segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Carta da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) á Presidente

A relação do Estado e da sociedade brasileira com os povos indígenas, mesmos com os novos paradigmas constitucionais que colocaram fim ao integracionismo, reconhecendo o caráter multiétnico e pluricultural do Brasil, em 1988, tem sido marcada por princípios e práticas colonialistas, autoritárias, racistas, preconceituosas e discriminatórias, subestimando a sociodiversidade e a contribuição dos mais de 300 povos indígenas, falantes de 274 línguas, e dos territórios indígenas ao país.
Ao invés de efetivar os direitos indígenas assegurados pela Carta Magna (Artigos 231 e 232), sucessivos governos tem se dobrado aos interesses do capital, dos setores vinculados ao agronegócio, às mineradoras, às madeireiras, às empreiteiras e grandes empreendimentos que impactam as terras indígenas, e outros tantos empreendedores, que visam a apropriação e exploração descontrolada dos territórios e das riquezas neles existentes: os bens naturais, os recursos hídricos, a biodiversidade, o patrimônio genético e os conhecimentos e saberes milenares dos nossos povos. Em razão dessa perspectiva os nossos povos tem sido considerados entraves e empecilhos ao (neo) desenvolvimento, que governantes e donos do poder econômico querem implementar a qualquer custo. Ataques sistemáticos, de regressão e supressão dos direitos indígenas verificam-se nos distintos poderes do Estado e na sociedade, notadamente nos grandes meios de comunicação. A flexibilização ou mudança na legislação indigenista e ambiental está em curso por meio de Projetos de Lei (PL 1610, da mineração em terras indígenas, PL 7735/2014, do Patrimônio genético, entre outros), Emendas constitucionais (PEC 215, PEC 038 etc.), Portarias (Portaria 303, Portaria 419, Minuta de Portaria para mudar os procedimentos de demarcação das terras indígenas), Decretos (Decreto 7957). Ao mesmo tempo, lideranças e comunidades indígenas que lutam na defesa de seus direitos à terra são criminalizadas, vitimas de assassinatos, prisões arbitrarias e ameaças de morte.
Diante dessa realidade, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB, vem de público apresentar aos candidatos e candidatas à Presidência da República, as considerações abaixo, querendo saber s estes terão de fato compromisso para reverter o atual quadro de ameaças aos direitos dos povos indígenas assegurados pela Constituição Federal, pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), incorporada há 10 anos ao arcabouço jurídico do país e outros tratados internacionais assinados pelo Brasil, como a Declaração da ONU sobre os direitos dos povos indígenas. Ao mesmo tempo que assumem o compromisso político de colocar a questão indígena na centralidade das políticas do Estado, atendendo as seguintes reivindicações:
1. Demarcação de todas as terras indígenas. Há um passivo de mais de 60% das terras indígenas não demarcadas, situação que gera conflitos desfavoráveis para os nossos povos.
A demarcação implica em instalar grupos de trabalho, publicação de relatórios, portarias de identificação, portarias declaratórias, demarcação física, homologação e registro em cartório o na Secretaria de Patrimônio da União (SPU).
2. Proteção, fiscalização e desintrusão das terras indígenas, assegurando condições de sustentabilidade aos nossos povos, na perspectiva da segurança e soberania alimentar, e considerando a especificidade étnica e cultural de cada povo e território indígena. Que a efetivação da Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial em Terras Indígenas – PNGATI, se torne realidade para todos os nossos povos e que seja garantido o reconhecimento da categoria profissional e remuneração justa dos Agentes Indígenas Ambientais e Agroflorestais Indígenas.
Com relação ao tema da demarcação, são inúmeros os povos que estão em estado de vulnerabilidade, mas é preciso resolver com urgência o caso crítico dos povos indígenas de Mato Grosso do Sul, principalmente os Guarani Kaiowá, submetidos a um processo vil de etnocídio e extermínio a mando de fazendeiros e representantes do agronegócio, sob olhar o omisso e por vezes conivente dos governantes de turno.
Para cumprir com a responsabilidade de demarcar e proteger as terras indígenas, é preciso que o governo fortaleça a Fundação Nacional do Índio – Funai, sucateada até o momento e objeto de ataques por parte dos inimigos dos povos indígenas.
3. Inviabilização de todas as iniciativas antiindígenas que buscam reverter ou suprimir os direitos constitucionais dos povos indígenas no Congresso Nacional (PECs, PLs), sob comando da bancada ruralista aliada a outros segmentos como o da mineração e o das igrejas fundamentalistas, que se apóiam mutuamente até para atacar a cultura e espiritualidade dos nossos povos.
4. Impulsionar uma agenda positiva que alavanque a efetivação do texto constitucional, por meio da tramitação e aprovação da lei infraconstitucional – o Novo Estatuto dos Povos Indígenas – que deverá nortear todas as políticas e ações da política indigenista do Estado.
5. Aprovação, ainda, do Projeto de Lei e efetivação do Conselho Nacional de Política Indigenista, instância deliberativa, normativa e articuladora de todas essas políticas e ações atualmente dispersas nos distintos órgãos de Governo.
6. Aplicação da Convenção 169 em todos os assuntos de interesse dos povos indígenas, tanto no âmbito do Executivo como no Legislativo, assegurando o direito ao consentimento livre, prévio e informado, baseado nos princípios da boa fé e do caráter vinculante do tratado, para superar práticas autoritárias que tem minimizado este direito ao equiparar a consulta a reuniões informais, oitivas ou eventos de informação. Foi assim no caso do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte e assim quer se fazer com relação ao Complexo do Tapajós e outros tantos. É necessário restituir aos povos indígenas a sua autonomia e o exercício de seus mecanismos próprios de deliberação e que sejam respeitadas e fortalecidas as suas organizações e instâncias representativas, para o diálogo democrático, franco e sincero com o Estado.
7. Implementação efetiva do Subsistema de Saúde Indígena para superar o atual quadro de caos e abandono em que estão as comunidades indígenas. Só em 2013, foi registrado a morte de 920 crianças indígenas por doenças curáveis, situação que poderia ser evitada se houvesse de fato uma política de atendimento de qualidade. É fundamental para o desenho e implementação da política a participação plena e o controle social exercido rigorosamente pelos próprios povos e comunidades e suas instancias representativas, conforme estabelece a Convenção 169, a fim de evitar a reprodução de práticas de aliciamento, divisionismo, corrupção, apadrinhamentos políticos, precariedade ou ausência de atendimento humanizado. É igualmente muito importante que o subsistema garanta o respeito e valorização dos conhecimentos e saberes da medicina tradicional indígena (Pajés, parteiras, plantas medicinais) e o reconhecimento da categoria profissional e remuneração justa dos Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN).
8. Garantia de acesso de todos os indígenas à educação de qualidade, específica e diferenciada, de forma continuada e permanente, nas aldeias, na terra indígena ou próxima da mesma, conforme a necessidade de cada povo, com condições apropriadas de infra-estrutura, recursos humanos, equipamentos e materiais, respeitando o projeto político-pedagógico próprio, calendário e currículo diferenciado, conforme a tradição e cultura dos nossos povos e de acordo com a resolução 03 do Conselho Nacional de Educação (CNE).
Que o MEC crie junto aos Estados escolas técnicas profissionalizantes, amplie o ensino médio e programas específicos de graduação para os povos indígenas, assegurando ainda o ensino científico integrado com os conhecimentos tradicionais para os estudantes indígenas, a realização de concurso público específico e diferenciado para os professores indígenas, a valorização, reconhecimento e remuneração justa da categoria de professores indígenas, o reconhecimento dos títulos dos estudantes indígenas formados no exterior, a participação dos povos e organizações indígenas na implementação dos territórios etnoeducacionais. Que seja garantido ainda a permanência dos estudantes indígenas nos cursos regulares de ensino superior, e que se avance do sistema de cotas, ainda limitado, a um programa realmente específico de acesso dos indígenas a esse ensino.
9. Garantir no âmbito do Ministério da Cultura a participação de indígenas no Conselho Nacional de incentivo à cultura e a criação de uma instancia específica, com equipe técnica e orçamento próprio, para atender as demandas da diversidade e promoção das culturas indígenas.
10. Compromisso com o fim da criminalização, o assassinato e a prisão arbitrária de lideranças indígenas que lutam pela defesa dos direitos territoriais de seus povos e comunidades. É preciso influenciar o poder judiciário e orientar a polícia federal para que respeitem as nossas lideranças enquanto lutadores por seus direitos e não os trate como quaisquer criminosos, agilizando, em contrário a punição dos mandantes e executores de crimes cometidos contra os povos e comunidades indígenas.
11. Disponibilização, por parte do Ministério do Planejamento e Gestão Orçamentária dos recursos públicos necessários para a implementação efetiva destas políticas e ações voltadas aos nossos povos e comunidades, de tal forma que os planos e metas estabelecidas sejam alcançadas.
O compromisso dos governantes com a implementação desta agenda constituirá um marco de superação de todas as mazelas e atrocidades cometidas até hoje, depois de 514 anos da invasão européia, contra os nossos povos, tornando realidade o paradigma constitucional que colocou fim ao indigenismo integracionista, etnocêntrico, autoritário, paternalista, tutelar e assistencialista, para restituir a autonomia aos nossos povos, a condição de sujeitos políticos e de povos étnica e culturalmente diferenciados, em prol do fim do Estado colonial e de uma sociedade realmente democrática, justa e plural.
Reafirmamos finalmente a nossa determinação de fortalecer as nossas alianças, solidariedade e lutas conjuntas com outros segmentos e movimentos do campo cujos territórios também estão sendo visados pelos donos do capital: quilombolas, pescadores artesanais, camponeses e comunidades tradicionais.
Brasília, 14 de setembro de 2014.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Dilma assume compromisso com índios nas vésperas da eleição

A DOIS DIAS DA ELEIÇÃO, POR CARTA, DILMA ASSUME COMPROMISSO COM ÍNDIOS.  VEJA ABAIXO A CARTA NA ÍNTEGRA:
Carta aos Povos Indígenas do Brasil
Aos companheiros e companheiras indígenas, os primeiros brasileiros,
No ano passado vivemos dias intensos; falo das Jornadas de Junho que, para quem não lembra, milhares de brasileiros foram às ruas exigir melhorias sociais e democráticas e, também, exigir mudanças. Naquele mesmo período recebemos os movimentos sociais, grupos da juventude e, também, recebemos lideranças indígenas de todo o Brasil. Após receber a carta com reivindicações das mãos das lideranças indígenas constatei o respeito à nossa Constituição que todos vocês nutrem e afirmei naquela reunião o que escrevo agora: nada em nossa Constituição será alterado com relação aos direitos dos povos indígenas! De todas as justas reivindicações apresentadas não tive dúvidas sobre a questão da inconstitucionalidade da PEC 215. Hoje, todos sabemos, existem desafios na esfera jurídica para podermos avançar na demarcação das terras indígenas no país, principalmente nas regiões centro-oeste, sul e nordeste. Temos que enfrentar e superar estes desafios respeitando a nossa Constituição.
Nos últimos anos construímos, com a participação de representantes indígenas, diversas políticas públicas voltadas aos povos indígenas: políticas afirmativas para o ingresso e permanência de estudantes indígenas nas universidades públicas federais; valorização das culturas indígenas com o Prêmio Culturas Indígenas; inclusão das famílias indígenas em programas federais como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. Tive a enorme alegria em assinar o decreto que instituiu a Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial em Terras Indígenas(PNGATI), pois trata-se de uma política fundamental para a sustentabilidade dos povos indígenas.Além destas políticas públicas, buscamos superar graves dívidas históricas do Estado brasileiro com os povos indígenas, realizando a desintrusão da Terra Indígena Xavante de Marãiwatsédé, no Mato Grosso, e a desintrusão da Terra Indígena Awá-Guajá, no Maranhão.Neste ano de 2014 assinei o decreto que convoca a Conferência Nacional de Política Indigenista, que poderá se constituir num espaço privilegiado para a avaliação de toda a relação do Estado brasileiro com os povos indígenas, de identificação das dificuldades atuais, bem como num espaço de pactuação de novos avanços, particularmente na demarcação das terras indígenas, dentro dos marcos da nossa Constituição.
Gostaria de dizer a vocês que manteremos os compromissos com o fortalecimento da Fundação Nacional do Índio; com a melhoria do atendimento à Saúde Indígena; com a qualidade da Educação Escolar Indígena; com a articulação para a aprovação, pelo Congresso Nacional, do Conselho Nacional de Política Indigenista e do Estatuto dos Povos Indígenas; com o acesso das comunidades indígenas a políticas nacionais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e outras, além de avançar na regulamentação e aplicação do direito de consulta livre, prévia e informada, conforme a Convenção 169 da OIT.
Conto com o apoio de vocês para, nos próximos quatro anos, enfrentarmos juntos os desafios e cumprirmos com os compromissos, garantindo o bem viver para todos os povos indígenas no Brasil.
Dilma Rousseff
Presidenta do Brasil

Botocudos de Minas Gerais tem DNA de polinésios


FÁBIO DE CASTRO - O ESTADO DE S. PAULO     24 Outubro 2014 | 03h 00

Preservados desde o século 19 no Museu Nacional, no Rio, dois crânios de índios botocudos, encontrados em Minas Gerais, se tornaram um mistério para a ciência. A partir de uma análise genômica completa, um grupo internacional liderado por cientistas dinamarqueses e brasileiros descobriu que os dois botocudos tinham genoma inteiramente polinésio, sem qualquer traço de ancestrais das Américas.

O estudo foi publicado nesta quinta-feira, 23, na revista Current Biology. Em 2013, os mesmos pesquisadores haviam encontrado trechos de DNA de populações da Polinésia no genoma dos dois indivíduos. Agora, com a análise do genoma completo, foi possível confirmar a ausência de assinaturas genéticas de povos nativos das Américas. O estudo revelou ainda que os crânios eram mais antigos do que se pensava: os dois índios viveram antes do início do século 19. Os autores, no entanto, não sabem explicar como os polinésios chegaram ao Sudeste brasileiro
“Com o novo estudo, o que já era surpreendente se tornou realmente intrigante. Os polinésios, em sua dispersão pelo Oceano Pacífico, navegaram para lugares distantes como a Nova Zelândia, o Havaí e a Ilha de Páscoa. Esse e outros de nossos estudos indicam que eles também chegaram à América do Sul. Mas como esses dois indivíduos vieram parar no Brasil realmente é um mistério”, disse um dos autores do estudo, Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca.
Segundo o autor principal, José Víctor Mayar, do Museu de História Natural da Dinamarca, o primeiro estudo tinha foco no DNA mitocondrial, muito usado em estudos de arqueologia molecular por apresentar centenas de cópias em uma única célula. Mas o novo estudo analisou o DNA nuclear, extraído dos dentes dos botocudos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Eu Maior comemora mais de um milhão de visualizações


Indios do Mato Grosso do Sul escolhem Aécio


.Além de afirmar que o Governo do PT não está fazendo nada em favor dos índios, Silvana Terena, Elcio Terena e Elizur Gabriel - irmão de Oziel Gabriel, assassinado em Sidrolândia durante conflito em maio de 2013 - denunciaram que está havendo um clima de terrorismo nas aldeias, nesta reta final da campanha eleitoral do segundo turno.Eles anunciaram também apoio aos tucanos Reinaldo Azambuja e Aécio Neves


Silvana e Elizur, falando em nome do Movimento Indígena Urbano e das Bases, informaram que as aldeias de Miranda, Aquidauana, Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti estariam sendo visitadas por representantes do PT que declaram o risco que estariam correndo se votarem em Reinaldo Azambuja, para governador do Estado, e Aécio Neves, para presidente da República.

Eles declararam que o PT ''não está com os índios'' e por isso darão apoio aos candidatos tucanos e entregarão a eles, nesta terça-feira quando da visita de Aécio a Campo Grande, uma carta contendo diversas reivindicações.

Para eles, é importante que os índios tenham suas terras para trabalhar, mas defendem pagamento justos para os proprietários das áreas desapropriadas

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Dilma e Aécio.Prática e discurso

Tenho acompanhado diversas expressões de tentativas de convencimento de votar em Dilma ou Aécio. A militância petista se inflama de um lado colocando que posturas ideológicas estão em jogo: pobres contra ricos, socialismo contra capitalismo, esquerda contra direita.  Classe operária contra burguesia. A militância tucana coloca a questão da inflação, o aparelhamento corrupto do estado, a gestão medíocre da nação.
No entanto, o que parece é que o grupo de Lula e Dilma fizeram, do ponto de vista ideológico, um governo mais para a social-democracia do que para os valores socialistas, aprendendo inclusive as mazelas do sistema social-democrata abrindo mão de princípios éticos quando também se especializa na prática da corrupção. Que diga-se de passagem não é uma corrupção qualquer, é uma corrupção dilacerante para toda a nação brasileira.
 Tenho dúvida se Lula e seu grupo partilha verdadeiramente de valores socialistas, depois de ouvir o depoimento de Hélio Bicudo no youtube, um dos fundadores do PT, á respeito de quem se tornou o principal ícone do partido, o metalúrgico sindicalista que virou presidente. Segundo Hélio Bicudo, o foco do ex-operário passou a ser o enriquecimento ilícito e a gana de estar no poder pelo poder.
Uma das coisas que me indigna é o fato de que Lula desenterrou um projeto inócuo e megalomaníaco dos militares da época da transamazônica,  naquela época chamado de projeto kararaô; mudou de nome, passando a ser Belo Monte - e promoveu o maior desastre socioambiental da década, á um custo altíssimo para a nação e de retorno econômico improvável.
Além disso, seu governo aprovou um código florestal desestabilizador para os ecossistemas e nos últimos quatro anos tem dado as costas á diversas lideranças indígenas que tem tentado expressar necessidade de urgentemente terem seus territórios culturais homologados, como garante os direitos constitucionais de mais de 25 anos atrás, e não tem conseguido efetivamente nenhum avanço. 
Do outro lado temos Aécio, cujo o passado tem sido explorado á exaustão e revelado toda sua maledicência; um candidato cujo partido tem uma incrível habilidade para varrer  e manter a sua sujeira debaixo do tapete. Um candidato cuja política pública de seu partido humilha os professores em São Paulo, com contratos de trabalho escravizantes e com suas universidades que não dão espaço para os pobres, os índios e os negros. Nas redes sociais são enumerados dezenas de casos de corrupção envolvendo sua sigla e seus desmandos em seus últimos governos. Um candidato que até pouco tempo se comprometeu com os ruralistas que iria também deixar os índios de lado e apoiar a PEC 215, que é aquele projeto que tira o mérito do poder executivo para demarcação de terras e passa para a mão da câmara federal, onde notadamente a maioria é ruralista.
O que vemos nesta eleição é uma sucessão de demonstrações dos lixos que cada um produziu, e nenhum deles é reciclável, ao contrário, é abominável.
Uma das poucas vantagens de Aécio é ter assumido publicamente a adesão á um projeto mais sustentável, quando acolhe o apoio do PSB, de Marina, do PV.  A outra é ter sinalizado um compromisso com os povos indígenas, ao voltar atrás em seu discurso ruralistíco. Mas para essa vantagem ser efetiva ele tem que ir além do discurso. 





quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Kaká Werá é fundador do Instituto Arapoty


Mutirão é tecnologia da cooperação

Uma das características da tradição tupy que podemos considerar preciosas é o habito da puxirum, ou mutirum, ou ainda mutirão, conforme foi aportuguesado após o século XVI.
O mutirão é a arte do apoio coletivo, da mutualidade, da criação de vínculos respeitosos entre pessoas e famílias diversas.
O mutirão era fundamental para se formar um aldeamento, para se edificar uma casa, e para enfrentar situações críticas tanto sociais quanto individuais.
Somente foi possível existir uma sociedade sustentável, como foram as inúmeras etnias que passaram pelo Brasil e aquelas que ainda existem devido a prática do mutirão.
Aliás, o brasileiro mais simples, e portanto mais profundo, reconhece o mutirão com naturalidade e como um meio de sociabilização.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Somos natureza

A natureza não é algo que está fora de nós. Somos natureza. Ela é nossa essência primeira. 

sábado, 11 de outubro de 2014

Para onde vai a Educação?

Fico preocupado com a educação. Tem diminuído o número de cidadãos que querem ser professores. Não tem sido uma profissão  de reconhecimento.  Nas periferias os sonhos de prosperidade dos garotos pobres tem sido o futebol. Nada contra o futebol, que adoro,mas a perspectiva é muito limitadora do ponto de vista dos potenciais e das possibilidades de prosperidade e do desenvolvimento das pessoas.
Em São Paulo, o estado tem tratado com negligência os professores. Existem categorias de contratados que ganham mal e não tem nem direito aos clássicos fundamentos da CLT, como décimo terceiro, férias, etc.  Ouso até dizer que é quase um trabalho semi-escravo.
As universidades paulistas não acolhem os pobres, negros, ou descendentes de índios. Elas são contra o sistema de cotas.
Sabemos que o verdadeiro desenvolvimento do Brasil se dará quando tiver um sistemas educacional de ponta, eficiente e que atinja toda pessoa que estiver na linha da pobreza e abaixo dela, pois não dá pra viver eternamente de bolsa família. Inclusive é uma questão de dignidade pessoal, poder gerar  subsistência e riqueza a partir do próprio esforço. E na minha humilde visão, isto passa pela educação. Mas não basta construir prédios. Há que se construir qualidade, valores, reconhecimento para quem atua e aprimoramento do sistema.





























Uma grande esperança de que o Brasil saia do temporal de corrupção

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Compromisso com demarcação de terras indígenas deve ser urgente

O segundo turno começa com grandes dificuldades de posicionamento para quem ficou de fora. Alguns partidos propõem a neutralidade, o voto nulo ou o voto em branco. Na minha opinião estas três opções favorecem sempre o inimigo, seja ele quem for. Não acrescenta nada á democracia. Aliás, dependendo do discurso pode demonstrar inclusive uma visão reducionista e dogmática ao extremo de idéias e propósitos.
O Partido Verde optou por apoiar Aécio Neves. Para isso fez algumas objeções e propostas. No meu caso estou particularmente preocupado com a questão indígena no que se refere a demarcação de terras. Pois Dilma enrolou estes quatro anos o quanto pode e não demarcou nada. Existem na mesa do Ministério da Justiça cerca de trinta processos prontos para serem homologados, todos com reconhecimento total de aprovação devido aos extensos estudos para tal.
Aécio diz até então que é a favor de fragmentar as decisões de  demarcação, distribuindo a responsabilidade para uma diversidade de órgãos, reduzindo imensamente as atribuições da FUNAI.
 Na minha visão isto somente irá dificultar mais ainda o processo, que já sofre um atraso de mais de 25 anos, desde a constituinte de 2008.
Aécio deveria ouvir as lideranças indígenas, ser sensível á opinião deles, e contribuir para o fim desta longa e violenta novela, pois quanto mais tempo se demora para regularizar esta questão, mas cresce a violência em decorrência de conflitos pela terra em diversos pontos do país.
A demarcação deve ser urgente, urgentíssima, portanto, assina Aécio, e estará fazendo justiça.

sábado, 4 de outubro de 2014

Kaká Werá escritor, ambientalista e empreendedor social.

Kaká Werá, índio de origem tapuia, nascido em São Paulo. Sua mãe faleceu quando ele tinha 9 anos e seu pai quando ele fez 16; na década de 1980 foi adotado e adotou a cultura guarani como fundamento do seu viver. É escritor, autor de cinco livros abordando a temática indígena; integrante de um movimento que se utiliza da literatura como uma ferramenta de luta social que reúne hoje mais de 50 escritores indígenas.
Empreendedor social e ambientalista, reconhecido e premiado pela sua ação com diversas comunidades do sudeste do Brasil nos últimos vinte anos. Conselheiro da Bovespa Ambiental&Social desde 2003. Membro de juri do Premio Ford de Ecologia e do Premio Eco da Câmara do Comércio Exterior, foi responsável pelo fomento de inúmeras ações ambientais no terceiro setor e no meio empresarial.
Fundador e integrante da URI (Iniciativa das Religioe Unidas), com cadeira na ONU contra o sectarismo religioso, desde 1998.
Especializou-se em educação em valores humanos e cultura de paz através de diversos cursos e formações no Brasil e no Exterior, sendo o mais significativo seu aprendizado na Índia com S.S. Dalai Lama.
Conferencista internacional, já palestrou em 10 países, entre eles: Inglaterra, Estados Unidos e Israel.

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BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...