quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Dilma e Aécio.Prática e discurso

Tenho acompanhado diversas expressões de tentativas de convencimento de votar em Dilma ou Aécio. A militância petista se inflama de um lado colocando que posturas ideológicas estão em jogo: pobres contra ricos, socialismo contra capitalismo, esquerda contra direita.  Classe operária contra burguesia. A militância tucana coloca a questão da inflação, o aparelhamento corrupto do estado, a gestão medíocre da nação.
No entanto, o que parece é que o grupo de Lula e Dilma fizeram, do ponto de vista ideológico, um governo mais para a social-democracia do que para os valores socialistas, aprendendo inclusive as mazelas do sistema social-democrata abrindo mão de princípios éticos quando também se especializa na prática da corrupção. Que diga-se de passagem não é uma corrupção qualquer, é uma corrupção dilacerante para toda a nação brasileira.
 Tenho dúvida se Lula e seu grupo partilha verdadeiramente de valores socialistas, depois de ouvir o depoimento de Hélio Bicudo no youtube, um dos fundadores do PT, á respeito de quem se tornou o principal ícone do partido, o metalúrgico sindicalista que virou presidente. Segundo Hélio Bicudo, o foco do ex-operário passou a ser o enriquecimento ilícito e a gana de estar no poder pelo poder.
Uma das coisas que me indigna é o fato de que Lula desenterrou um projeto inócuo e megalomaníaco dos militares da época da transamazônica,  naquela época chamado de projeto kararaô; mudou de nome, passando a ser Belo Monte - e promoveu o maior desastre socioambiental da década, á um custo altíssimo para a nação e de retorno econômico improvável.
Além disso, seu governo aprovou um código florestal desestabilizador para os ecossistemas e nos últimos quatro anos tem dado as costas á diversas lideranças indígenas que tem tentado expressar necessidade de urgentemente terem seus territórios culturais homologados, como garante os direitos constitucionais de mais de 25 anos atrás, e não tem conseguido efetivamente nenhum avanço. 
Do outro lado temos Aécio, cujo o passado tem sido explorado á exaustão e revelado toda sua maledicência; um candidato cujo partido tem uma incrível habilidade para varrer  e manter a sua sujeira debaixo do tapete. Um candidato cuja política pública de seu partido humilha os professores em São Paulo, com contratos de trabalho escravizantes e com suas universidades que não dão espaço para os pobres, os índios e os negros. Nas redes sociais são enumerados dezenas de casos de corrupção envolvendo sua sigla e seus desmandos em seus últimos governos. Um candidato que até pouco tempo se comprometeu com os ruralistas que iria também deixar os índios de lado e apoiar a PEC 215, que é aquele projeto que tira o mérito do poder executivo para demarcação de terras e passa para a mão da câmara federal, onde notadamente a maioria é ruralista.
O que vemos nesta eleição é uma sucessão de demonstrações dos lixos que cada um produziu, e nenhum deles é reciclável, ao contrário, é abominável.
Uma das poucas vantagens de Aécio é ter assumido publicamente a adesão á um projeto mais sustentável, quando acolhe o apoio do PSB, de Marina, do PV.  A outra é ter sinalizado um compromisso com os povos indígenas, ao voltar atrás em seu discurso ruralistíco. Mas para essa vantagem ser efetiva ele tem que ir além do discurso. 





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