segunda-feira, 29 de julho de 2013

Culturas Tradicionais se encontram na Chapada dos Veadeiros

Durante o 13° Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, entre 19 e 27 de julho, na Vila de São Jorge, município de Alto Paraíso de Goiás, cerca de 70 lideranças de comunidades tradicionais do Cerrado trataram das dificuldades que enfrentam para manter preservados seus modos de vida e o ambiente que ocupam.

O Segundo Encontro Regional da Rede Cerrado reuniu povos tradicionais de Goiás e do Distrito Federal. Comunidades - quilombolas, indígenas, pequenos agricultores, extrativistas, geraizeiros (populações tradicionais que vivem no Norte de Minas), ribeirinhos e vazanteiros (que produzem na época das vazantes dos rios).

César Victor, membro da coordenação da Rede Cerrado, explica que a rede envolve entidades da sociedade civil protetoras do Cerrado. São movimentos sociais preocupados com questões sócio-ambientais e que podem trabalhar em integração, lutando para que as políticas públicas visem a exploração sustentável do bioma. A rede foi criada durante a Eco 92, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, ocorrida no Rio de Janeiro em junho de 1992.

O Cerrado é o segundo maior bioma do país, atrás apenas da Amazônia. Abrange uma área que ocupa doze unidades da Federação. São elas: Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rondônia, São Paulo, Tocantins e Distrito Federal.

As lideranças que participaram das reuniões, na Vila de São Jorge, são integrantes das organizações que formam a rede. É o caso do índio Hiparidi, da etnia Xavante, membro da Mobilização dos Povos Indígenas do Cerrado. Ele faz parte da coordenação da Rede Cerrado e veio de Mato Grosso para participar. Para Hiparidi, os principais problemas enfrentados pelos índios que vivem no bioma são a expansão do agronegócio e os grandes empreendimentos, como hidrelétricas e estradas, ao redor das terras indígenas e, até mesmo, dentro delas.

"Com isso, a gente vai perdendo os territórios, vai ocorrendo desmatamento. Aí começa a perder a língua, a cultura, começa a perder os conhecimentos tradicionais. Isso é o maior problema e isso acontece desde a invasão do Brasil até hoje".

Hiparidi também se diz preocupado com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que transfere a função de demarcar territórios indígenas do Poder Executivo para o Congresso Nacional. Hoje, a demarcação de terras é feita pelo Ministério da Justiça, por meio da Fundação Nacional do Índio (Funai). "A demarcação de terras vai se tornar [uma decisão] meramente política, ao invés de técnica", disse.

César Victor, que representa também a Funatura, organização não governamental que luta pela conservação e uso sustentável da biodiversidade, aponta ainda a necessidade de um marco legal específico para o Cerrado. Segundo ele, o marco precisaria reconhecer aspectos importantes que a lei geral não reconhece. Entre eles, a necessidade de se fazer um zoneamento do Cerrado, apontando, por exemplo, áreas ocupadas por comunidades tradicionais e que precisam ser preservadas.

César lembra que, tramita desde 1995 no Congresso Nacional, uma PEC que reconhece o Cerrado e a Caatinga como patrimônios nacionais. Hoje, apenas a Amazônia e a Mata Atlântica estão incluídas na Constituição de 1988. "Seria um instrumento muito forte. Tanto do ponto de vista simbólico, quanto para a definição de políticas públicas pro Cerrado", acredita. Mesmo já aprovada em uma comissão especial da Câmara em 2006, ele não vê chances de levar a proposta para votação em plenário na atual legislatura. "A gente tem que se preparar, os eleitores devem se preocupar em quem estão votando, para eleger candidatos comprometidos com o desenvolvimento sustentável da região."

O Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pela gestão de unidades de conservação federais, também participou das reuniões. Para o diretor do ICMBio, João Arnaldo, a ameaça mais comum para o Cerrado é a substituição da vegetação original por atividades agropecuárias. Ele acredita que o bioma precisa de mais áreas de conservação, até mesmo para garantir o mínimo de 10% de preservação de cada bioma do país, previstos na Convenção da Diversidade Biológica da ONU, da qual o Brasil é signatário.

Para ele, é preciso trabalhar junto com a sociedade para definir regiões prioritárias a serem preservadas. Desafio de todas as esferas de governo, já que as unidades de preservação podem ser municipais, estaduais ou federais. Um dos critérios é o conceito de área insubstituível, fragmentos do bioma que só existem em um determinado local.  Além disso, as áreas ocupadas por comunidades tradicionais, com seus saberes, com sua convivência sustentável com a natureza, merecem ser protegidas. "Para garantir o sustento desses povos e a consolidação dos serviços ecossistêmicos que eles prestam ao povo brasileiro," esclarece Arnaldo.

Ainda para o diretor do instituto, é um equívoco permitir qualquer relação de conflito de estratégias entre a criação de unidades de conservação e a produção agrícola. "Porque não dá para ter uma parte da sociedade construindo a estratégia de conservação e outra parte da sociedade disputando essa mesma área para outras finalidades. Então, ter isso como uma meta comum para o povo brasileiro é o que vai garantir, inclusive, que daqui a alguns anos, nós possamos ter o orgulho de dizer que somos o celeiro do planeta, produzindo grãos e oferecendo alimentos para todo mundo, sem ameaçar nossa biodiversidade. Esse talvez seja o grande selo verde que nós podemos oferecer para nossa agricultura", defende.

Durante o Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros,  quilombolas e índios participaram de oficinas sobre a Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), promovidas pela Secretaria-Geral da Presidência da República. A convenção determina a consulta prévia, às comunidades tradicionais, sobre empreendimentos que possam afetar as terras onde vivem. O xavante Hiparidi acha importante que as lideranças indígenas conheçam a convenção para exigir seu cumprimento pelo governo brasileiro e levar casos de abusos a cortes internacionais.

Ao todo, a Rede Cerrado vai promover cinco encontros regionais. O primeiro foi no município da Chapada Gaúcha, no norte de Minas Gerais, e contou com a participação dos povos do Grande Sertão Veredas. Os próximos encontros ocorrerão nos municípios de Tocantínea (TO), Campo Grande (MS) e Augustinópolis (TO). Esse último vai tratar exclusivamente das demandas dos povos indígenas. As propostas apresentadas nessas reuniões serão encaminhadas ao Encontro Nacional  da Rede Cerrado, que ocorre em abril do ano que vem.

Pele Vermelha

Washington Post publicou recentemente uma série de colunas debatendo a necessidade de mudança do nome da equipe local da Liga Nacional de Futebol Americano, o Washington Redskins, a fim de evitar tons racistas. “Redskins” (“pele vermelha”, na tradução livre) seria um desrespeito aos índios nativos americanos.
No dia 28 de janeiro, o Post decidiu não publicar uma pequena matéria sobre o time de natação feminino de uma escola em Bethesda. O motivo foi uma foto que mostrava as garotas com caras pintadas e penas – semelhante a trajes de guerras de índios. “Não quisemos ofender ninguém, caso alguém se sentisse ofendido, e não quisemos que as meninas recebessem algo que não mereciam”, explicou o editor de esportes, Matthew Rennie.
Em sua coluna [10/2/13], o ombudsman indaga se teria havido um “ataque repentino do politicamente correto” no jornal. Ele acredita que não. Matérias sobre escolas são atentamente acompanhadas por editores porque envolvem menores, que não devem estar no mesmo nível de avaliação que os atletas profissionais. Já as colunas sobre o nome do time de futebol americano foram publicadas pois o tema ganhou destaque na mídia, como explicaram os colunistas Courtland Milloy e Robert McCartney.
O Museu Nacional do Índio Americano realizou seu primeiro simpósio sobre nomes de times na semana passada, com Mike Wise, colunista de esportes do Post, como palestrante. Uma ação legal aberta contra o nome do Redskins terá sua audiência inicial em março. E até o prefeito de Washington, Vincent Gray, defendeu recentemente que haja um debate sobre o nome do time.
Patrick Pexton conversou com índios sobre os episódios e concluiu que eles se sentem ofendidos com o uso de penas e a pintura no rosto. Para eles, é como se estivessem se apropriando de suas tradições religiosas e culturais. Cada tribo tem um significado para as cores e penas usadas em rituais. É como se civis saíssem pelas ruas usando uniformes militares, o que é proibido por lei. Os índios também consideram o nome Redskins racista porque ele remete à colonização europeia. Pexton acredita que nem a equipe de futebol nem a de natação tenham tido a intenção de ofender, mas sim de honrar o espírito guerreiro indígena. No entanto, diz ele, é preciso respeitar o que pensam os índios.

domingo, 28 de julho de 2013

A natureza é expressão divina

Entre todas as culturas, principalmente as que cultivam valores ancestrais, a natureza é vista como a expressão divina, como a mensageira do Sagrado Mistério. No Brasil, somente no século XVI, com a chegada dos estrangeiros, é que ela tornou-se um objeto de exploração indiscriminada. E o resultado disso estamos colhendo nesta época através de inúmeros problemas sociais, economicos e ambientais. Já passou da hora de mudarmos o paradigma dessa relação com a natureza.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Paradigmas de liderança e sustentabilidade

Estamos em uma época em que os modelos que dinamizaram e edificaram a sociedade humana tem que ser revistos para que possa continuar existindo sociedade humana. Para termos uma ideia, segundo pesquisadores e especialistas de recursos naturais e biodiversidade, para seguir-se o atual modelo de desenvolvimento necessitaríamos o equivalente a três planetas Terra para continuar havendo possibilidade de expansão econômica nestes critérios.
De modo que hoje não dá para falar em economia sem reconhecer seu impacto direto na ecologia e sem considerar a desestrutura social que seu modo de operar tradicional impõe no sistema de vida em suas mais diversas culturas e modos de expressão. Isso tem levado á sociedade á repensar sua visão e sua prática em relação á questão da sustentabilidade.
Quando se diz a palavra sustentabilidade dentro de um ambiente empresarial, imediatamente se associa a geração de lucro, pois esta é a natureza de toda empresa que quer manter-se e expandir. Mas quando se diz a palavra sustentabilidade ampliando-a para a dimensão humana e a rede interdependente de vidas que habitam o planeta, é necessário pensar na manutenção do equilíbrio do lugar onde ele habita; no modo como maneja, transforma, cria e utiliza os recursos que se tornarão produtos; e no modo como o Homem se relaciona consigo mesmo e com o mundo.  
Isto porque a dimensão humana não está fora do ambiente empresarial e o desafio deste momento é conciliar este dois aspectos: o empreendedor, que é um ser humano, e o empreendimento, que tem como um de seus princípios básicos a geração de riqueza.
A empresa visa lucro através da venda de produtos e para isso é necessário haver consumo, esta é a lógica natural do empreendimento.  Os recursos primários que eventualmente tornam-se produtos frutificam do ambiente em que vivemos, este é o elo entre natureza e empreendimento.  No entanto, a natureza, além disso; também é a nossa casa, a nossa provisão, a nossa prosperidade. Mais do que isso: é a casa dos animais, do reino vegetal, do reino mineral e inúmeros e incontáveis seres diversos.
Atualmente uma parcela da humanidade se dá conta que essa “casa” é viva e dinâmica; e seus recursos obedecem a ritmos diversos para tornarem-se possíveis de serem extraídos e utilizados. Por isso, embora seja uma redundancia, vamos aqui falar de uma ecossustentabilidade, para diferenciar desta idéia de sustentabilidade exclusivamente capitalista.
Exatamente neste ponto há um descompasso gravíssimo entre o ritmo da natureza em produzir recursos e a voracidade da humanidade em consumi-los. Além disso, existem determinados recursos que são finitos, outros se modificam com o passar do tempo, e outros que uma vez extraídos levam longuíssimos séculos para serem gestados e manifestados na superfície ou subsolo terrestre.
Há uma relação histórica, social e psicológica entre determinados tipos de pessoas e o modo como os recursos naturais foram descobertos, obtidos e explorados ao longo da trajetória humana que pode nos ajudar a entender o dilema da sustentabilidade. Os modelos e referências de obtenção de matéria prima para que esta se transforme em produto que se cristalizaram na sociedade contemporânea foram decorrentes deste tipo de relação, que consiste no seguinte: o modo como recursos naturais são utilizados, nascem de uma mentalidade de exploração até a exaustão.  Além disso, tem sua origem em culturas predominantes europeias que enfrentavam longos períodos de escassez devidos á ecossistemas de rígidos invernos.
Podemos afirmar que a natureza, por si só, se desconsiderarmos a presença do Homem, é ecossustentável.  Ela se equilibra, se auto-regula, se reconstrói; ela diversifica, inova, vitaliza e regenera seu principal “ativo”, a vida.
Algumas culturas humanas, no entanto, desenvolveram-se de um modo diferente dos modelos que resultaram a atual civilização. No Brasil ancestral, por exemplo, o modo como povos se relacionaram com os recursos foi diferente. É o caso da tradição tupi-guarani, que através de um tipo de saber relacionado ao domínio da sazonalidade de frutos, caça, pesca e plantio; movia-se por diversos ecossistemas, habitando sempre na linha e no fluxo da abundância de cada lugar. A partir daí, ela desenvolveu o hábito de consumir o necessário para cada momento e de acordo com a disponibilidade do que se produzia a cada época.  Ou seja, o individuo tinha uma relação com o produto de consumo baseado no princípio do que eu chamaria de correta oferta e correta procura.  
Outra questão é o modo como se operava o trabalho. Chamado pelo nome de puxirum, ou mutirum, ou motirom, posteriormente aportuguesado pelo nome mutirão; o trabalho tinha o enfoque no cooperativismo. As atividades cotidianas: construção, roça, pesca, artesania, culinária, caça, festas, ritos e celebrações eram realizadas através de divisão de tarefas a partir de um consenso coletivo e integrativo. O ritmo de trabalho não era ditado pelas horas, mas pelas tarefas realizadas.  Sem exaustão ou estress.
Outro ponto á considerar é justamente o ambiente. O espaço em que a aldeia se instalava. Havia a clara noção de que o espaço deveria ser mantido de modo á não desestabilizá-lo.  Na crença tupi-guarani todo espaço natural é um complexo de vidas que assume um tipo de consciência própria, chamado de “tekoá”, e saber lidar com esta sagrada consciência era sinônimo de abundância, saúde e harmonia.
Por fim, na filosofia ancestral, havia o reconhecimento de que a vida é interdependente, ou seja, cada ato de um indivíduo tem consequências no coletivo humano, nos reinos da natureza e nas gerações futuras.  
O desafio do inicio do século XXI, justamente para haver século XXI é reconsiderar sua idéia de riqueza, em uma equação que equilibre os diversos aspectos do capital, do social e do ambiental, levando em conta que o desenvolvimento da civilização deve partir de um envolvimento sustentável.




Manifestação indígena se dá pela arte

Desde a década de oitenta, os índios buscam diálogo com a sociedade através da arte e da cultura.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Indios ainda não são reconhecidos pelas contribuições ao país

O grande desafio em pleno século 21 em relação aos povos indínas no Brasil é o reconhecimento de suas contribuições na formação da nação brasileira, através de seus saberes diversos; na medicina tradicional, na arte, no modo de vida, na filosofia e no desenvolvimento de tecnologias sociais.
Durante os últimos 513 anos as populações indígenas passaram por experiências terríveis na relação com a colonização que surgiu de um modo abrupto e violento para com as raízes culturais do Brasil. somente no inicío do século 20 é que a relação de destruição das culturas foram lentamente sendo adandonadas e transformadas em relações mais assisntecialistas, no entnto sem o reconhecimento da alteridade. Ainda nas décadas de 60 e 70 os índios também sofreram a opressão do período militar, sendo tratados novamente como escravos e como estorvo.
Após a constituinte de 1988 muitas organizações indígenas surgiram; os descendente indígenas se expressara, com mais veemencia e hoje buscam lutas por questões sociais que vão além da demarcação das terra; mas tambem cidadania e direitos de aperfeiçoar o conhecimento e de manter valores preciosos de sus visões de mundo.

Postagem em destaque

BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...