terça-feira, 14 de abril de 2015

Povo Zoró dá lição de sustentabilidade


Eles vivem em 24 aldeias na região do município de Rondolândia (a 1.100 km de Cuiabá) e têm trabalhado em parceria com o projeto Pacto das Águas, da Petrobras, que apóia o manejo sustentável em comunidades indígenas e extrativistas.
A produção está só no começo. Os índios, por meio da Petrobras e da Associação do Povo Indígena Zoró (Apiz), aprenderam a utilizar o secador rotativo para beneficiar as castanhas. A máquina permite secar até 2,5 toneladas por dia.
Assim, as amêndoas ficam mais limpas, mais duráveis e menos úmidas. Tornam-se um produto mais viável para o fornecimento das empresas e cooperativas que o compram, as quais geralmente têm uma demanda de 700 toneladas ao ano.
Já a aquisição da máquina foi possível graças ao Projeto de Conservação e Uso Sustentável das Florestas do Noroeste do Mato Grosso, desenvolvido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil (PNUD/Brasil), segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Aripuanã.
Aliado às boas técnicas de manejo, o beneficiamento acaba com um dos principais gargalos na produção da castanha: a qualidade do produto no momento de sua comercialização. Agora, os índios devem continuar sua capacitação, desta vez para a gestão do negócio – de forma a conquistar a autonomia no futuro e sem devastar a floresta.
Os índios Zoró pertencem ao tronco lingüístico Tupi-Mondé e ocupam 355 mil hectares. Hoje, são 625 pessoas espalhadas por 24 aldeias na região de Rondolândia, área de morrarias e florestas densas. Os Zoró são conhecidos pelas habilidades de caça coletiva e cotidiana, além da pesca, a coleta, o extrativismo, a agricultura e o artesanato. Nas roças familiares, os índios cultivam principalmente mandioca, batata, cará, milho, arroz e banana.

O VALOR DO DINHEIRO

A semente do sucesso começa pelas raízes

A semente do sucesso começa por honrar as nossas raízes mais profundas.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Nada a comemorar.

Desmatamento aumenta. As águas sendo tratadas como negócio. O clima em meio á debates de interesses meramente econômicos. As terras que deveriam ser destinadas aos remanescentes de antigas tradições sendo disputadas na base da tiro ou das negociatas parlamentares de interesses escusos. A bancada da bala ditando regras contra a paz. Por isso nesta semana de abril, onde se comemora o nascimento do Brasil, as lutas pela liberdade, a honra aos povos indígenas; não há nada a comemorar.
Temos muito o que refletir e muito o que fazer. Há um sentimento coletivo no ar, uma clara indignação mas uma difusa compreensão em relação ao que fazer.  Nuvens de dúvidas permeiam a sociedade e são pesadas e escuras.
Uma coisa é certa, precisamos resgatar algo de humano em nossas relações. Algo de genuinamente humano, que é a capacidade de pensar no futuro melhor para toda a coletividade de seres - incluindo os seres da natureza - e agir no presente nesta direção. Olhar adiante e agir no agora, como diz a sabedoria ancestral.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Envolvimento Sustentável



O Brasil é o país da diversidade cultural, hoje e também muito anterior á sua fundação. Esta multiplicidade de culturas milenares que por aqui habitavam desenvolveram modos de vida peculiares, mas havia em comum o fato de que levava em consideração uma relação econômica mediada por crenças e valores ligados aos respectivos ecossistemas por onde circulavam. Entre os principais valores, destaco: a consideração do ambiente como entidade viva e a utilização de seus recursos com parcimônia, consciência de manejo e cuidado. Podemos denominar este sistema econômico de “economia do cuidado”.
Atualmente, esta diversidade específica, espalhada por todo o Brasil e tantas outras diversidades de origens; divide-se em três dimensões, além da sua multiplicidade étnica: as culturas isoladas, que permanecem respectivamente nos seus modos de vida tradicionais; as culturas aldeadas, mas que interagem com a sociedade não indígena em diversos níveis, procurando assimilar também seus códigos de conhecimento e com o desafio de manterem valores tradicionais; e as culturas desaldeadas, que vivem nas periferias e áreas urbanas das grandes cidades buscando alternativas de subsistência, resistindo culturalmente e enfrentando crises de identidade e exclusão social.
Por entre estas diferentes realidades permeiam exemplos de comunidades que recriaram modelos de desenvolvimento baseados nos valores tradicionais e ao mesmo tempo aderindo á estrutura capitalista de geração de renda. Como é o caso dos Ashaninka, que produzem o urucum para vender, mas o faz com uma alta consciência de manejo. Como também o caso dos Baniwa, que produzem seu artesanato, negocia com lojas de alta rotatividade das metrópoles, mas não alteram seu ritmo de produção de acordo com a demanda do mercado, mas de acordo com a manutenção dos limites do ecossistema de sua região.
É claro que o exemplo dos casos não tem por objetivo mostrar que é a alternativa para um projeto de política econômica de desenvolvimento. Mas podemos pensar que em uma sociedade complexa e diversa, que caminha para a consciência da interdependência; há que se abrir para a possibilidade de acolher diversos pequenos sistemas econômicos baseados em valores locais, no cuidado social e ambientalmente no manejo adequado.
A questão é que nós ainda usamos a palavra desenvolvimento atrelada ao atendimento de necessidades e consumo. No entanto, uma parcela da sociedade está evoluindo para uma consciência mais atrelada á atendimento de valores e produção de conhecimento. Inclusive no meio do primeiro setor, muitas empresas já perceberam que existe um tipo de consumidor não compra mais um produto em si, mas o valor que ele representa.
A questão de indicadores de riqueza também é algo que precisa ser revista. No Brasil e no mundo, tudo que se vende, inclusive armas e drogas, servem como indicadores de riqueza; mas qualidade de vida não.  Será que é primitivo pensar em uma sociedade onde valores que integram diversidade, respeito mútuo, cooperatividade e indicadores que consideram o equilíbrio ecológico como riqueza, por exemplo.

Ou seja, podemos perceber que existe a possibilidade real de haver um modelo de desenvolvimento relacionado á evolução: individual, social, ecológica. Em detrimento a um modelo velho ainda relacionado á exploração indiscriminada de recursos, indivíduos e culturas. Mas antes, para isso, é necessário haver um envolvimento. Envolver sustentavelmente para desenvolver civilizatoriamente.

Qualidade de vida

Frequentemente ouvimos a expressão "qualidade de vida" nos mais diversos setores da sociedade e nas mais diversas origens de pessoas. É uma coisa que todos querem. É uma palavra que cai bem em muitos tipos de discursos. No entanto, o que é qualidade de vida para uns, pode não ser o mesmo para outros. Tem gente que associa qualidade de vida com mansões, iates e milhões na conta, mesmo se isto for resultado de atividades ilícitas, ou as custas de exploração inconsequente da natureza. 
No entanto tem gente que associa qualidade de vida á um encadeamento de relações de equilíbrio social, ambiental, econômico e pessoal. São pessoas que reconhecem que a vida é um encadeamento de relações e que existe uma interdependência entre elas. São pessoas que sabem que uma atitude pessoal reflete em seu grupo familiar, social, e na comunidade maior a qual estamos todos inseridos. 
Aprendi com este segundo tipo de pessoas que qualidade de vida deve levar em consideração quatro tipos de cuidados: o cuidado consigo próprio, o cuidado com o lugar em que vivemos, o cuidado com o outro; e o cuidado com todas as formas de vida, das mais pequenas e supostamente inferiores até aquelas que se supõe superiores.  

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Envolvimento Sustentável

A  grande tribo humana tem o emergente desafio de transformar seus comportamentos de extração desmesurada dos recursos da natureza para um novo paradigma; que é basicamente um relacionamento de envolvimento sustentável.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

VIVA AS MULHERES INDÍGENAS! RESILIÊNCIA E CONQUISTAS

Este ano está sendo muito difícil para a questão indígena no Brasil. Na câmara federal sucessivas tentativas de aprovar uma lei que transfere a responsabilidade de demarcação de terras do poder executivo para o poder legislativo, que tem na maioria de sua composição deputados contrários aos povos indígenas,  á diversidade e a idéia de preservação de florestas. 
Os meios de comunicação de modo geral insistem em transmitir fragmentos desta diversidade cultural que estimula ainda mais o preconceito e a visão de que são culturas ignorantes e cheias de crendices; quando dá ênfase nas flechas atiradas contra a polícia em manifestações de defesa de seus interesses, quando fala sobre a obstrução de estradas no norte do país por parte de algumas etnias mas não explica que é um ato de resistência política, quando enfatiza as imagens das etnias isoladas que respondem com desconfiança e susto as tentativas de aproximação da chamada civilização. 
A mídia não aprofunda o fato de que por trás pressão para mudança da lei está o interesse de exploração indiscriminada do subsolo amazônico e seus minérios que aguçam as investidas de desejos de lucros sem escrúpulos.  Também não relaciona que a continuidade da devastação da floresta é também um dos principais propósitos desse imenso grupo parlamentar que praticamente domina o congresso nacional.
As 32 áreas que estão na mesa do Ministro da Justiça para serem demarcadas são resultados de longos períodos de estudos antropológicos e jurídicos e algumas estão na fila a 25 anos, desde a promulgação da constituinte de 1998, quando o congresso estabeleceu o prazo de 5 anos para a demarcação das terras indígenas.  
O lado positivo para a cultura indígena continua sendo sua capacidade de resistência, de contar com apoios diversos de instituições e sociedade civil, e de permanecer atento ás investidas de seus opositores. Individualmente tivemos o reconhecimento e premiação de algumas de nossas guerreiras como Eliane Potiguara, escritora e ativista para  a questão da mulher indígena, que recebeu o prêmio da Ordem do Mérito Cultural do ministério da Cultura. Além de Ysani Kalapalo, nossa guerreira da juventude, que passou em um concurso para estudar em Harvard, o que contribuirá inevitavelmente para novas pontes e estímulos interculturais.  Grandes mulheres, orgulho das culturas ancestrais, parabéns!!!

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Água não é negócio, é um bem comum.

Lembro-me que em 2001 comecei, com o apoio e a parceria de Danielle Mitterrand, uma série de atividades que incluia seminários, publicações, palestras, com o propósito de difundir a importância de lidar com a água com responsabilidade, cuidado, e garanti-la como um direito de todos. Para isso haveria basicamente a necessidade de realizarmos três procedimentos: não desperdiça-la, despolui-la através de estações de tratamento apropriadas, e considera-la como um bem comum ao invés de negócio. 
Foram anos de trabalho, circulando alguns estados do Brasil e também da França, a partir da Fundacion France Libertes, falando em diversos espaços institucionais nas mais diversas situações. E incrivelmente recebiamos mais atenção na Europa, onde a escassez é grande, do que no Brasil, onde rios e cachoeiras abundam. 
Recentemente, quando tive a oportunidade de ser candidato ao senado pelo estado de São Paulo pelo Partido Verde, retomei a ladainha das águas pois estávamos no início de uma grande crise. E a questão era basicamente a mesma. São Paulo desperdiça, através da própria empresa pública de água, quase 35% daquilo que capta, onde literalmente ela vai pelo ralo. Ao invés de investir em reparo e manutenção, investe em ações, fazendo da água um negócio. A SABESP pede para o povo economizar, cobra o ônus, e ainda insinua que a população é a culpada. 
A crise foi aumentando e a situação foi ficando drástica. E pelo menos para uma coisa serviu; hoje em dia é muito comum qualquer cidadão saber justamente da necessidade de cuidar, preservar, e até honrar, agradecendo  reconhecendo o valor inestimável deste bem, que nos é comum e cuja responsabilidade do estado é grande. Precisamos sentir falta, infelizmente, para descobrir isso. No entanto, o comportamento das políticas públicas para isso ainda engatinha. 

sábado, 4 de abril de 2015

BANIWA LUTA PELA REDEMOCRATIZAÇÃO DA AMAZONIA


Há 30 anos, Gersem ajudou a fundar a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e a Coordenação dos Povos Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab)

Gersem Baniwa se declara determinado a travar todas as lutas para reinventar a democracia no Brasil 
(Winnetou Almeida)
É na comunidade onde nasceu, Carara, no rio Içana, que Gersem José dos Santos Luciano Baniwa começa, como professor, a caminhada de líder indígena. Tinha 20 anos em 1985 e acabara de concluir o ensino médio. Vivia dois momentos antagônicos.
Um como parte de um povo que estava fadado à extinção ou sobreviver deixando de ser índio. Outro, vivenciando as tradições culturais baniwas - "um dos períodos mais ricos da minha vida", registrada. Hoje, doutor em antropologia social, o diretor do Departamento de Políticas Afirmativas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Gersem Baniwa se declara determinado a travar todas as lutas para reinventar a democracia no Brasil.
"Tenho a alegria e a satisfação de ter participado desse acontecimento tão importante para a sociedade brasileira e, particularmente na Amazônia, para nós povos indígenas, que foi a luta pela redemocratização. Não apenas testemunhei, estava no processo e isso é muito forte a toda minha geração. Quem não viveu integralmente aquela realidade pouco pode imaginar o que era ser índio no Brasil antes do processo de redemocratização. Resumo essa vivência como um modo de ter sensação de liberdade".
No campo indígena, vê a operação de um milagre e recorda que a infância e a adolescência dele foi triste porque eles eram o povo sem futuro e estavam na fase final da história deles. "Imagine o que é você crescer ouvindo isso". No final da década de 1970 e na virada para 1980, alguns intelectuais afirmavam que na virada do milênio não haveria mais índios no Brasil.
"O mínimo que sobrava para nós era sobreviver fisicamente. E o que seríamos entre os brasileiros? Por isso, quando olho para aquela época, sei que realizamos um milagre. Estamos vivos, vamos quebrar a casa de 1 milhão de pessoas. Estamos aprendendo a não mais andar de cabeça baixa, e vamos retomar as nossas lutas".
A alegria por ser parte das lutas pela redemocratização brasileira e na Amazônia e por não terem desaparecido não encobre o posicionamento crítico desse antropólogo a respeito do modelo democrático nacional/regional.
É esse olhar que Gersem Baniwa registra nesta entrevista na série Democracia e Amazônia. Afirma que a imagem indígena de resistência do povo que não se entrega foi bem aproveitada na luta pela redemocratização e serviu para enriquecer falas como as dos deputados federais Dante de Oliveira (autor da Proposta de Emenda Constitucional nº 05/1983 que reinstauraria as eleições diretas para a Presidência da República, mas foi rejeitada pela Câmara, em 1984), e Ulysses Guimarães (o "Senhor das Diretas Já").
"Lamento avaliar, 30 anos depois, que infelizmente na medida em que a democracia foi se consolidando também os indígenas foram sendo esquecidos”.
Democracia forjada nas oligarquias
A democracia na Amazônia tem, na visão de Gersem Luciano Baniwa, uma característica particular: é democracia ditada, sustentada e forjada pelas antigas oligarquias. Tem no seu comando os mesmos que foram antidemocráticos no passado. "São eles aqui que estão nos espaço de Poder. É uma elite que mantém as mesmas visões preconceituosas sobre os índios. O que mudou, nesse caso, foi o regime político. Os indígenas, para essa elite, são pessoas inferiores, cidadãos de segunda categoria".
O professor enfatiza que a ideia de democracia é coisa boa, o problema é que os espaços democráticos não atendem as expectativas das populações indígenas. "Assim, é uma democracia que não nos representa.
O Estado brasileiro é pluriétnico, mas no Congresso Nacional nós, os índios, não estamos presente. A democracia colocada nesse patamar tem uma feição perversa. Penso que no caso brasileiro é urgente elaborarmos em outro modelo de democracia. Para indígenas, ela precisa mesmo é ser reinventada, sem abandonar as coisas boas do que todos conquistamos até esse estágio. Temos um longo caminho a seguir".
Construir novas alianças
Ao avaliar o processo de redemocratização brasileira, o pesquisador propõe que no Amazonas os indígenas revitalizem o movimento e façam novas alianças estratégicas porque somente assim será possível reconquistar o espaço histórico dos povos indígenas.
"Temos que fazer com que a sociedade nos enxergue como parte dela e parte importante - aquela que contribui com a democratização e com o desenvolvimento. Nós somos e seremos a salvação dessa sociedade. A outra parte que não é terra indígena está caminhando rapidamente para a exaustão e destruição. Essa crise da água mostra claramente o que essa outra forma de viver faz com as pessoas e com a natureza".
A sociedade amazônica, na avaliação do professor, está sendo convocada a assumir seus compromissos, o que passa necessariamente pelo reconhecimento dos povos indígenas, caso contrário esta região repetirá o que fez e faz a sociedade nacional, alijou os indígenas.
Saiba mais: Cotas
As leis das cotas, de acordo com Gersem Baniwa, ainda não são empregadas de fato e não são porque os índios são vistos como segmento menos importante. O olhar é de concessão de favor e isso não pode continuar. "É pela teimosia que os índios chegam e se formam nas universidades. Ou seja, é nosso protagonismo que vai criar espaços. E teremos que continuar em luta. Nesse aspecto, a democracia que temos não é suficiente para garantir o respeito e a cidadania”.
Escola somente no papel
Para exemplificar o nível do descaso em relação aos direitos indígenas, Gersem Baniwa cita um caso classificado de " vergonhoso e terrível" por ele. No mês de janeiro, ele foi ao Município de Pauini (a 925 quilômetros de Manaus, no Sul do Amazonas) para ministrar aula a um grupo de 35 lideranças indígenas do magistério. Nenhuma das 39 escolas que aparecem em registros como se estivessem funcionando tem prédio escolar.
“As aulas são dadas em espaços improvisados pelas comunidades - tapiris onde tábuas são pregadas para servirem de mesa. A merenda escolar não chega ali. O que existe é alguma atividade de ensino, mas de forma absolutamente informal. Todos os professores são temporários, e disseram receber abaixo do salário mínimo. Talvez, até recebam o salário e com os descontos, fique abaixo do valor do mínimo".
"De qualquer forma estamos diante de uma violação da regra, porque não se aplica o teto salarial para professores indígenas. Em geral, o que encontramos é um dado: no exercício da educação indígena os direitos são ignorados. Por que isso? É por que os professores são índios? No caso de Pauini, os professores sequer sabem dos direitos que têm". Naquele município são 900 crianças e jovens, na faixa de 5 a 20 anos que não têm escola para estudar e, no papel, as escolas existem.
"Essa realidade é vergonhosa para o nosso País, sétima economia do mundo, e para o nosso Estado, que não é pobre, se considerar o que é arrecadado pela Zona Franca de Manaus. Eu fiquei chocado porque conheço a realidade brasileira nessa área em função dos anos que atuei no Ministério da Educação com educação escolar indígena e pude conhecer as várias regiões”.

Brasil era Kaiowá

Desde o inicio do período da ditadura no Brasil que os povos de origem guarani são expulsos de suas terras no Mato Grosso do Sul, Foram mais de 30 mil ao longo de mais de 20 anos. Na década de oitenta quando chegaram os posseiros mais impetuosos, que hoje são chamados de fazendeiros, de produtores rurais, ou de ruralistas; iniciou um período agudo de crise e depressão cultural que resultou nos primeiros suicídios coletivos dos kaiowá. Foi nessa época que a imprensa internacional noticiou tal sintoma e a repercussão foi grande.
 No final da década de oitenta não havia internet e suas redes sociais; por isso era mais difícil ainda noticiar fatos e questões fora da "pauta" oficial da chamada "grande mídia" do Brasil. Esses posseiros geraram problemas sociais que antes não havia dentro do sistema cultural guarani. Casos de violência sexual contra mulheres guarani muito jovens, trabalho escravo nos canaviais da época, que alguns anos depois foi substituído pela soja, perseguições á líderes indígenas, mortes de crianças por doenças desconhecidas; tudo isso era  horrível para aquela etnia. Na verdade é a velha repetição de algo que ocorreu no início do século XVI no período da divisão do Brasil em capitanias hereditárias pelos estrangeiros.
A "grande mídia" frequentemente noticia as reivindicações indígenas por suas terras de origem como um estorvo ao progresso e costuma colocar a sociedade do lado dos invasores, como se o problema da invasão fosse das culturas indígenas. Em lugares onde o estado não atua, não só nos rincões do Brasil mas também nas diversas cidades, no que tange ao problema de alocação de famílias e pessoas em terras para moradia e produção, a clareza das responsabilidades fica obscurecido pela hipocrisia e mediocridade das relações no campo político e social. O estado não tem vergonha na cara e nem interesse real, desde a chegada dos primeiros navios estrangeiros, de buscar soluções para estas demandas.

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BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...