quarta-feira, 29 de maio de 2013

ÍNDIOS EM BELO MONTE NÃO SÃO OUVIDOS PELO GOVERNO



O principal objetivo dos índios é a suspensão de todos os empreendimentos hidrelétricos na Amazônia até que o processo de consulta prévia aos povos tradicionais seja regulamentado (Elza Fiúza/ABr)
Brasília  Em uma carta divulgada no site do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e atribuída à lideranças indígenas munduruku, xipaya, kayapó, arara e tupinambá, o grupo que desde a madrugada de ontem (27) ocupa um dos canteiros de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, diz estar cansado de “esperar e chamar” representantes do governo federal para negociar.
“O governo disse que se nós saíssemos do canteiro, nós seríamos ouvidos. Nós saímos pacificamente e evitamos que vocês passassem muita vergonha nos tirando à força daqui. Mesmo assim, nós não fomos atendidos. O governo não nos recebeu”, declaram os autores do texto, se referindo à ocupação do canteiro Sítio Belo Monte, no início do mês.
“Queremos a suspensão dos estudos e da construção das barragens que inundam os nossos territórios, que cortam a floresta no meio, que matam os peixes e espantam os animais, que abrem o rio e a terra para a mineração devoradora. Que trazem mais empresas, mais madeireiros, mais conflitos, mais prostituição, mais drogas, mais doenças, mais violência”, menciona o documento. “Exigimos sermos consultados previamente sobre essas construções, porque é um direito nosso garantido pela Constituição e por tratados internacionais. Isso não foi feito aqui em Belo Monte, não foi feito em Teles Pires e não está sendo feito no Tapajós”.
O principal objetivo dos índios é a suspensão de todos os empreendimentos hidrelétricos na Amazônia até que o processo de consulta prévia aos povos tradicionais, previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), seja regulamentado.
Divulgada antes do anúncio da Justiça Federal, que, esta tarde, concedeu um prazo de 24 horas para que a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a União providenciem a saída pacífica e voluntária do grupo de índios do canteiro de obras, o texto cobra que o governo federal não envie a Força Nacional para “negociar”.
“Queremos que a [presidenta] Dilma [Rousseff] venha falar conosco […] Ocupamos de novo o seu canteiro. Quantas vezes será preciso fazermos isso até que a sua própria lei seja cumprida?”, questionam os autores do texto. Desde ontem a Agência Brasil tenta, sem sucesso, contactar, por telefone, lideranças mundurukus que, segundo informações de representantes da etnia, estão no canteiro, com o grupo de manifestantes.
Edição: Fábio Massalli

Autoconhecimento e Ancestralidade

A tradição tupy do ponto de vista arqueológico e antropológico tem sua presença no Brasil á aproximadamente 12.000 anos. Além disso, geneticamente, marca o nascimento do país no século XVI devido ao início da miscigenação conflituosa que passou a ocorrer nesta época com a chegada dos europeus, notadamente: portugueses, franceses, holandeses e também espanhóis.
Entre as grandes contribuições desta tradição, devemos destacar a cosmovisão e filosofia do ser. Estas são realmente profundas e grandiosas.
A visão tupy do universo e da terra se assemelha á das grandes culturas milenares como o hinduísmo e ao mesmo tempo não se distancia da ciência. Nesta visão, o Universo é um desdobramento de Tupã, expressão que significa "clarão que expande e vibra como um trovão". E sua filosofia afirma que o ser humano é em essência uma "vibração vivificada", que possui o dom criador e a luz emanadora da vida.
Esta tradição é uma escola de autoconhecimento das mais antigas da Terra, vale a pena pesquisar mais.Por isto os convido para realizar esta pesquisa comigo, na Unipaz. Para quem se interessa por saberes ancestrais, vale a pena.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Comissão da Verdade revela atrocidades contra índios


Alex Rodrigues
Repórter Agência Brasil
Brasília – Membro da Comissão Nacional da Verdade responsável por coordenar a apuração das denúncias sobre violações aos direitos indígenas entre 1946 e 1988, a psicanalista Maria Rita Kehl informou hoje (22), que a comissão vai analisar todas as denúncias e fatos narrados no chamado Relatório Figueiredo, extenso documento produzido em 1968 e encontrado há poucos dias após mais de 40 anos dado como perdido.
Embora ainda não tenha se debruçado sobre o documento localizado pelo pesquisador e vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, Marcelo Zelic, a psicanalista disse estar convencida de que o relatório de pelo menos 5 mil páginas contém “muitos e importantes relatos de violações”, o que vai exigir uma avaliação cuidadosa para evitar equívocos ou conclusões precipitadas.
“É um documento complexo que vai nos dar muito trabalho. Já estamos prevenidos de que vamos ter que analisá-lo com muito cuidado e discernimento. Ao mesmo tempo em que relata muitas violações aos direitos dos povos indígenas, por se tratar de um relatório elaborado em plena ditadura militar, também traz algumas acusações que vão exigir que procuremos outros subsídios para avaliar [as denúncias] sem nos precipitarmos”, disse a psicanalista.
Produzido entre os anos de 1967 e 1968, quando o então procurador Jader de Figueiredo Correia percorreu o país a convite do extinto Ministério do Interior para apurar denúncias de crimes cometidos contra a população indígena, o documento era dado como perdido em um incêndio no ministério há mais de 40 anos e foi recentemente encontrado no Museu do Índio, no Rio de Janeiro, por Zelic.
De acordo com o pesquisador, o relatório foi entregue pela Fundação Nacional do Índio (Funai) ao Museu do Índio em 2008. Distribuído em várias caixas e misturado com outros documentos, não estava catalogado, de forma que, durante décadas, os servidores dos dois órgãos indigenistas não se deram conta de que o que parecia um processo qualquer, era, nas palavras de Zelic,  talvez o “mais importante documento produzido pelo Estado brasileiro a respeito das violações aos direitos indígenas, como a apropriação de suas terras e de seus recursos”.
“É um documento que pode ajudar muito a sensibilizar a sociedade para a situação que os índios ainda hoje vivem no Brasil”, disse Zelic à Agência Brasil. De acordo com o pesquisador, o resgate do Relatório Figueiredopode ser creditado como um dos avanços possibilitados pela criação da Comissão Nacional da Verdade, criada em maio de 2012, por meio da Lei 12.528 para apurar graves violações de direitos humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988.
Durante o trabalho de apuração, o grupo coordenado por Figueiredo Correia apurou denúncias como o extermínio de tribos indígenas inteiras, torturas, expulsões e diversos tipos de violência, muitas vezes praticada por servidores do extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão indigenista federal que antecedeu a Funai (criada em 1967) e sobre o qual pesavam suspeitas tão graves que o ex-ministro do Interior, Albuquerque Lima, admitiu, durante depoimento no Congresso Nacional, em 1977, ser impossível manter o órgão “por culpa de algumas dezenas de servidores menos responsáveis”.
Nove anos antes da declaração do ministro e em consequência das informações reveladas pelo trabalho de Figueiredo Correia, o Ministério do Interior recomendou a demissão de 33 pessoas; a suspensão de 17; a cassação da aposentadoria de um agente de proteção aos índios e de dois inspetores e apontou ainda o envolvimento de outras pessoas em práticas ilícitas ou prejudiciais aos índios, mas cuja punição não era de competência do Poder Executivo. Posteriormente, muitos funcionários públicos punidos foram inocentados na Justiça e retornaram ao trabalho.
Filho do ex-procurador, o advogado Jader de Figueiredo Correia Junior comemorou o fato de o relatório produzido por seu pai em meio “a constantes ameaças de morte, alguns atentados” e o peso de ter que pôr a própria família sob proteção policial ter sido localizado.
“É uma notícia fantástica. Não apenas para a família, que vimos o quanto meu pai sofreu para tentar chegar a uma verdade a que, infelizmente, o país não tinha acesso, mas principalmente porque o documento é importantíssimo para o país. A partir dele, parte de história poderá ser reescrita e o Brasil e o mundo poderão enfim ter a exata noção dos crimes cometidos contras os índios durante determinado período”, disse o advogado, acrescentando que, até o pai morrer, quando ele tinha 14 anos, o tema da violência contra os índios era recorrente.
“Muitas pessoas próximas ao meu pai que conheciam o teor do documento, as coisas que ele tinha visto durante suas viagens, a importância e a gravidade dos fatos por ele narrados, não entendiam como o documento podia ter desaparecido. Quer dizer, entendiam. Era algo conveniente para muitas pessoas”, disse o advogado, que ainda hoje lembra de alguns relatos do pai. “Meu pai contava ter chegado a aldeias e encontrado toda a comunidade morta por envenenamento, pelo contato [com os não índios] ou por outros meios. Lembro de ele contar que em uma aldeia o grupo encontrou uma índia amarrada a duas árvores pelos pés, de cabeça para baixo e cortada a facão”.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Lutas dos índios é para o bem de toda a humanidade

Quando os índios lutam por demarcação e homologação de suas terras, é um bem para toda a humanidade, pois uma das características culturais dos povos ancestrais é a arte de cuidar da natureza, de tratá-la não como especulação e nem em proveito próprio, mas como uma extensão da fonte da vida. ÍNdio não explora a natureza, maneja. Índio não destrói a natureza, transforma. Índio não aniquila a fauna, convive com ela.
A diversidade de etnias e a diversidade de biomas caminham juntas, uma não extermina a outra. É claro que existem problemas sociais entre comunidades. É claro que asociedade indígena também não é perfeita, pois estamos todos em uma jornada de aprendizado e aperfeiçoamento mútuo. É claro que as pessoas, na verdade, são todas aprendizes da vida.
Nas culturas ancestrais estão presentes a memória de práticas sustentáveis que podem inspirar a moderna civilização para um modelo de vida mais adequado ao presente e ás novas gerações. 
Por isso peço para observarmos melhor as questões que aparentemente são dos índios, pois não são isoladas do conjunto da sociedade.
Somos uma trama sagrada de relações!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Índios invadem Belo Monte


Os índios que mantêm invadido o principal canteiro de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no sudoeste do Pará, anunciaram no início da tarde de hoje que irão continuar a manifestação. O canteiro Belo Monte, que tem 5.000 operários, está com as atividades paradas há cinco dias em razão do protesto. Os trabalhos continuam nos outros canteiros.
O índio Cândido Mundurucu afirmou que a obra vai ficar parada até que o governo federal envie o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) para dialogar com as lideranças, em Vitória do Xingu (945 km de Belém). "A gente não vai sair da obra. Queremos falar com alguém que tome decisões, o Gilberto Carvalho", afirmou.
A manifestação, segundo os organizadores, reúne cerca de 180 índios de oito etnias. Eles reivindicam que o governo federal regulamente o mecanismo de consulta prévia sobre obras que interfiram em terras indígenas, que paralise obras e estudos de hidrelétricas nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires, e suspenda o envio de tropas da Força Nacional de Segurança às comunidades.
Pela manhã havia expectativa de saída pacífica dos índios, depois que o juiz federal Sérgio Guedes, de Altamira, negou pedido de reintegração de posse feito pelas empresas responsáveis pela obra, a Norte Energia e o CCBM (Consórcio Construtor de Belo Monte).
Apontando risco de conflito entre índios e militares, o juiz determinou que a Funai (Fundação Nacional do Índio) inicie um processo pacífico da retirada dos índios na obra. A Funai não havia se manifestado sobre a decisão do juiz até a publicação desta reportagem.
Homens da Polícia Militar e da Força Nacional de Segurança estão nas imediações do canteiro. Representantes do movimento Xingu Vivo, da Igreja Católica e da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos apoiam o protesto dos índios no local.
Segundo o CCBM, dos 5.000 operários parados no canteiro, 4.000 continuam alojados dentro da obra. O consórcio não informou qual é o eventual prejuízo causado pela interrupção da obra e disse que mantém o controle das portarias do canteiro. O deputado federal padre Tom (PT-RO), que visitou o protesto ontem e preside a Frente Parlamentar dos Povos Indígenas da Câmara, apontou ausência do governo federal na região de Belo Monte.
"Constatei uma falta de diálogo e uma falta de representação do governo aqui. O que existe são funcionários da empresa e a presença ostensiva da Força Nacional de Segurança. Até para conseguir entrar sozinho no canteiro foi uma luta", afirmou.
Na sexta-feira (3), a Justiça do Pará determinou, a pedido das empresas, a saída de não índios que acompanhavam o protesto no canteiro. Dois jornalistas - um brasileiro e um francês - e um ativista deixaram o local acompanhados por um oficial de Justiça.
A Norte Energia afirmou que os índios que protestam na obra não têm pauta de reivindicação relacionada à empresa. Por isso, afirma, ingressou com nova ação na Justiça Federal de Altamira solicitando a desocupação do canteiro. A empresa disse que tem atuado para manter a segurança no local e que representantes do governo federal estão na região.
(Diário do Grande ABC)

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BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...