domingo, 29 de março de 2015

Árvore é vida

foto de Betty Moon
A manutenção dos ecossistemas e dos climas em fluxo harmonioso depende profundamente da relação entre as árvores e os homens. As culturas antigas consideram as árvores como avós de toda a humanidade. Possuidoras de mistérios, eram honradas com celebrações e espírito de gratidão.

sábado, 28 de março de 2015

Indios perdem colheita

Os índios da etnia pankaiwká perderam plantações irrigadas em 2012, no municípío de Jabotá, Sertão, depois que tiveram a energia cortada pela Companhia Energética de Pernambuco (Celpe). À época, a Fundação Nacional do Índio (Funai) entrou com uma ação e, após quase três anos, a Justiça Federal entendeu que houve prejuízos coletivos, condenando a empresa a pagar R$ 129.429,60 por perdas materiais e R$ 70 mil por danos morais.
A decisão é do juiz federal Bernardo Monteiro Ferraz, da 18ª Vara, em exercício na 38ª, e ocorreu no dia 18 de março. As informações foram repassadas nesta quarta-feira (25). A assessoria de imprensa da JF comunicou que "a Celpe alegou que suspendeu o fornecimento pela existência de débitos na conta do consumo e também devido à ligação clandestina no local, feita pelos indígenas após corte anterior". No entanto, destaca que a companhia tinha apenas um medidor para 42 famílias, total de 155 pessoas. "Esse tipo de cobrança coletiva não atendia ao requisito da informação adequada e clara prevista na legislação", entendeu a JF.
A Funai argumentou à Justiça que a “medição única, somada às inadequações do sistema elétrico que abastece a comunidade e à cobrança de valores altíssimos, levou à impossibilidade de pagamento dos débitos”. O corte, além de incidir na perda de 100% de lavouras de milho e feijão e de 75% de mandioca, também interferiu na higiene pessoal, no saneamento básico e na alimentação dos índios, também segundo argumento da Fundação.
Em nota ao G1, a assessoria de imprensa da Celpe informou que a instituição "está analisando o teor da sentença e irá recorrer da decisão".
Detalhes da condenação
A Justiça Federal comunicou que a Celpe igualmente foi condenada a implantar rede elétrica adequada; a instalar medidores em cada unidade consumidora; a oferecer a adesão à Tarifa Social; e a não cobrar débitos anteriores após a regularização do serviço, além de emitir declaração de inexistência de contas a pagar.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Vida

A vida entra pela janela da manhã
e descansa sua luz nas águas
da umidade da terra, no silencio das pedras...
e prossegue nas folhas, nas raízes
das vozes dos insetos
e no brilho dos olhos dos animais.
O homem também vibra seu tom,
mas as vezes esquecido de si.

terça-feira, 24 de março de 2015

A Consciência deve ser despoluída

Diante do mundo que presenciamos nos noticiários; transbordando injustiça, miséria, guerra e toda sorte de jogatina, devemos ser firmes no propósito de cuidarmos de nossa consciência.
A sabedoria ancestral diz que ela é que comanda o mundo exterior e não é o mundo exterior que a comanda. Dela emana os impulsos mais profundos do ser.
Mas, no entanto, ela pode ser facilmente influenciada pelas situações e fatos externos. Principalmente quando não questionamos, refletimos, filtramos, e eliminamos aquilo que se acumula como uma crença doentia turvando a sua percepção.
Por isso, é necessário também uma árduo trabalho de despoluição através da auto-reflexão, contemplação e meditação.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Militarismo é avô da crise de sustentabilidade e da corrupção


O militarismo no Brasil trouxe como consequência a ditadura, que por sua vez trouxe como resultado o crescimento do desmatamento de modo desordenado, a tentativa de exclusão dos povos e cidadãos indígenas da identidade nacional, e a corrupção através de projetos megalomaniacos e pirotécnicos em nome de um suposto desenvolvimento. Podemos constatar isso na famosa "Transamazônica, que liga hoje o nada ao nada e gastou bilhões de dólares. No projeto Carajás, uma continuidade de uma visão equivocada de progresso.



A ditadura militar calou vozes de jovens, de mulheres, de negros e de tudo que representava uma questionamento ao sistema instalado. Na época do militarismo os índios xavantes, guaranis e krahos foram absorvidos para os quartéis em Minas Gerais, Belo Horizonte, na Pampulha, e treinados para serem auxiliares de tortura de "pau de arara". Em Tocantins, na Ilha do Bananal, os militares arregimentavam karajás, javaés e avá-conoeiros para serem seus serviçais, trabalhadores escravos de suas fazendas, que se erguiam ás margens do Rio Javaés.




O militarismo causou diversos tipos de violencia em nome de uma suposta ordem. Violencia contra pensamentos divergentes. Violencia física através de torturas de pessoas. Violencia ecológica pelo modo de condução de obras públicas e invasão de áreas tradicionalmente destinadas á culturas milenares que as mantinham em equilíbrio. Na época, para por a sociedade urbana do lado militar, folclorizou o índio e criou uma idéia que se generalizou por todo os país, a de que o índio é um estorvo para o progresso.

Foi nesse regime que se criou benesses extravagantes de cargos e salários desconexos com os parâmetros de equidade. Foi nesse regime que foi retirado da Educação as matérias que estimulavam a reflexão, a criatividade e a liberdade de expressão.

A Comissão da Verdade possui um documento chamado RELATÓRIO FIGUEIREDO a respeito de uma investigação feita em 1967, pelo então ministro do Interios Albuquerque de Lima, resultado de uma expedição que visitou mais de 130 posto indígenas que apurou matanças em comunidades inteiras, torturas e toda sorte de crueldades em povos indígenas. Principalmente por latifundiários e funcionários do antigo SPI (Serviço de Proteção ao Indio) que depois veio a ser a FUNAI. Denuncias de caçadas humanas promovidas com metralhadoras e dinamites atiradas de aviões, inoculações propositais de varíola em povoados isolados e doações de açucar misturado com estricnina. O documento tem mais de 7 mil páginas em 29 tomos originais e foi redigido pelo procurador da época Sr Jader de Figueiredo Correia. 


Por isso, quando vejo jovens de hoje pedindo o militarismo de volta, fico pensando no que será que eles conhecem do passado recente do Brasil. Fico tentando entender se eles tiveram o cuidado de estudar, conhecer, compreender, o que foi o País dos anos sessenta até o período do início da retomada da Democracia.  Fico tentando imaginar o que impulsiona estes jovens.

Creio que há algo de verdadeiro que eles almejam, que é o fim da mentira e da corrupção. Creio que eles questionam a falta de valores éticos e morais que podemos constatar ao ver todo o noticiário corrente. Isto é justíssimo e neste aspecto estou do lado deles. Creio que eles buscam uma civilidade verde e amarela genuína, que acolha a diversidade e que tenha uma verdadeira responsabilidade econômica e ecológica. Nisto estou com eles.
Mas militarismo e ditadura jamais.






quarta-feira, 18 de março de 2015

Uma ética para a vida

O cidadão brasileiro está indignado com a mentira e a corrupção e revela a grande crise desta época: ética e valores. Mesmo os que não se manifestaram nas ruas neste último domingo de março. No entanto, ainda assim a câmara federal tentou  mais uma vez colocar em curso a PEC 215, que transfere o poder de demarcação de terras indígenas do executivo para o legislativo. Com tantos temas urgentíssimos a serem colocados em pauta, como por exemplo uma ampla e profunda reforma política e tributária; sempre que possível tentam rapidamente colocar na ordem do dia este projeto de emenda que todos os povos indígenas do Brasil e aliados ambientalistas temem.

Porque dão tanta importância a esta pauta? Quem tem mais interesse neste tema? São aqueles que querem oficializar a devastação e a exploração indiscriminada da natureza em nome de um suposto desenvolvimento que não é mais plausível nos dias de hoje. Devastação essa que, segundo estudiosos do clima, é responsável também pela diminuição do fluxo de chuvas no cerrado e inclusive no sudeste do Brasil.


É preciso que a sociedade brasileira entenda que uma área demarcada é garantia de qualidade de vida não somente na região em que ela se situa, mas em todo o País. Pois inevitavelmente por si só irá garantir um equilíbrio de ecossistemas e consequentemente um equilíbrio no clima local e global. É necessário entendermos cada vez mais acuradamente que a vida é interdependente e um encadeamento de relações. Um pedaço de terra, um pequeno grotão de água, uma pequena porção de floresta ao norte do País pode garantir a saúde e a economia de um grande número de pessoas no sudeste.
Por isso, a questão dos direitos indígenas, de um modo indireto mas preciso, também é uma questão do direito de todos os cidadãos e cidadãs do Brasil, e é neste aspecto que peço o apoio de todos em relação á esta proposta, para que ela saia definitivamente da pauta do congresso.


domingo, 8 de março de 2015

Curar a Terra em Nós

Há uma Terra em cada um de nós que precisa ser cuidada e curada.
Há uma água em cada um de nós que precisa ser cuidada e curada.
Há um ar em nós que precisa ser cuidado e curado.
Há um fogo-luz que precisa penetrar como uma clareira,
que vivifica.
Ele vem do silencio do coração.

(Tupã Mirim)

sábado, 7 de março de 2015

Novas trilhas

 Estamos em um tempo onde a doçura é artificial nas grandes cidades,
mesmo ainda havendo mel e cana brotando dos favos e da terra.
Estamos em um tempo de guerras nas velhas civilizações,
mesmo havendo ainda generosidade nas áreas rurais 
com suas roças familiares e com suas tribos atlanticas.
Estamos em um tempo em que o certo e o errado se distorcem
e a clareza dos caminhos são cobertos por neblinas.
Estamos em um tempo em que não há mais tempo 
para continuar aceitando sua ilusão, seu disfarce
de velocidade, de multidão sem voz, sem coração
e sem rumo. Neste exato agora é possível
ao vestir-se de silencio e profundo
encontrar uma nova trilha 
para um novo mundo. 

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BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...