quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Maracanã e Cabral

O Cabral quer encobrir o Brasil. o governador do Rio de Janeiro acha ridículo preservar a memória das raízes que fundaram o país, logo ali, perto do estádio que vai ser o palco mundial do futebol em 2014. Para o governador Sérgio Cabral, é melhor destruir a memória e fazer um estacionamento. Quando observamos os países anteriores que sediaram copas do mundo, da Europa, passando pela Ásia e até a África; foi comum presenciar a valorização da diversidade da cultura local, principalmente aquelas que originam suas respectivas nações. Mas sabemos que infelizmente a cultura indígena não é respeitada pelos homens de poder. É tido como um estorvo. Se fosse um prédio dedicado aos ingleses ou holandeses, é claro que eles iriam fazer ali um mega museu. Mas, afinal de contas, são somente índios.
E Cabral não gosta de índios.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Raoni e Megaron


Raoni Metuktire (à esq.) e Megaron Txucarramae. Os dois líderes indígenas respondem às perguntas dos leitores de ÉPOCA (Foto: Reprodução/CI e Lindomar Cruz/ABr))     Muita gente diz que luta e defende a causa indígena. Muita gente diz que luta contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Mas com certeza mesmo podemos citar duas pessoas que estão profundamente enraizados nestas questões: são o cacique Raoni, kaiapó, e o chefe Megaron, do povo txukarramãe. São líderes genuínos, nasceram e cresceram no Xingú. Aprenderam a falar português com os irmãos Villas Boas, que os viu crescer.Mas quando Raoni anda pelo mundo, chama mais a atenção pelo seu exotismo. Pelo seu grande botoque no lábio inferior. Na verdade são dois guerreiros sábios, que ás duras custas conheceram a realidade da sociedade não indígena e o longo jogo de exploração das riquezas minerais e botânicas da Terra. Eles merecem o nosso profundo respeito, pois á mais de quarenta anos lutam pela dignidade e pelo equilíbrio da floresta e da diversidade cultural de toda a região amazônica.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Roberto Crema e a cátedra tupy

Roberto Crema introduziu na Unipaz a cátedra tupy. Seu objetivo foi elevar a tradição sagrada ancestral brasileira, cuja representação mais expressiva se encontra na tradição tupy, á condição de uma filosofia maior, com claro ênfase no desenvolvimento do ser.
A idéia veio desde 1997 quando Kaká Werá e Pierre Weill se encontraram em um congresso de naturologia em Florianópolis, por ocasiao da criação do curso de naturologia da Unisul, Universidade da região. Naquela ocasião Pierre conheceu através e Kaká Werá os princípios nortedores da cosmovisão tupy através da palestra de Kaká Werá, e anos depois Roberto Crema, com a referência da coordenadora da Unipaz do Rio de Janeiro, Maria da Glória, passa a propor o reconhecimento mais profundo deste saber ancestral.
A filosofia tupy é ao mesmo tempo primeva e contemporânea  pois já tem em seu bojo por exemplo, contribuições que conduzem á clara ideia e prática de sustentabilidade ecológica, econômica e social. Além disso seus princípios direcionam o ser humano para o aprimoramento interior, investindo em graus de relacionamentos de integração com todos os reinos da existência e com os diversos ecosssitemas.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

população indígena cresce


Os índios no Brasil somam 896,9 mil pessoas, de 305 etnias, que falam 274 línguas indígenas, segundo dados do Censo 2010 divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a primeira vez que o órgão coleta informações sobre a etnia dos povos. O levantamento marca também a retomada da investigação sobre as línguas indígenas, parada por 60 anos.

Com base nos dados do Censo 2010, o IBGE revela que a população indígena no País cresceu 205% desde 1991, quando foi feito o primeiro levantamento no modelo atual. À época, os índios somavam 294 mil. O número chegou a 734 mil no Censo de 2000, 150% de aumento na comparação com 1991.

Reuters
Crianças da tribo Paresi. Taxa de fecundidade das mulheres aumentou de 6,4 filhos para 5,8

A pesquisa mostra que, dos 896,9 mil índios do País, mais da metade (63,8%) vive em área rural. A situação é o inverso da de 2000, quando mais da metade estava em área urbana (52%).
Na avaliação do IBGE, a explicação para o crescimento da população indígena pode estar na queda da taxa de fecundidade das mulheres em áreas rurais, apesar de o índice de 2010 não estar fechado ainda. Entre 1991 e 2000, essa taxa passou de 6,4 filhos por mulher para 5,8.
Outro fator que pode explicar o aumento do número de índios é o processos de etnogênese, quando há “reconstrução das comunidades indígenas”, que supostamente não existiam mais, explica o professor de antropologia da Universidade de Campinas (Unicamp), José Maurício Arruti.

Os dados do IBGE indicam que a maioria dos índios (57,7%) vive em 505 terras indígenas reconhecidas pelo governo até o dia 31 de dezembro de 2010, período de avaliação da pesquisa. Essas áreas equivalem a 12,5% do território nacional, sendo que maior parte fica na Região Norte - a mais populosa em indígenas (342 mil). Já na Região Sudeste, 84% dos 99,1 mil índios estão fora das terras originárias. Em seguida vem o Nordeste (54%).
Para chegar ao número total de índios, o IBGE somou aqueles que se autodeclararam indígenas (817,9 mil) com 78,9 mil que vivem em terras indígenas, mas não tinham optado por essa classificação ao responder à pergunta sobre cor ou raça. Para esse grupo, foi feita uma segunda pergunta, indagando se o entrevistado se considerava índio. O objetivo foi evitar distorções.
A responsável pela pesquisa, Nilza Pereira, explicou que a categoria índios foi inventada pela população não índia e, por isso, alguns se confundiram na autodeclaração e não se disseram indígenas em um primeiro momento. "Para o índio, ele é um xavante, um kaiapó, da cor parda, verde e até marrom", justificou.
A terra indígena mais populosa no país é a Yanomami, com 25,7 mil habitantes (5% do total) distribuídos entre o Amazonas e Roraima. Já a etnia Tikúna (AM) é mais numerosa, com 46 mil indivíduos, sendo 39,3 mil na terra indígena e os demais fora. Em seguida, vem a etnia Guarani Kaiowá (MS), com 43 mil índios, dos quais 35 mil estão na terra indígena e 8,1 mil vivem fora.
O Censo 2010 também revelou que 37,4% índios com mais de 5 anos de idade falam línguas indígenas, apesar de anos de contato com não índios. Cerca de 120 mil não falam português.
Os povos considerados índios isolados, pelas limitações da própria política de contato, com objetivo de preservá-los, não foram entrevistados e não estão contabilizados no Censo 2010.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A arte lapida a alma

A educação precisa resgatar o essencial na formação do ser humano, que é o sentimento de unidade com todas as manifestações de vida que se expressam sobre a sagrada Mãe Terra. E para isso é necessário a ferramenta da arte em todas as suas linguagens e a reconsideração da importância das sabedorias ancestrais. Pois as antigas culturas teceram valores mais próximos deste princípio. As antigas culturas deixaram memórias em relação á importância de nos percebermos como indivíduos únicos e ao mesmo tempo como parte de uma presença de vida maior, que respira e comunga da mesma origem e do mesmo destino.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

MORENÀ



Em janeiro retomaremos o projeto do espetáculo teatral MORENÁ.
A peça teatral “Morená” apresentado pelo grupo de teatro do Ponto de Cultura Arapoty fala sobre a origem do ser humano a partir da cosmovisão do povo Kamaiura, que habita a região do parque nacional do Xingú.
A trama se passa com o avô Vento contando para sua neta Brisa a história do romance entre uma lagoa ancestral e o Sol, que teria dado origem à vida do ser humano na terra. Mavutsinim, o espírito do Sol, encanta-se com a beleza de Morená, uma entidade mítica formada a partir da fusão da alma de uma deusa estelar com a de uma lagoa. Apaixonado, ele se transforma no primeiro homem, e faz dela uma mulher, tornando-se o primeiro casal humano na terra.
No entanto Morená acaba atraindo a inimizade de Kanassan, um espírito sombrio que governava a penumbra e a noite ancestral.  A partir daí nasce uma rivalidade entre eles e muitas aventuras ocorrem, envolvendo os pássaros, os espíritos sombrios, o vento, as águas.  Toda a natureza se une para trazer o dia para o mundo e libertar Morená do jugo de Kanassan. Após uma grande batalha formam-se diversas nascentes e rios, inclusive o Xingú.
De uma forma lúdica e romanceada, fenômenos da natureza vão se personificando e levando o público a refletir sobre a formação deste mundo e a necessidade de preservá-lo.
O texto é de Kaká Werá, escritor e ambientalista de origem indígena tapuia. O elenco é formado por um grupo de jovens e adolescentes de Itapecerica da Serra.

FICHA TÉCNICA: direção de Tatiana Zalla; trilha sonora de Leandro Pfeifer e Cia Deodara; iluminação de Fran Barros; coreografia de Fletir Cia de Dança; com participação especial da bailarina Thais Gimenez. Produção de Elaine Saron, e André Dib e Cassandra Cury no registro fotográfico. 

cena de morená

A cena da coruja 

MORENÁ

CENA DO ESPETÁCULO MORENÁ

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Minha história



Na década de 1980 dediquei minha vida a ações sociais voluntárias com o povo guarani de São Paulo. Com o tempo e a experiência adquirida, elas evoluíram de um relacionamento de prestação de assistência e defesa de direitos humanos para o empreendedorismo social e a geração de renda e qualidade de vida em comunidades, atuando em regiões específicas do estado do Paraná e no litoral paulista. Foram ações envolvendo levantamento de necessidades em áreas indígenas com a participação e definição de prioridades realizadas pelas lideranças das aldeias,  e meu papel era de buscar apoio entre pessoas e instituições sensibilizadas com a causa e com a proposta não-assistencialista, mas com foco de gerar sustentabilidade. Neste processo tornei-me empreendedor social reconhecido pela Ashoka Empreendedores Sociais, uma fundação que apoia e colabora no aperfeiçoamento de ativistas desta natureza.
No início dos anos de 1990, aprofundei o foco de minha relação com a cultura indígena para o aprendizado e pesquisa de seus valores sagrados e sua cosmovisão.  Com o passar do tempo, tive a oportunidade de relacionar a síntese de minha experiência com os guarani com os estudos em valores humanos realizados com Sua Santidade o Dalai Lama – no Brasil, na França e na Índia - o que foi para mim um marco no entendimento mais profundo na questão do ser, de sua essencia e sua impermanência. 
Estudei a questão da ancestralidade e das culturas ancestrais do Brasil de modo empírico e fiz o curso de formação Holística de Base, na Unipaz (Universidade Holística da Paz). Foi assim que pude extrair conteúdos com enfoque centrado no auto-conhecimento, na sabedoria ancestral e na ecologia profunda a partir da investigação dos saberes tradicionais das raízes culturais do Brasil.
As vivências e seminários que realizo pelo Brasil e também em alguns países da América e da Europa possuem a característica de utilizar uma cosmovisão ancestral como base e inspiração para trabalhar o desenvolvimento consciencional do indivíduo, de sua relação com a diversidade, com o meio em que vive, com suas raízes e com seus projetos de futuro. Em paralelo á isso, atualmente o foco do empreendedorismo social está na educação, através de um esforço para oferecer uma pedagogia inclusiva, que eduque para o desenvolvimento de aptidões cooperativas, criativas e não discriminativas; que possam refinar o jovem em valores humanos, ética e caráter.

Postagem em destaque

BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...