaptação à regras totalmente contrárias ao modo de ser de várias culturas. Nós temos gerações inteiras que já nasceram com uma mentalidade de dependência social. Todas as culturas indígenas do passado eram sustentáveis. Nenhuma cultura indígena havia criado por exemplo o trabalho escravo, até o surgimento de João Ramalho, no século XVI, que persuadiu algumas etnias a escravizarem outras. O nosso maior desafio é curar esse veneno.  

(Rádio Yandê) Renata Tupinambá - O que faz parte da politica indígena que é diferente na politica indigenista ?

Kaká Werá: Existem políticas feitas pelos próprios índios que levam em direção a recuperação da dignidade cultural, enquanto que a política indigenista muitas vezes insiste em manter uma relação de dependência e sobreposição de sua suposta ciência sobre a ciência dos povos da floresta. 

(Rádio Yandê) Renata Tupinambá - Uma árvore não sobrevive sem raízes. Os saberes ancestrais devem ser a base de nossos caminhos ?

Kaká Werá: Sim. Nossas raízes são sustentáveis. Quando conectamos com elas através de seus princípios e valores, geramos bons frutos.


Redação Yandê

terça-feira, 19 de maio de 2015

Ler sinais

Antigamente os nossos avós sabiam ler os sinais da natureza com tanta naturalidade que era praticamente como se a presença da alma do mundo se fizesse em clara linguagem a cada instante.
Me lembro muito bem quando diziam:
- Está vendo aquela nuvem atrás da montanha que parece o véu de uma noiva?
- Sim.
- Pois é. Vai chover amanhã.
E chovia.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Viva a Vida.

Ainda não temos consciencia de que a base da vida não é o patrimônio,mas sim a própria vida. E ela por sua vez se disponibiliza em torno de coisas simples e intangíveis. O ar que respiramos por exemplo. A água que bebemos e que gera a energia que nos dá conforto. A terra que nos serve de matriz de toda nutrição necessária ao corpo. E a luz do sol e da lua e das estrelas que impulsionam todas as formas de vidas. Nós não podemos possuir nem pedaços de vida e nem toda a vida. Ela é que nos possui. Inspira. Vibra. Ilumina e sustenta.

sábado, 9 de maio de 2015

Guaranis do Jaraguá podem ser expulsos de suas terras.

A reintegração de posse de uma área de 720 mil metros quadrados ocupada por índios guaranis, chamada Tekoa Itakupe, localizada no Pico do Jaraguá, região noroeste de São Paulo, foi agendada para a última semana de maio. A data ficou definida em reunião na tarde desta terça-feira na sede da Polícia Militar em Pirituba, que contou com a participação de índios, representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai), Polícia Militar, da Advocacia-Geral da União (AGU), do secretário de Direitos Humanos de São Paulo, Eduardo Suplicy, e de pessoas que reinvindicam a posse do terreno. 
A reintegração de posse já foi autorizada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região de São Paulo e poderia ser feita a qualquer momento. Mas a Funai recorreu, e o caso está agora no Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa da Funai é que o Supremo se pronuncie rapidamente sobre o caso, suspendendo a liminar que dá a reintegração a Antonio Tito Costa, que tem a posse do terreno com outras pessoas. “A Funai, por meio da Advocacia-Geral da União, recorreu ao Supremo Tribunal Federal e está aguardando a decisão do STF com relação à suspensão do pedido de reintegração”, explicou Marcio José Alvim do Nascimento, técnico indigenista da Funai de São Paulo, que participou da reunião. “Nossa esperança é que isso seja julgado o mais breve possível. 
O presidente do Supremo (Ricardo Lewandowski) solicitou um parecer à manifestação do Ministério Público Federal e, tão logo o ministério se manifeste, o presidente do Supremo irá tomar um posicionamento sobre esse processo”, disse. Ele acrescentou que a Funai espera que isso ocorra antes da data marcada para a reintegração de posse. Enquanto a questão não se altera nas instâncias federais, a Polícia Militar busca discutir uma forma para que os índios deixem a área de forma pacífica.  Disputa  Os guaranis que lá viviam foram retirados na época por uma reintegração de posse. Posteriormente, a Funai recorreu da decisão e reconheceu a área como parte da Terra Índigena Guarani. 
No entanto, para o reconhecimento da área, é necessária a assinatura de uma portaria pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para regularizar a posse dessa terra, o que ainda não foi feito. Os índios voltaram a ocupar a terra em 2014. “Está acontecendo uma omissão muito grande dentro do Ministério da Justiça. Hoje temos que viver sob a ameaça de uma reintegração de posse e dessa omissão do ministro. Se o Ministério da Justiça der continuidade ao processo demarcatório, os povos indígenas não precisariam ser despejados à bala e à bomba e não precisaria sofrer esse tipo de violência. 
O que estamos reivindicando é um pedacinho de terra para a gente manter a nossa cultura e para podermos continuar existindo”, disse Karai Popyguá ou Davi, um dos 800 índios guaranis que vivem na região do Jaraguá. “Temos vários projetos [para a terra]”, disse Antonio Tito Costa, um dos proprietários da área. “Estamos estudando para apresentar à subprefeitura de Pirituba um projeto de ocupação de aproveitamento da área”, acrescentou. Ele negou que pretenda construir no local um empreendimento imobiliário de luxo, já que se trata de uma área protegida, considerada zona especial de proteção ambiental. 
Na primeira reunião entre as partes, realizada também no batalhão policial, Costa disse a jornalistas que pretendia manter a plantação de eucalipto já existente no local e fazer uma olaria. O secretário de Direitos Humanos de São Paulo, Eduardo Suplicy, disse ter conversado com o ministro e relatou que ele se comprometeu a intermediar uma reunião entre as partes para tentar solucionar o problema, sem que seja necessária a reintegração de posse. “Não conversamos sobre isso [sobre a portaria que precisa ainda ser assinada], mas ele [o ministro] disse que está disposto a dialogar”, destacou Suplicy. Ele também disse que encaminhou e-mails e conversou com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e com o governador de São Paulo Geraldo Alckmin para buscar uma solução pacífica para o conflito. “Acredito que sim poderá ser pensado um entendimento [antes da data marcada para a ação de reintegração de posse]. O próprio ministro me assegurou que é a vontade dele, a disposição dele, de colaborar para mediar um entendimento entre as partes”, disse Suplicy. “Minha intenção é colaborar para um entendimento entre as partes”, ressaltou o secretário. Por meio de nota à imprensa, o Ministério da Justiça informou que “tem todo interesse em dialogar com o proprietário da terra, senhor Antônio Tito Costa, para construir uma solução pacífica para a disputa”. Segundo o texto, o ministério tem se empenhado nos últimos anos, ao lado da Advocacia-Geral da União, em mediar “conflitos fundiários envolvendo a demarcação de terras indígenas”. No entanto, a nota não menciona sobre a possibilidade de o ministro a assinar a portaria. 

Fonte :Terra - 

sábado, 2 de maio de 2015

Os guaranis do Jaraguá querem o somente o que lhes pertence

O Xamã e o Guerreiro




O Xamã é aquele que pela luz do silêncio dialoga com o Sagrado Mistério e este revela-se, pouco á pouco, ao próprio. Desse diálogo nasce as respostas para as suas mazelas, feridas, maus hábitos; para a cura de si e de seus semelhantes. O Xamã voa, por isso adora plumas, que representam essa dimensão celestial e iluminada. Mas muitas vezes se perde neste vôo pela influência dos ventos das fantasias e falsas projeções, de si mesmo e dos outros.
O guerreiro é aquele que tem os dois pés no chão e conhece o valor e o poder das raízes. Conhece os valores da terra: realizar, semear, materializar, lidas com a vida prática. O guerreiro guerreia, não contra alguém, mas consigo mesmo, contra suas insignificâncias e contra os seus exageros. O guerreiro guerreia contra as suas limitações, suas percepções fragmentadas das circunstâncias da vida. As vezes o guerreiro fere e magoa.
Por isso os dois devem andar lado a lado, um ouvindo o outro, principalmente nos momentos decisivos dos fatos que a vida apresenta.
O Xamã ilumina o caminho do guerreiro. O guerreiro fortalece a jornada do Xamã.

O que é indio?

Trilhas do Ser: Passos iniciáticos


Tem-se dito que estamos em uma crise planetária gravíssima, de alto risco para a espécie humana. A desagregação dos ecossistemas, promovida pelas limitações da atual consciência humana, centrada na ganância, usurpação, exploração indiscriminada dos recursos, semi-escravização humana e outros fatos deploráveis - tem agravado situações sociais insustentáveis e gerado um sistema quase ininterrupto de pequenas e grandes crises.
No âmbito pessoal, estamos percebendo o agravamento também de diversos distúrbios: stress excessivo, depressões, cânceres, distorções no campo afetivo – individual e familiar -, surgimento de inúmeras “novas” doenças, etc. e fica a pergunta, onde é que vai dar isso? Para muitos, determinados tipos de crise levam á estafa, stress, doenças, depressões, traumas, e até á morte fí Tudo dependerá de modo como cada pessoa acolherá o fato ou situação em que ela se encontra.  Podemos de um modo geral, observar alguns tipos de crise mais comum que todos nós, seres humanos. invariavelmente passamos:
  • Financeira
  • Relações afetivas
  • Auto estima
  • Identidade
  • Depressão
  • Falta de perspectiva
  • Espiritual
No entanto, do ponto de vista consciencional, a crise é um modo de possibilitar a evolução/maturação da alma. É a oportunidade de dissolver males gerados por situações conflitantes. Por isso, nesse sentido, ela pode ser também reconhecida como uma iniciação espiritual. Neste caso:
  • O primeiro passo é mudar o paradigma de acolher uma determinada situação negativa em sua vida que surge como sofrimento e acolhê-lo como aprendizado.
  • O segundo passo é identificar a causa mais profunda que originou a situação. E a causa pode estar relacionada com uma crença ou um valor errôneo ou uma distorção diante de fatos e situações vividas.
  • O terceiro passo trata-se da erradicação da distorção de crenças e valores que nos mantêm paralisados em determinada crise.
O acolhimento de situações, coisas e fatos que ocorrem em nossas vidas como lição é um exercício prático de auto-conhecimento, difícil e poderoso. Permite identificar causas e permite corrigir distorções, e para isso podemos nos servir de perguntas chaves, para nós mesmos, diante de nosso enredo pessoal.
As perguntas que devemos fazer para entender a crise como benção e sair da trilha que nos dá o sentimento de estarmos perdidos e entrarmos em uma trilha que nos direciona á um caminho claro são:
  1. O que esta(s) situação (ões) está querendo dizer em relação á qualidades da minha personalidade que não estou reconhecendo?
  2. Esta (s) situações se repetem ciclicamente em minha vida?
  3. Conheço alguém que passou pelo mesmo tipo de situação? Como atravessou?
2) A ENCRUZILHADA
Toda encruzilhada é a intersecção de dois caminhos, desafiando o caminhante á tomada de decisão, á dúvidas, á Podendo levar á soluções ou ao fundo do poço. O caminho do medo que cruza com o caminho da clareza. E a dimensão da clareza requer ver a nós mesmos partir de um coração amoroso.
Quanto mais uma pessoa vive sem consciência de si mesma, mais ela poderá ficar entre as forças do subconsciente, que ancora tanto as memórias, crenças e valores traumáticos, que formam o corpo dos medos; como também crenças, valores e memórias benéficas formando o corpo dos afetos que a movem em direção ao Amor. Ou seja, o ser sem consciência de si vive oscilando, titubeando pela vida, entremeando-a de fragmentos ora de dor, ora de felicidade, ora com certa neutralidade; passeando entre os seus três aspectos:
  • AVÁ = SUPRACONSCIENTE
  • NHENG= CONSCIENTE
  • BÔ = SUBSCONCIENTE
Na sabedoria ancestral tupy, estes são os três aspectos que formam o ser, e a partir do desenvolvimento, centramento e alinhamento consciencional destes aspectos é que o ser, como um Todo, evolui.Muitas vezes na vida ficamos em uma encruzilhada, tendo que decidir, escolher, apontar caminhos; e cada uma dessas vezes é uma pequena ou grande prova para a maturação de nosso ser.
Na encruzilhada temos decisões á tomar, e em algumas situações ficamos na dependência de dois irmãos gêmeos que nos habitam: Nhanderykei (o irmão menor) e Nhanderuvuçú (o irmão maior). O menor tem a tendência de nos conduzir á paralisia, á rigidez excessiva e ao medo. O maior tem a tendência de nos conduzir á mudanças, ao novo rumo, á Qual caminho escolher?Há quatro atitudes básicas diante de uma encruzilhada:
  • Fé/Confiança na melhor escolha
  • Fuga
  • Paralisia
  • Tomada de consciência e dissolução
A fé e a tomada de consciência são atitudes do "irmão mais velho que habita em nosso interior" que a sabedoria ancestral tupy nomeia de Nhanderuvuçu, que significa o "Eu Maior". A fuga e a paralisia são atitudes do "irmão mais novo", ou o ego, chamado em tupy de Nhanderykei.  Para que cada vez mais nossas decisões sejam tomadas pelo "Maior"em nós há que se cultivá-lo. E isto exige o silêncio e a contemplação como método.
3) O SACRIFICIO
Todas as culturas do mundo desde tempos remotos experienciaram/experienciam a prática do sacrifío.  No entanto, o entendimento e o sentido deste ato têm passado por alterações e distorções ao longo da história da presença humana na Terra.
As culturas indígenas das Américas praticavam o sacrifício humano, como oferenda aos deuses para obter algo em troca. Assim também como outras culturas. Existe ainda hoje a prática do sacrifício animal, no sentido de oferecer suas vidas, ou energia vital, á supostas forças/entidades superiores. Desse modo, o velho modelo do sacrifício como normalmente se entende está relacionado á:
  • Oferenda (oferecer algo menos valioso por algo mais valioso)
  • Sofrimento
  • Compensação (corrigir um suposto erro, pagar um preço)
  • Libertação
Na língua hebraica, a palavra para sacrifício é korban, que tem o significado de “se aproximar de Deus”. Na língua tupi a palavra é kandire, que significa “desprendimento”, ou seja, se desprender/desapegar de algo, mas sem esperar por nada em troca. Na língua latina esta palavra é a união de sacro (sagrado) e ofício (trabalho), nos dizendo que é o sagrado trabalho necessário para a evolução do ser. Na verdade, o sacrifício é o sagrado trabalho para sair de uma paralisia, de uma encruzilhada, de uma zona de conforto, para uma oitava superior, uma verdadeira melhora de sua condição; e para tal situação ocorrer é necessário o desprendimento de algo. Este é o correto sacrifício.
A sabedoria ancestral fala de três tipos de corretos sacrifícios:
  • Sacrifício do corpo – por exemplo: o jejum
  • Sacrifício da mente – por exemplo: o desprendimento de uma crença distorcida de si
  • Sacrifício da alma – por exemplo: o abandono de uma crença negativa/limitante que paralisa o ser.
No modelo em seu sentido mais profundo de sacrifício, a relação de oferenda também é revalidada, redimensionando-a em três tipos:
  • Oferenda da gratidão
  • Oferenda do louvor
  • Oferenda da celebração
Nesse sentido, para aqueles que têm necessidade de materializar a oferenda, acabam substituindo a matança de animais por mandalas de flores, de frutos, perfumes, cristais e incensos.
4) A NOITE ESCURA DA ALMA
A noite escura da alma é o momento crucial da crise. Esse termo vem de São João da Cruz, um monge espanhol que passou por um episódio de tal forma transformador que ele traduziu por este nome, que com o passar do tempo acabou sendo utilizado pela psicologia para explicar esse momento aos quais todos nós passamos em épocas e etapas muito singulares em nossas vidas.
É o momento em que questionamos todos os sucessos e nos confrontamos com todos os fracassos de nossas vidas. E reações profundas ocorrem. Algumas terrí Somos lançados á espaços interiores onde literalmente ficamos “sem chão” e com a sensação de estar “sem luz”.Nesse período alguns comportamentos desestruturantes da personalidade podem se manifestar, como:
  • Depressão profunda
  • Idéias de auto-aniquilamento
  • Fuga constante da realidade
  • Isolamento doentio
Porque isso ocorre? Devido á uma distorção que nos habita desde que nascemos, passamos a crer que somos matéria. Nesta perspectiva criamos um jogo com diversos enredos e tramas. Quando perdemos, nos angustiamos. Quando ganhamos, nos exaltamos. Até que um dia este jogo de opostos deixa de fazer sentido. É quando a noite mais profunda vem. Não existe uma única noite escura da alma, existem diversas, de intensidades também diversas. E cada qual nos dá uma lição, uma lapidação e um remodelamento de posições e atitudes, de valores e crenças.
5) A MORTE
O maior problema em relação á morte se deve ao fato de que nos negamos a conhecê-la. Vivemos como se ela não existisse e ao mesmo tempo morremos a cada dia. O povo Bororo tem a morte como sua principal companheira, senhora de um poderoso portal. O povo indígena do México tem a morte como uma santa, e ela é cultuada e celebrada.
OS CINCO ESTÁGIOS ESPIRITUAIS DA MORTE
“ Segundo o budismo, quais são então as nossas experiências nos derradeiros instantes da vida que agora vivemos? O Budismo explica que no momento da concepção a nossa consciência entra na matriz da mãe e toma como suporte a união das células masculina e feminina. Nos textos fala-se da essência branca do pai e da essência vermelha da mãe como os aspectos sutis dessas duas células que presidiram à nossa concepção e dizem que essas essências perduram durante toda a nossa vida. Por outro lado, tal como o mundo físico exterior, também o nosso corpo é formado pela interação dos cinco elementos ­– terra, água, fogo, ar e espaç No momento de morrer estes cinco elementos dissolvem-se uns nos outros e cada etapa desse processo é acompanhada por certas sensações particulares. Por último, a consciência dissolve-se na vacuidade e é aquilo que consideramos como sendo a morte, o momento em que o espírito e o corpo se separam. Nesse momento as essências branca e vermelha de que falamos dissolvem-se no coração. No final de todas as dissoluções o moribundo tem a experiência direta da luz clara, uma luminosidade que foi descrita como uma “aurora imaculada num céu de Outono perfeitamente limpo”. Essa é a consciência fundamental, a base de todos os outros níveis de consciência e a única que está sempre presente em todas as fases do contínuo da existência. “.Monja Tsering Paldron.
Na tradição indígena temos o kuarup, que é um dos rito de morte e transcendência mais conhecidos do Brasil. No entanto é pouco compreendido. Basicamente ele propõe a reverência e celebração por cada portal/elemento que integra o corpo físico que com a passagem do tempo o desintegra. E ele reconhece a imperfeição que é o ser humano dentro do seu ciclo de tempo/espaç Ele reconhece o principio da “impermanência” presente na natureza e o celebra, trazendo o viver para um grande “agora” fazendo do momento de origem e do momento de final um portal de transição.
Temos muita dificuldade de aceitar todos os tipos de mortes: de crenças, de hábitos, de comportamentos, de distorções sobre nós mesmos e sobre os outros. Temos a tendência de querer um mundo estático, como se o tempo e as transformações não fossem naturais, integrantes do processo evolutivo.
6) A PURIFICAÇÃO
A purificação é o resultado dos embates entre o irmão mais novo e o irmão mais velho que habita em nós, quando desse embate cristaliza-se uma límpida essência que jamais evaporará. Trata-se da sabedoria. A cada superação de cada etapa diante de circunstâncias e fatos que nos ocorrem nos tornamos mais conscientes de nós mesmos e de nossas potencialidades e possibilidades. Isto é o propósito da purificação.
Ancestralmente há três tipos de purificação:
  • A purificação do corpo – que apoia na eliminação de maus hábitos alimentares, comportamentos arraigados de determinados vícios e desagregação de padrões negativos automatizados.
  • A purificação da mente: que apoia na eliminação de padrões de crenças e valores limitantes.
  • A purificação do espírito: que elimina os diversos “eus” psicológicos gradativamente, conforme vamos galgando cada etapa evolutiva.
7) O RENASCIMENTO
Não nascemos novamente somente á cada encarnação. Podemos nascer de novo a cada dia de nossas vidas, porque é isso que ocorre corporalmente, a cada uma de nossas células. Entre a rigidez e a flexibilidade. Entre o passado e o futuro. São poucas as vezes em que escolhemos o presente. Nascer de novo é um treinamento para estarmos vívidos, presentes. Lúcidos no aqui/agora da existência. O irmão mais novo que habita em nós normalmente quer manter-se inalterado, o que gera rigidez, limitação e estagnação. O irmão mais velho que habita em nós normalmente busca novos caminhos, novas possibilidades, com o claro reconhecimento de que o viver nos proporciona um aprendizado permanente, e para isso se abre á mudanças quando percebe que já cumpriu um determinado ciclo em qualquer situação ou fato de sua vida. Está pronto á nascer de novo quando for necessário.

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BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...