quinta-feira, 21 de novembro de 2013

INDIOS EM SÃO PAULO

(do Estado de São Paulo)
Assim como migrantes nordestinos, os pancararus começaram a chegar da zona do sertão do São Francisco, em Pernambuco, em meados da década de 1950, em busca de emprego. Eles foram chamados para cortar árvores em loteamentos do bairro do Morumbi, na zona sul, e depois ajudaram nas obras da construção do estádio do São Paulo.
No extremo sul. Índios guaranis na aldeia Tenondê Porã, em Parelheiros - Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE
No extremo sul. Índios guaranis na aldeia Tenondê Porã, em Parelheiros
Instalaram-se nos terrenos vizinhos, descampados que viraram a Favela Real Parque, hoje em processo de urbanização. Estima-se que existam pelo menos mais de 3 mil pancararus na capital, o que os tornaria uma das etnias mais numerosas da cidade. "Depois do incêndio na favela (ocorrido em setembro do ano passado), muitos se dispersaram. Eram mil e hoje são cerca de 200. Estão vivendo de aluguel em outros bairros ou voltaram para a aldeia", diz o pancararu Ubirajara Ângelo de Souza, de 47 anos, que chegou à Real Parque aos 20 anos. Seu pai trabalhou nas obras do estádio do Morumbi.
Na favela ainda existem lideranças espirituais que rezam nas casas dos indígenas locais e usam ervas medicinais para cura. Também há grupos de canto e dança que utilizam trajes tradicionais em festas indígenas na capital. Para se adaptar às transformações na cidade, os pancararus precisaram aprender a conviver nos últimos anos com as lideranças do tráfico local. "É cada um de um lado. Eu os respeito e eles nos respeitam", diz Ubirajara, que assim que vender sua casa deve voltar para a aldeia onde nasceu, em Pernambuco.
A melhoria de renda nos Estados do Norte e do Nordeste, por sinal, pode estar levando muitos indígenas a retornar às suas aldeias. Dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontaram redução entre aqueles que se declaram indígenas na Grande São Paulo e na capital. Há dez anos, 33 mil pessoas diziam ser indígenas na metrópole. Atualmente, são 21 mil.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

O índio está dentro de nós

O índio está fora da política. O índio está fora das novelas. O índios está fora da história. O índio está fora dos livros. O índio está fora dos temas mundiais. O índio está fora do protagonismo social. Quando aparece nos fatos políticos, é como estorvo. Como constrangimento. Quando aparece nas novelas; de décadas em décadas, é como a figuração do figurante que rascunha um estereótipo. Quando aparece na história, fica no meio das paisagens dos pintores seiscentistas. Quando aparece nos livros, é pra registrar que caça, pesca, e nada. Mais nada.
 Nos temas mundiais, ás vezes surge como inspiração de uma possibilidade remota de um sentimento difuso entre nostalgismo e utopismo natural. Nas questões sociais, ele é uma pedra no sapato do assistencialismo nefasto.
O sociólogo e o antropólogo escreveram centenas de páginas de dissertações sobre o tal índio, inclusive no plural. Mas é bom lembrar que não é o intelectual antropólogo e nem o sociólogo que vai empurrar "o índio" para que seja ouvido, percebido em suas dimensões complexas, em seus espaços complexos. Seja aquele do isolado, aquele da floresta, aquele do urbano, aquele do mestiçado, ou aquele da alma que anseia ser expressada. São as próprias diversidades que devem não mais buscar, mas impor e expor as suas multidimensões. E de certa forma, mesmo que superficialmente, isto está acontecendo nas redes sociais.
Os índios de alma, os índios de coração, os índiodescendentes, os mestiços, os caboclos, muito mais que os simpatizantes e os estudiosos, estão se manifestando. Estão se revelando e estão revelando também suas inquietudes, inquietações. Há um movimento difuso no ar. Há um movimento cafuzo no ar. Há uma ordem cabocla no ar, nas redes, nas rodas de discussão.
Essas falas precisam entrar na dimensão política e esgarça-la; repaginar as novelas, rever a história, renovar os livros e revolucionar os temas mundiais. Protagonizar a vida coletiva urbana, como ancestralmente faziam na vida coletiva tribal.


sábado, 2 de novembro de 2013

Sobre a questão das águas

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