sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Cuidar de Si

Somos música. As vibrações dessa música que somos são entoadas a partir do nosso silencio interior. Essas vibrações preenchem e qualificam nossos pensamentos. Pensamentos são tons que damos a cada instante ao nosso estado de ser. Quem me ensinou isso foi um velho sábio, de olhos luminosos e que habitava na floresta. E ele me disse que quem havia ensinado a ele tinha sido o espírito que cuida da floresta. Este sábio dizia que nossos pensamentos podiam perturbar ou iluminar cada árvore ou planta de uma mata. Mas que isso também acontecia com as pessoas e situações ao nosso redor. Estes ensinamentos mudaram a minha vida á mais de 20 anos atrás. Ele dizia que inclusive o nosso corpo era moldado pela qualidade de pensamentos e sentimentos que emanamos. Por isso, para cuidar de si, ele dizia, é bom caminhar, dançar e rezar, como nós fazemos na aldeia; mas é bom também ter pensamentos saudáveis. Ele morava em uma aldeia do povo guarani, e hoje, ás vésperas de um novo ano, desejo sinceramente que a sabedoria dos velhos e das culturas ancestrais retomem a sua presença neste mundo contemporâneo, tão carente de valores e verdades profundas. Salve!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Cuidar do lugar onde moramos traz prosperidade

Esses dias recebi uma frase no facebook, atribuída á um biólogo, que dizia o seguinte: "se desaparecessem todos os insetos da Terra, em 50 anos a vida no planeta se exterminaria; mas se desaparecessem os seres humanos, em 50 anos toda a Terra seria reconstituída e renovada com toda a sua biodiversidade" . Não creio que há exageros nisso, realmente nós, seres humanos temos tido comportamentos terríveis em relação ao modo como interagimos com o espaço em que vivemos: seja ele o ambiente, o lugar onde moramos e também com as pessoas com quem convivemos.
Dizem os grandes mestres de diversas culturas que um espaço em desarmonia é resultado de uma mente em desarmonia. Uma casa em desarmonia é resultado de uma mente em desarmonia. Um corpo em desarmonia também é resultado de uma mente em desarmonia.Por isso, independente de ambientes sofisticados ou simples, ao cuidar do lugar, com gratidão e carinho, ele refletirá esse "clima". Assim também, quando arrumamos a nossa "casa" em todos os sentidos, estamos arrumando a nossa mente. Há uma sutil, profunda e misteriosa relação entre o mundo exterior e o mundo interior que devemos aprender, ou ter interesse pelo menos em fazê-lo.
Algumas tradições ancestrais estudaram profundamente essa relação, como por exemplo, a sabedoria antiga da China, na época do "Imperador Amarelo', Lao Tsé, etc. e a sabedoria tibetana, através do budismo, também expressa uma complexa e profunda relação de conhecimento dos mistérios da mente e do espaço. A tradição ancestral do Brasil, notadamente a tupi, deixou costumes e fragmentos de sabedoria em sua memória cultural, que nos leva a ter uma relação de equilíbrio entre a natureza exterior e a natureza interior. Além disso, deixou práticas de utilização de ervas, defumações, rezas, benzimentos que tem como propósito a manutenção do equilíbrio entre casa, corpo e mente. São conhecimentos milenares, simples, que primam pelo reconhecimento de que somos uma rede de interrelações, ligados internamente por energias, que nos fazem irmanados com todas as manifestações de vida, do céu e da Terra. A tradição tupi, desmembrada na cultura guarani, cham de "tekoá", o lugar sagrado, puro, preservado em seu fluxo natural para trazer boas energias e prosperidade. E para mantê-lo sempre sagrado basta que cuidemos dele.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Para um novo mundo começar

Embora de acordo com a sabedoria dos maias, dos incas e dos antigos sábios da tradição tupy, estejamos iniciando neste dia de hoje o ciclo dourado, onde a humanidade se torna mais suscetível ás ondas de sabedoria e de amor incondicional emanadas do Grande Mistério Luminoso, ainda necessitamos de nos graduarmos em algumas qualidades imprescindíveis para gerar uma nova humanidade. Vibrações como a da gratidão, generosidade, compaixão, solidariedade, prontidão  e cuidado com o lugar onde habitamos ainda nos são caras.
São qualidades que deveríamos ter ancorado em nossas  atitudes á pelo menos dois mil anos atrás, pois são pérolas da era passada que o sofrimento e o foco na dualidade deveriam lapidar em nossos corações. Estamos atrasados nestes quesitos.
Enquanto a Mãe Terra vive o esplendor pela entrada de seus vórtices em um novo ciclo, seus filhos humanos ainda vivem torpores, dissabores, tormentos e por isso a maioria ainda adormece dos benesses destas novas vibrações que o dia e a noite com suas incontáveis estrelas nos emanam. Temos que manifestar mais aquilo que nossos corações transbordam de verdade. Esse é o nosso velho desafio para este tempo novo.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Quando o mundo acaba

foto de Cassandra Cury

Na década de 70 alguns europeus e norte americanos se debruçaram na tentativa de interpretação de dois monumentos da cultura maia, descobertos em 1957, e que foram parar no museu de antropologia do México. Um destes monumentos é um totem, conhecido como Estela 6, do antigo assentamento de Tortuguero (sul do  México, estado de Tabasco) e o outro é a Estela 1, de quintana Roo. Com o tempo de investigações, foi que veio a idéia destes monumentos serem calendários, profecias, oráculos. 
As idéias iniciais ganharam as mais diversas formas de interpretação, leituras, possibilidades; e entre elas a de fim do mundo ou fim dos tempos. No entanto, é bom lembrar que foram todas feitas por pessoas de culturas diferentes das culturas maias, portanto, de olharres e percepções diferentes. Alguns exemplos são: 1.) o entendimento de tempo para os pesquisadores é de que este é linear, com começo, meio e fim; já para os maias e inúmeras culturas americanas ancestrais o tempo é cíclico, evolui em espiral e existe relativamente. 2) Os maias não desapareceram como fumaça, como alguns estudiosos dizem, seus descendentes ainda estão por aqui, marginalizados e destituídos de respeito e dignidade após a invasão da cultura soberba e prepotente que assolou as Américas após o século XVI. 3) O mundo não acaba, o mundo se transforma e evolui á cada momento, como nesse instante agora, girando, vibrando e dançando a dança luminosa do cosmos em inter-relação com todos os sóis e estrelas. O mundo é maior que o Homem. E o menor não pode com o maior. 
Existe o medo coletivo do fim da vida. Esse medo coletivo é a soma dos nossos medos individuais da morte. A sociedade humana moderna não suporta a idéia da morte. Na verdade não conhece o fundamento da morte e da transformação. Embora morremos um pouco a cada dia, fingimos que não. A morte para alguns povos indígenas é a deusa da transformação. É a única capaz de transmutar velhos hábitos negativos arraigados em corpo e comportamento, que impedem a evolução contínua do ser. De modo que, por trás dessas idéias e interpretações que os norte-americanos e europeus fizeram de um lapso da cultura ancestral maia, está presente uma crença mal compreendida a respeito da vida e seu verdadeiro progresso através dos períodos necessários de mudança e de transformação profunda, que todos nós, conscientes ou não disso, havemos de passar.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Indiodescendente

O Brasil precisa resignificar sua maneira de se relacionar com os povos indígenas, tanto os que habitam ainda em aldeias, isolados ou não da sociedade envolvente, quanto os indiodescendentes. É necessário encarar a necessidade de uma justiça social ampla e profunda em relação ás raízes que fundaram esta nação. Desde os temas considerados espinhosos, como a questão das terras; até reflexões que exigem ações de fundo como direitos humanos e cidadania, identidade cultural e desenvolvimento social.
Ainda hoje vivemos na dependência de pessoas que falam por nós, tanto na câmara federal, nas instituições públicas, nas academias, e inclusive nas artes. Ao mesmo tempo existe no bojo da sociedade um movimento de pessoas que buscam se expressar como cidadãos a partir do reconhecimento das suas origens. Além disso, temos diversos líderes capazes de expressar os desejos, necessidades e idéias dos povos indígenas que demonstram inúmeras contribuições em áreas diversas das tratadas pela mídia em relação á temática indígena;. desde empreendedores sociais como André Baniwa, passando por Marcos Terena e Ailton Krenak; acedêmicos como Daniel Munduruku e Azelene Kaigang. Todos envolvidos com a busca de soluções para suas respectivas culturas tradicionais e também para o Brasil.
Nas grandes capitais, como São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador; cresce o número de cidadãos que auto-declaram sua indiodescendencia, e isto não ocorre por interesse de posses de terraa, mas sim por reconsideração de origens e de estima á sabedoria ancestral. Tenho forte impressão de que este movimento é um sinal de que podemos verdadeiramente honrar nossas raízes nacionais devolvendo aos seus descendentes a dignidade social que tanto merecem. Além disso, tal fenomeno anda de braços dados com a necessidade  de revermos os caminhos do desenvolvimento econômico, colocando a questão ecológica no ponto central para a evolução  do país.

Comissão Parlamentar visitou Kaiowá


O senador João Capiberibe (PSB/AP) registrou em plenário, nesta terça-feira, 11, o deslocamento de uma diligência ao município de Iguatemi (MS), para acompanhar de perto o conflito que coloca em choque a comunidade Guarani-Kaiowá e os fazendeiros do Sul daquele Estado.
A comitiva esteve formada pelas Comissões de Direitos Humanos do Senado e da Câmara Federal, composta pelos senadores Capiberibe e Randolfe Rodrigues (PSOL/AP), e cinco deputados federais: Janete Capiberibe (PSB-AP), Danilo Forte (PMDB-CE), Erika Kokay (PT-DF), Geraldo Resende (PMDB-MS), Penna (PV-SP), Ricardo Tripoli (PSDB-SP) e Sarney Filho (PV-MA).
“Lá encontramos uma situação estarrecedora: a comunidade indígena vivendo em condições absolutamente degradantes, praticamente encurralada nas margem do rio Hovy, sem ter possibilidade de acesso fácil e de contato com as comunidades do entorno” – destacou João Capiberibe.
Ele ressaltou que os líderes indígenas estavam assustados, temerosos por sua integridade física. Os parlamentares também ouviram os argumentos dos fazendeiros e do dono da Fazenda Cambará.
“Sentimos que, neste momento, há uma tendência de se procurar uma solução para esses conflitos, tanto de parte das comunidades indígenas que sofrem e vivem em condições de extrema precariedade, como também dos fazendeiros que, de boa-fé, ocuparam essas áreas” – ressaltou.
Para o senador, o Estado brasileiro colocou em conflito permanente produtores rurais e a comunidade indígena, porque outorgou títulos de propriedade em terras tradicionalmente ocupadas por indígenas, e esta situação precisa de uma solução.. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Comitiva de Direitos Humanos visita Kaiowá


Conflito entre índios e fazendeiros no Mato Grosso do Sul - Comitiva visita o Estado para ver atual situação

As Comissões de Direitos Humanos do Senado Federal e da Câmara dos Deputados vão visitar o Mato Grosso do Sul nesta segunda-feira (10).
O intuito é ir ao acampamento de índios Guaranis-Kaiowás.

A diligência será feita no acampamento Pyelito Kue, localizado no município deIguatemi, sul do Estado, que é uma área de ocupação tradicional cuja demarcação vem sendo reivindicada pelos indígenas há anos.

Os parlamentares também vão fazer uma reunião com representantes de proprietários rurais na Câmara de Vereadores da cidade de Dourados.


O presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Paulo Paim (PT-RS), lembrou que a situação é complexa, e a comitiva vai conversar não só com índios, mas com autoridades estaduais e com fazendeiros na tentativa de encontrar uma saída negociada para o conflito.

"A situação é da maior gravidade, houve até ameaça de um suicídio coletivo; mas entendo que estamos caminhando para uma solução", afirmou Paim.

Os senadores Randofe Rodrigues (PSOL-AP) e João Capiberibe (PSB-AP) devem compor a comitiva pelo Senado Federal. Pela Câmara, irão os deputados Danilo Forte (PMDB-CE), Erika Kokay (PT-DF), Geraldo Resende (PMDB-MS), Janete Capiberibe (PSB-AP), Penna (PV-SP), Ricardo Tripoli (PSDB-SP) e Sarney Filho (PV-MA).



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

É preciso reconhecer a diversidade, a essencia e a mudança

O Brasil ainda tem dificuldade de reconhecer a diversidade cultural ancestral que fundou o que hoje se caracteriza como etnias indígenas. O Estado tem dificuldade jurídica de reconhecimento territorial dessa diversidade e a própria antropologia não acompanhou as mudanças provocadas pelo impacto civilizatório europeu que causou ás gerações pós século XVI á esta diversidade. Existe um hiato entre reconhecer seus fundamentos cosmológicos, filosóficos e sociais e suas respectivas adaptações em decorrência do contato com a sociedade envolvente. Isto faz com que os olhos contemporâneos não aceite o índio dentro dessa complexidade atual.
A relação é bizarra, onde podemos citar o seguinte exemplo: enquanto o  negro luta por ter seu espaço na educação através de cotas e não deixa de ser negro por estudar os códigos estabelecidos pela sociedade como formação academica; quando o indivíduo indígena faz isso, passa a ser questionado enquanto índio. Para a sociedade, quando o índio adquire conhecimento fora do seu círculo cultural, deixa de ser índio,assim também como quando adquire hábitos sociais diversos dos tradicionais de suas raízes.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, os índios de lá estão transformando o território inóspito que o governo americano lhes despejou em cassino e vivendo do dinheiro dessa jogatina; perdendo seus valores mais sagrados, e não deixam de ser considerados índios por isso. Coisa mais estranha ainda.

Situação kaiowá é alarmante


SÃO PAULO, SP, 2 de dezembro (Folhapress) - A situação em que vivem os índios de três comunidades visitadas esta semana por uma comissão do Ministério Público Federal (MPF) é "alarmante", afirmou a subprocuradora-geral da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, Gilda Pereira. As informações são da Agência Brasil.

Órgão setorial do MPF, a 6ª Câmara é responsável por coordenar, integrar e revisar o trabalho dos procuradores da República que atuam judicial ou extrajudicialmente em casos envolvendo a garantia dos direitos das comunidades tradicionais, como, por exemplo, indígenas e quilombolas.

Desde a última segunda-feira, o grupo formado por mais cinco procuradores e dois antropólogos, além da própria subprocuradora, visitou as aldeias Arroio Korá e Ypo'i, em Paranhos, e Pyelito Kue, em Iguatemi, para averiguar as denúncias de violações aos direitos dos indíos guaranis kaiowás que vivem em Mato Grosso do Sul. Em tamanho da população, a etnia é a segunda maior do país, com cerca de 43 mil pessoas, dos quais 32 mil vivem no estado, segundo dados do Censo 2010, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 

"Temos recebido várias denúncias de graves violações de direitos humanos contra os guaranis kaiowás em Mato Grosso do Sul. Daí a diligência da comissão", explicou a subprocuradora, após se reunir, no início da tarde de ontem, com o governador André Puccinelli, a quem relatou as impressões do grupo.

"[Durante as visitas às três aldeias] Confirmamos a total precariedade, que chega a ser desumana, em que vivem os indígenas", declarou Gilda, garantindo que, além de enfrentarem limitações ao seu direito de ir e vir, os índios das três comunidades indígenas visitadas não têm acesso adequado à saúde e à educação.

"Os índios também nos relataram que sentem muito medo, por acharem que as autoridades, a imprensa e a sociedade não os valorizam nem compreendem suas reivindicações por terras, que é algo de que o índio precisa para viver. Além da terra, eles querem ser reconhecidos por sua cultura", disse a subprocuradora, revelando que, durante a reunião, a comissão pediu a Puccinelli que manifestasse publicamente o reconhecimento do estado aos povos indígenas para, assim, dar maior visibilidade às várias comunidades sul-matogrossenses.

"Sabemos mais sobre a etnia Guarani Kaiowá em Brasília ou no exterior do que [se sabe a respeito deles] em Mato Grosso do Sul. Por isso reivindicamos que o governador diga a toda a população que há guaranis kaiowás vivendo no estado e que eles também precisam ser contemplados em seus direitos", comentou a subprocuradora.

Gilda contou que, ao ouvir as recomendações do grupo, como a necessidade de o governo estadual intensificar ações e políticas públicas já implementadas para garantir o bem-estar e a dignidade indígena, Puccinelli assumiu o compromisso de tentar resolver os problemas na medida em que as "limitações" orçamentárias permitirem.

"Ele falou que tem vários problemas financeiros e econômicos, mas disse que estava sensibilizado e que é o governador de todos os índios guarani-kaiowá. Eu acho muito importante essa declaração do governador", comentou a sub-procuradora, reconhecendo que a responsabilidade maior pela solução dos conflitos entre produtores rurais e índios é da União.

Durante o século passado, o Estado brasileiro estimulou, com a titulação de posse de áreas até então povoadas por comunidades indígenas, que pessoas de outras regiões do país se mudassem para o Centro-Oeste para, assim, expandir a fronteira agrícola brasileira. "O MPF inclusive já ajuizou uma ação neste sentido."

Em nota, a assessoria do governo disse que Puccinelli apresentou à comissão um balanço das ações do Estado, como a distribuição de cestas de alimentos a 76 aldeias de 27 cidades, além da construção, desde 2007, de 1.480 unidades habitacionais em aldeias indígenas.

"Postulamos ao governador que essas políticas públicas já implementadas precisam ser intensificadas. Há ainda necessidades e carências que relatamos ao governador, que se comprometeu a tentar resolvê-las", disse a subprocuradora.

A viagem dos representantes da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF foi concluída na véspera da chegada de uma comitiva de representantes do governo federal no estado para debater e propor soluções para os conflitos

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BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...