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Mostrando postagens de Agosto, 2014

Um senador índio

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Como uma invasão ao Congresso, um ativismo ambiental e um batismo de penas de gavião contribuíram para que Kaká Werá aceitasse ser candidato ao Senado Federal. Ele será o primeiro índio a disputar uma vaga, por São PauloVINÍCIUS GORCZESKI
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NA SELVA Kaká Werá no Instituto Arapoty, em Itapecerica da Serra. Em meio à mata, ele ensina a cultura indígena aos jovens (Foto: Rogério Cassimiro / ÉPOCA)

SÃO PAULO TEM UM INDIO PARA O SENADO

Entrevista com Kaká Werá, candidato ao senado pelo Partido Verde

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1.Desde jovem o Sr participa de lutas pelas causas indígenas quando na década de 80 os índios guarani passavam por um processo de luta por demarcação de terras e o sr deu início á busca por apoio e sensibilização da opinião pública para fortalecer a comunidade. Foi nesse momento que sentiu que poderia contribuir com seu povo, participando ativamente no meio político?

Sim. No início da década de oitenta conheci e fui acolhido pelos guaranis de São Paulo, na região de Parelheiros, no extremo sul da cidade, que naquela época era chamada de aldeia da Barragem e hoje leva o nome de Tenondé Porã. Naquele momento, um querido e sábio pajé, Alcebíades Werá e o cacique Guirá Pepó tinham o desejo de regularizar as terras em que habitavam e fiz parte de um grupo que apoiou este objetivo. Mas a idéia que me encantou foi a proposta de Karai Mirim, uma relevante liderança e professor de história, que sonhava em ver na comunidade uma escola que contemplasse o fortalecimento da cultura local e que prop…

UM SENADOR ÍNDIO

Kaká Werá no senado

Um pouco de minha história

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Um dos meus principais trabalhos se relaciona diretamente com a natureza. A mais de duas décadas conduzo grupos de pessoas para as matas, através de trilhas e clareiras, em roteiros com o propósito de sensibilização, contemplação e de autoconhecimento. Sempre integrando á paisagens naturais, uma sabedoria ancestral, que convencionamos chamar de indígena, mas que vem de diversas culturas nativas brasileiras, predominantemente tupy e tapuia. Desde 1994 tenho abordado atividades pelo enfoque em valores humanos e cultura de paz, quando comecei na Fundação Peirópolis de Educação em Valores Humanos e na Unipaz; organizações que atuo até hoje. Estas instituições me propiciaram um aprofundamento em estudos nas tradições indígenas do Brasil e me deram a oportunidade de difundi-las em cursos, seminários e imersões.   No entanto, além de professor e facilitador de seminários e cursos; desde meados dos anos oitenta, com o povo guarani de São Paulo, destino considerável parte do meu tempo em proj…

Indio e metrópole

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Em São Paulo existe , de acordo com o IBGE no censo de 2010, 37.915 índios em todos o Estado.  São 29 terras indígenas e dessas, apenas 12 demarcadas e homologadas. No entanto, nem todo este contingente habita em aldeias, pois há uma grande população de índios urbanos, que moram nas periferias da metrópole.
Estas pessoas foram empurradas para o estado por diversos motivos, que vão desde ameaças em suas regiões de origem, até a busca de melhores oportunidades para estudar e trabalhar a partir da desagregação de suas culturas originais. Como no caso dos povos oriundos do nordeste e do sudeste brasileiro.
Este fenômeno de migração acontece desde a década de 60, tendo se acirrado nos anos 80 onde também ocorre um processo de organização desta diversidade em busca de reconhecimento de suas identidades, oportunidades de geração de renda, e qualificação através da educação.
Minha família passou por este mesmo processo no início dos anos sessenta, quando migraram do norte de Minas Gerais e v…