quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Kaká Werá está em quinto lugar nas pesquisas para o senado

NAS PESQUISAS ELEITORAIS, KAKÁ WERÁ ESTÁ EM QUINTO LUGAR NA CORRIDA AO SENADO, TRAZENDO A RELEVÂNCIA DA QUESTÃO DA DIVERSIDADE E DA SUSTENTABILIDADE PARA SÃO PAULO.

domingo, 21 de setembro de 2014

O PRIMEIRO ÍNDIO CANDIDATO AO SENADO FALA SOBRE SUA TRAJETÓRIA

ENTREVISTA PARA JULIA NAVARRO

 Por que entrou na política?
A princípio entrei na política partidária para defender  questões relacionadas ao manejo adequado dos chamados recursos naturais e á retomada da dignidade cultural e social dos povos indígenas e descendentes.
2) Quais os seus objetivos como representante político?
No âmbito legislativo, propor leis que favoreçam o reconhecimento e respeito aos povos originários, o direito ao seus territórios culturais; o manejo sustentável dos recursos naturais  e uma educação que favoreça verdadeiramente o aprendizado  e ascensão social dos pobres, negros e índios.
3) Poderia descrever qual foi a sua trajetória de vida até o pleito da candidatura? Quando começou seu envolvimento na política (indígena/branca)?
Minha biografia é extensa, são 28 anos dedicados á ações de fortalecimento cultural e geração de renda com equilíbrio ecológico á cerca de 20 comunidades indígenas do sudeste do Brasil. Sou reconhecido e premiado como empreendedor social por instituições internacionais. Sou também escritor, autor de cinco livros com enfoque na temática indígena. Fui o primeiro escritor indígena do Brasil e participei do fomento de outros autores indígenas, desde 1992. Hoje somos mais de 40 escritores e uma produção literária que passa dos 500 titulos e juntos mais de 1 milhão de exemplares. Sou professor  desde 1997 da Unipaz, uma instituição especializada em formação humanitária e holística.
Meu envolvimento na política teve duas fases extremamente distintas. A primeira foi no período de 1986 á 1992, quando era estudante de escola pública, onde participei de movimentos como a Embaixada dos Povos da Floresta em São Paulo e atuei na área da cultura no governo de Luiza Erundina. Depois me dediquei ao terceiro setor, buscando viabilizar projetos sociais. Retornei á política partidária em 2010, pelo Partido Verde.
4) Já ocupou algum cargo na política pública (legislativo/executivo)?
De 1989 á 1992 atuei na Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo  com ações envolvendo a promoção da cultura guarani de São Paulo.
 5) Participou em movimentos sociais (e/ou) indígenas?
Sim, Desde a década de 80.
6) Qual era a sua ocupação no local de origem, tanto em relação ao trabalho como em relação a posição na aldeia (caso morasse/more em aldeia)?
Moro em Itapecerica da Serra e além de dar aulas e vivenciam específicas abordando a cultura indígena e a sensibilização para com a natureza; sou escritor. Não moro em uma aldeia tradicional, portanto não ocupo uma posição política comunitária.
7) Teve dificuldades de concorrer como candidato às eleições de 2014/ ou em eleições anteriores caso tenha pleiteado? Por quê?
 A concorrência para esta eleição partiu de um acordo ocorrido em Brasília em 2013 quando juntamente com cerca de 20 lideranças indígenas do Brasil, solicitamos ao Partido Verde que nos abrigasse na legenda para darmos visibilidade ás nossas preocupações. O Partido Verde aceitou e criou a cadeira de Assuntos Indígenas nas executivas estaduais e  passei a fazer parte deste círculo. Não tive dificuldade pois o PV  acolheu prontamente todas as candidaturas relacionadas ao seu partido. A princípio minha proposta foi de sair candidato á deputado federal, mas foi o Partido Verde que propôs a minha candidatura ao senado e eu acabei aceitando.
8) Especificamente sobre o modelo estrutural do regime democrático, qual a sua opinião acerca do funcionamento da política partidária representativa? Acha que representa de fato? Considera que existem problemas? Quais?
Estamos vivendo uma crise deste modelo,  ele foi distorcido pelas artimanhas de grupos que pensam somente em estar no poder pelo poder. Os problemas mais comuns  são, de um lado, a degeneração das ideologias, substituídas pelas estratégias de corrupção; e do outro lado os pequenos partidos que servem de balcão de negócios.
9) Caso tenha participado anteriormente/paralelamente de organizações indígenas (ou demais órgãos políticos da sociedade civil), considera que existem diferenças nos modelos de funcionamento da política? Quais?
No terceiro setor, onde atuo a mais de 20 anos, as organizações muitas vezes se apoiam. Nos partidos, mesmo em coligações há o acirramento pela disputa de espaços de poder. A disputa é uma constante, dentro e fora do partido.
10)  Qual a sua relação com o partido da chapa? Como foi a sua filiação? Já foi filiado a outro partido? 
 Me filiei no Partido Verde em 2010. Não me filiei antes á nenhum outro partido.
 11) O(a) senhor(a) se autodeclara indígena. Neste ponto, a identidade declarada tem peso na formulação de suas propostas políticas? Se sim, poderia descrever como se dá esta influência?
Sim. Nasci em São Paulo.  Fora do modo de vida de uma aldeia tradicional. Tive uma infância de periferia de São Paulo e estudei em escola pública. Meus pais são de origem tapuia, de Minas Gerais. Após o falecimento dos meus pais, tive a oportunidade de viver em uma aldeia guarani nos anos 80, em Parelheiros, e adquiri ali também uma conexão com minhas próprias raízes; fui adotado por esta cultura que busco honrar até hoje. Por isso, a formulação de minhas propostas políticas se embasam na minha vivência e aprendizado com esta cultura.
 12) Considera que sofreu/sofre algum tipo de preconceito pelo fato de ser indígena? Se sim, poderia relatar o(os) ocorrido(s)?
Desde menino, mesmo não habitando em uma aldeia, vivi experiências preconceituosas, tanto na escola quanto no cotidiano.  O principal é o rótulo de associação ao “atraso cultural.”
13) Como é a relação interna na política - com os aliados de campanha?
No meu partido, de muito respeito e propositiva.
14) Amigos, parentes, conhecidos do seu local de origem: o que pensam a respeito da sua decisão a candidatar-se? Que opinião  expressam sobre a política partidária brasileira?
Inicialmente de termor e preocupação, pelo fato de ser um espaço de muita jogatina e corrupção. Há um descrédito grande na política partidária.
 15) A sua candidatura trouxe repercussões para seus parentes? Impactou de alguma maneira o seu local de origem?
A minha candidatura foi articulada com os parentes, justamente com o objetivo de dar visibilidade para algumas questões aqui já mencionadas.  
 16) Com base em sua experiência pessoal na política, o(a) senhor(a) vê possibilidades reais de mudança da situação dos povos indígenas do país por meio desta forma específica de se fazer política? Por quê?


Neste pleito há 85 candidaturas indígenas; é a maior participação que o Brasil já teve até agora. Isto já foi uma vitória, pois os principais partidos tiveram que adequar aos seus programas de governos a pauta indígena; além do fato de que toda participação cidadã de algum modo repercute neste espaço; o que estamos tentando atingir é que esta repercussão seja mais aguda e traga rápidos e bons resultados que reflitam na justiça social para os povos e em modelos sustentáveis para os recursos naturais.

Kaká Werá dialoga com a REDE sobre propostas para o Senado

#Rede/SP - Bate papo com o candidato ao Senado Kaká Werá - 17/09/14

A TERRA É SAGRADA

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Kaká Werá propõe a dança da chuva

Podemos realizar sete passos e criar uma verdadeira dança para fazer chover:


1. Frear o desmatamento inconsequente.
2. Promover a restauração da Mata Atlântica.
3. Proteger nascentes e brotos dágua.
4. Implantar estações de tratamento para a purificação das águas.
5. Promover e valorizar o reuso das águas.
6. Evitar o desperdício.
7. Agradecer todos os dias esta dádiva divina que é a água.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

EMBU DAS ARTES É VERDE

O PV DE EMBU DAS ARTES UNIDO , PROMOVE O DIÁLOGO PARA A DEFESA DA SUSTENTABILIDADE DA REGIÃO

Jean Nascimento, primeiro suplente de senador, defende a inclusão social e o respeirto á diversidade.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Sobre Jean Nascimento, senador suplente de Kaká Werá

" Não tenho formação acadêmica, sou formado pela vida onde a vida me levou a ser um palestrante em varias faculdades com as pautas de Igualdade e Diversidade. Fui o primeiro Presidente mais novo na historia da Irmandade Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de SP. Onde deste de sua fundação nunca tinha entrado com seus membros na Câmara Municipal de São Paulo, Assembléia Legislativa de São Paulo, onde fui homenageado pelos trabalhos desenvolvidos na instituição com os moradores de rua, Igualdade e inclusão social com Diplomas  Placas Salva de Prata e etc.
Nasci dentro da igreja da irmandade Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Paulo em pleno centro de São Paulo.
Com  passar dos anos, a Irmandade se firmou como  um grande centro de preservação da historia e da riqueza cultural do povo negro.
A Irmandade desenvolve um trabalho de preservação da cultura negra. Afinal, foi neste espaço que nasceram os mais importantes eventos dedicados a comunidade negra. Entre elas Miss Bonequinha do Café, Clube Aristocrata, Bailes, Alem do importante movimento político, onde venho seguindo os meus mentores Adalberto Camargo primeiro deputado Estadual, A primeira Vereadora e Deputada Teodosina Ribeiro.
Uma historia que passa de geração para geração
Construída no período colonial, época em que havia serias restrições para os negros que quisessem frequentar as igrejas dos (Senhores Brancos), a Igreja  da  Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos foi fundada em janeiro de 1711, com a união de negros escravos e alforriados, alem de abolicionistas."

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Para que não falte água

Kaká Werá é contra o aborto

As diversas vertentes políticas atuais, sejam de esquerda ou de direita, não possuem condições para o julgamento da questão do aborto. Isto se deve pelo fato de que este tema é de cunho espiritual, profundo e complexo. Do ponto de vista das sagradas religiões, o ser é espírito e não matéria; portanto, no processo de gestação está em curso a preparação de uma vida que, se interceptada, comete-se um gravíssimo erro, pois, mesmo não havendo ainda um corpo físico, há uma presença viva em atividade de formação. 
As opiniões dos cidadãos medianos, sem compreensão das coisas do espírito, não contribuem para um julgamento a respeito deste tema. Na verdade só confundem ainda mais. Nem o mais eminente cientista ou o mais sábio jurista possuem condições de atestar a legalidade deste gesto. No entanto, os espiritualistas e as sagradas filosofias religiosas reconhecem a presença da vida que antecede a forma material e que deve ser natural e cuidadosamente amparada em todo o momento de sua gestação.
Portanto, a questão que podemos discutir deste tema é a violência contra o corpo feminino quando passa por essa terrível experiência e as condições precárias e insalubres que muitas mulheres, ás escondidas, vivem em decorrência desta escolha. 
Quando me propus a participar da reflexão deste tema no Partido Verde, fui favorável a abrir um debate para caminharmos na direção de haver políticas públicas e campanhas que pudessem atentar, orientar e encaminhar soluções para este tipo de violência, provocada por diversos enredos, alguns resultados da ignorância humana, outros por inconsequentes agressividades.
Na verdade, o meu objetivo principal é dar um fim para o sofrimento da mulher que passa por uma situação vexatória, onde é agredida fisicamente, socialmente e psicologicamente; porque infelizmente nós não evoluímos ainda o suficiente em termos espirituais, por enquanto, a ponto de eliminarmos este problema de modo mais consciente. Desejo que o Grande Espírito nos ilumine e nos de sabedoria para conseguirmos transcender este tipo de situação o mais rápido possível. 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

INDIO E SUSTENTABILIDADE

Estamos em uma época em que os modelos que dinamizaram e edificaram a sociedade humana tem que ser revistos para que possa continuar existindo sociedade humana. Para termos uma ideia, segundo pesquisadores e especialistas de recursos naturais e biodiversidade, para seguir-se o atual modelo de desenvolvimento necessitaríamos o equivalente a três planetas Terra para continuar havendo possibilidade de expansão econômica nestes critérios.
De modo que hoje não dá para falar em economia sem reconhecer seu impacto direto na ecologia e sem considerar a desestrutura social que seu modo de operar tradicional impõe no sistema de vida em suas mais diversas culturas e modos de expressão. Isso tem levado á sociedade á repensar sua visão e sua prática em relação á questão da sustentabilidade.
Quando se diz a palavra sustentabilidade dentro de um ambiente empresarial, imediatamente se associa a geração de lucro, pois esta é a natureza de toda empresa que quer manter-se e expandir. Mas quando se diz a palavra sustentabilidade ampliando-a para a dimensão humana e a rede interdependente de vidas que habitam o planeta, é necessário pensar na manutenção do equilíbrio do lugar onde ele habita; no modo como maneja, transforma, cria e utiliza os recursos que se tornarão produtos; e no modo como o Homem se relaciona consigo mesmo e com o mundo.  
Isto porque a dimensão humana não está fora do ambiente empresarial e o desafio deste momento é conciliar este dois aspectos: o empreendedor, que é um ser humano, e o empreendimento, que tem como um de seus princípios básicos a geração de riqueza.
A empresa visa lucro através da venda de produtos e para isso é necessário haver consumo, esta é a lógica natural do empreendimento.  Os recursos primários que eventualmente tornam-se produtos frutificam do ambiente em que vivemos, este é o elo entre natureza e empreendimento.  No entanto, a natureza, além disso; também é a nossa casa, a nossa provisão, a nossa prosperidade. Mais do que isso: é a casa dos animais, do reino vegetal, do reino mineral e inúmeros e incontáveis seres diversos.
Atualmente uma parcela da humanidade se dá conta que essa “casa” é viva e dinâmica; e seus recursos obedecem a ritmos diversos para tornarem-se possíveis de serem extraídos e utilizados. Por isso, embora seja uma redundancia, vamos aqui falar de uma ecossustentabilidade, para diferenciar desta idéia de sustentabilidade exclusivamente capitalista.
Exatamente neste ponto há um descompasso gravíssimo entre o ritmo da natureza em produzir recursos e a voracidade da humanidade em consumi-los. Além disso, existem determinados recursos que são finitos, outros se modificam com o passar do tempo, e outros que uma vez extraídos levam longuíssimos séculos para serem gestados e manifestados na superfície ou subsolo terrestre.
Há uma relação histórica, social e psicológica entre determinados tipos de pessoas e o modo como os recursos naturais foram descobertos, obtidos e explorados ao longo da trajetória humana que pode nos ajudar a entender o dilema da sustentabilidade. Os modelos e referências de obtenção de matéria prima para que esta se transforme em produto que se cristalizaram na sociedade contemporânea foram decorrentes deste tipo de relação, que consiste no seguinte: o modo como recursos naturais são utilizados, nascem de uma mentalidade de exploração até a exaustão.  Além disso, tem sua origem em culturas predominantes europeias que enfrentavam longos períodos de escassez devidos á ecossistemas de rígidos invernos.
Podemos afirmar que a natureza, por si só, se desconsiderarmos a presença do Homem, é sustentável.  Ela se equilibra, se auto-regula, se reconstrói; ela diversifica, inova, vitaliza e regenera seu principal “ativo”, a vida. 
Algumas culturas humanas, no entanto, desenvolveram-se de um modo diferente dos modelos que resultaram a atual civilização. No Brasil ancestral, por exemplo, o modo como povos se relacionaram com os recursos foi diferente. É o caso da tradição tupi-guarani, que através de um tipo de saber relacionado ao domínio da sazonalidade de frutos, caça, pesca e plantio; movia-se por diversos ecossistemas, habitando sempre na linha e no fluxo da abundância de cada lugar. A partir daí, ela desenvolveu o hábito de consumir o necessário para cada momento e de acordo com a disponibilidade do que se produzia a cada época.  Ou seja, o individuo tinha uma relação com o produto de consumo baseado no princípio do que eu chamaria de correta oferta e correta procura.  
Outra questão é o modo como se operava o trabalho. Chamado pelo nome de puxirum, ou mutirum, ou motirom, posteriormente aportuguesado pelo nome mutirão; o trabalho tinha o enfoque no cooperativismo. As atividades cotidianas: construção, roça, pesca, artesania, culinária, caça, festas, ritos e celebrações eram realizadas através de divisão de tarefas a partir de um consenso coletivo e integrativo. O ritmo de trabalho não era ditado pelas horas, mas pelas tarefas realizadas.  Sem exaustão ou estress.
Outro ponto á considerar é justamente o ambiente. O espaço em que a aldeia se instalava. Havia a clara noção de que o espaço deveria ser mantido de modo á não desestabilizá-lo.  Na crença tupi-guarani todo espaço natural é um complexo de vidas que assume um tipo de consciência própria, chamado de “tekoá”, e saber lidar com esta sagrada consciência era sinônimo de abundância, saúde e harmonia.
Por fim, na filosofia ancestral, havia o reconhecimento de que a vida é interdependente, ou seja, cada ato de um indivíduo tem consequências no coletivo humano, nos reinos da natureza e nas gerações futuras.  
O desafio do inicio do século XXI, justamente para haver século XXI é reconsiderar sua idéia de riqueza, em uma equação que equilibre os diversos aspectos do capital, do social e do ambiental, levando em conta que o desenvolvimento da civilização deve partir de um envolvimento sustentável.

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BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...