segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Guarani Kaiowá mostra rio envenenado

indio guarani kaiowá mostra rio envenenado


O córrego YPo i, principal fonte de água dos indígenas Guarani Kaiowá de YPo i, em Paranhos, divisa do Mato Grosso do Sul com o Paraguai, foi envenenado. Em entrevista ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a comunidade afirma que o crime foi "uma ação deliberada dos proprietários das fazendas".
Um vídeo com imagens do riacho contaminado, registrado por dois professores indígenas, foi publicado pelo conselho da Aty Guasu (assembleia dos Kaiowá e Guarani) na sexta-feira (16).
Uma crosta de espuma branca se formou em toda a superfície da água, na manhã de quarta-feira, fechando totalmente o rio. "As crianças estavam tomando banho quando viram a espuma branca", contou um dos índios ao Cimi. "Ela tomou conta do córrego inteiro por dois dias".
Os Guarani Kaiowá disseram ainda terem seguido a trilha do riacho até a fazenda, onde foram vistos dois tambores. "Não sabemos o que era. A gente foi pra tirar foto, mas fomos recebidos a bala. Começaram a atirar pra cima e saímos correndo".
Segundo os Kaiowá, não é a primeira vez que o único córrego da área, a 200 metros de distância do acampamento, é envenenado. "Logo quando a gente retomou, quando estávamos isolados, os fazendeiros jogaram gado morto no rio, querendo dificultar nossa vida", diz um indígena.
O córrego é a principal fonte da comunidade de água pra beber, tomar banho, fazer comida e lavar roupa.
Em nota, o conselho da Aty Guasu disse estar "chocado e indignado com as ações cruéis dos fazendeiros (...)", e exigiu que "autoridades federais tomem prividências cabíveis".
A Polícia Federal, Força Nacional e Fundação Nacional do Índio foram notificadas da ocorrência e uma amostra da água será encaminhada ao Ministério Público Federal de Mato Grosso do Sul (MPF/MS).

sábado, 17 de novembro de 2012

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Caciques da agropecuária pesquisam índios


(fonte: Instituto Socioambiental)

Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) acaba de divulgar os resultados de uma pesquisa encomendada ao Datafolha sobre povos indígenas. Disponível para consulta na internet (acesse aqui), o levantamento foi feito com um universo de 1.222 entrevistas em 32 aldeias com mais de 100 habitantes, abrangendo 20 etnias, que falam português. Com base somente nisso pretende apresentar um perfil dos indígenas no Brasil.
A divulgação da pesquisa, cujas entrevistas foram realizadas entre 7 de junho e 11 de julho passados, foi feita exatamente no momento em que o conflito territorial entre índios e fazendeiros no Mato Grosso do Sul ganha as páginas dos jornais e a opinião pública.
Pouca terra ou muita terra?
Entre as conclusões da pesquisa, há a afirmação de que “a situação territorial também causa preocupação, mas não é o maior problema, como afirmado por ONGs, movimentos sociais e certa áreas de governo”. O argumento implícito é o de que, diante da existência de outros desejos e necessidades, definidos a partir de um perfil genérico dos povos indígenas, as demandas territoriais não se justificam. Para a pesquisa, os principais problemas dos índios são outros, como saúde e educação.
Entretanto, o próprio levantamento aponta que a questão territorial é a segunda mais importante para os povos indígenas, com 24% das respostas, atrás apenas da saúde (29%), mas à frente de outros 14 temas, como alimentação, emprego ou educação.
Quando perguntada, a maioria (57%) afirmou que o tamanho de suas terras é menor do que o necessário. No caso da Região Sul, que tem 8,7% da população indígena nacional, mas apenas 0,18% da área demarcada como terra indígena, esse percentual chega a 92%. Na Região Norte, que abriga 38,2% da população e 81% da área, 44% considera o tamanho menor do que o necessário.
A Amazônia Legal concentra 98,4% dos 112,8 milhões de hectares de todas as terras indígenas e 42% da população indígena total de todo o País, de mais de 896 mil pessoas. Ou seja, 58% da população indígena espalhada pelo resto do Brasil dispõe de um território que corresponde só a 1,6% da área total de terras indígenas.
Questões de índio, respostas de branco
Os dados do Datafolha ensejaram notícias da Folha de S. Paulo e da revista Veja, cujo teor repete que os índios brasileiros estariam integrados ao modo de vida urbano e teriam preocupação menor com a questão da terra. Isso ficaria evidente pelo desejo de consumir bens como televisão e DVD, pela aspiração de uma formação universitária e por uma suposta alta adesão dos indígenas entrevistados ao Programa Bolsa Família.
Que as sociedades indígenas estejam cada vez mais interessadas na aquisição dos chamados bens do “mundo dos brancos”, não é uma novidade. Assim como o restante da sociedade brasileira inserida nas classes econômicas menos privilegiadas, eles também vêm aumentando o consumo de bens como televisão ou rádios. Mas daí afirmar que isso é um sinal de “urbanização” e que, por isso, eles já não precisam mais de terras para caçar, pescar e plantar vai uma enorme distância.
O fato de haver luz elétrica em uma aldeia e de existir televisores em algumas casas de maneira alguma significa sinal de “urbanização”, assim como não o seria no caso de um pequeno agricultor que vive num sítio. Pelo contrário, a própria pesquisa indica que a maior parte dos indígenas entrevistados depende dos recursos providos por seus territórios para sobreviver — 94% dos entrevistados praticam agricultura nestas áreas e 85% caçam, o que é totalmente incongruente com modos de vida urbanos.
Mesmo no caso dos Guarani Kaiowá, cujos diminutos territórios estão ameaçados por monoculturas de cana e soja no Mato Grosso do Sul, a reportagem da Folha destaca: 100% dos entrevistados praticam a agricultura, 99% caçam e 51% pescam. Coerente com esse resultado, mais de 70% dos entrevistados não exercem trabalho remunerado. Ou seja, vivem exclusivamente do que plantam e colhem em suas terras.
É importante notar que os números relativos a programas governamentais assistencialistas, sobretudo os que fornecem cestas básicas, são coerentes apenas com regiões do país onde os indígenas têm menos e menores terras e, por isso, são mais dependentes dessas políticas. O Nordeste e o Sul ostentam o maior número de beneficiários de cestas básicas, 76% e 71%, respectivamente, ao contrário do que acontece com os povos que vivem na região Norte, que concentra a maior parte das terras demarcadas, onde apenas 7% recebe o benefício.
Ou seja, a conclusão a que se chega é de que, onde há terras em tamanho e condições ambientais apropriados, os índios são menos dependentes da ajuda governamental, pois podem prover sua própria subsistência por meio de atividades tradicionais nada urbanas.
Problemas de metodologia
Fazer um levantamento mais geral sobre o perfil dos povos indígenas no Brasil é uma antiga aspiração tanto de acadêmicos como das agências governamentais. Mas foi somente em 2010 que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) conseguiu levar a cabo sua mais completa iniciativa para construir um perfil específico dessas populações. Para produzi-lo, ele contou com a experiência de conceituados demógrafos e antropólogos e, mesmo tendo conseguido alcançar um grau de detalhamento importante, os resultados apresentam uma série de imprecisões e limites derivados justamente da heterogeneidade da população indígena brasileira.
Comparando-se com o levantamento feito pelo IBGE, ficam claros os limites do método adotado pela pesquisa do Datafolha. Por exemplo, a distribuição da amostra não foi proporcional à distribuição da população indígena no país. Segundo dados do Censo de 2010, a região brasileira de maior população indígena é o Norte, com 342.836 indígenas, seguida pelo Nordeste, com 232.739. Apesar disso, o maior número de entrevistas foi feito no Centro Oeste e no Nordeste.
Outro ponto que deve ser destacado é que foram entrevistados membros de 20 etnias, quando no Brasil existem mais de 230, de acordo com o ISA (leia aqui), ou 305, de acordo com o IBGE. Cada uma delas é um universo cultural distinto. Por exemplo, a amostra só contempla povos falantes de português – em um cenário de mais de 180 línguas indígenas diferentes.
A conclusão a que se chega é que não se pode fazer conclusões generalistas sobre os vários povos indígenas que vivem no Brasil, muito menos se elas contrariam parte significativa dos dados que as sustentam.
Não é novidade que alguns setores representativos do agronegócio brasileiro, com a CNA à frente, tem como meta principal, uma vez ganha a batalha do Código Florestal, modificar o rito de demarcação de terras indígenas, evitando a regularização de novas áreas. A novidade é a tentativa de colocar na boca dos índios a afirmação de que já não precisam mais de suas terras tradicionais. Num momento em que o país assiste a dramática luta dos Guarani pelo direito de retomar uma pequena parte de seu território tradicional, não há como não pensar que essa pesquisa é, na verdade, uma cortina de fumaça.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

suicídio dos índios é resultado de álcool e abandono

A livre circulação de bebidas alcoólicas e drogas nas aldeias indígenas, somada à falta de opções de estudo, trabalho e lazer para os jovens, são as principais causas de suicídios entre os índios Carajás no Tocantins, conforme lideranças reunidas em audiência pública nesta segunda-feira (12) na Comissão de Direitos Humanos (CDH).
Os suicídios de quatro jovens entre 14 e 17 anos nos dois primeiros meses do ano, além de outras seis tentativas no mesmo período e mais sete casos registrados em 2011, motivaram a realização do debate, proposto pelo senador Vicentinho Alves (PR-TO).
Ao falar aos senadores, Iwrarú Karajá, cacique da aldeia Watau, relatou as mudanças ocorridas na Ilha do Bananal desde que os jovens índios conheceram bebidas alcoólicas e drogas, revelando ainda a falta de fiscalização na região.


Indígenas cobram presença da Funai nas aldeias
Indígenas cobram presença da Funai nas aldeias
"Não tem controle da entrada de bebida alcoólica e droga dentro das aldeias. [Traficantes] entram à vontade, as aldeias estão dominadas por drogas", disse, ao cobrar a presença da Fundação Nacional do Índio (Funai) na região e pedir maior segurança nas aldeias. Ao comentar o assunto, Vicentinho Alves sugeriu a construção de um modelo de segurança que atenda às particularidades das comunidades indígenas.
Também Kohalue Karajá, coordenador de Assuntos Indígenas da Secretaria de Cidadania e Justiça do Tocantins, concordou que o álcool e as drogas estão por trás dos suicídios. No entanto, ele disse que os suicídios foram resultado também de feitiçaria, observando ser esta uma questão cultural muito relevante para os indígenas.
Resgate de valores
A falta de perspectivas nas aldeias, na avaliação de Marcos Terena, membro da organização não governamental Cátedra Indígena Internacional, tem origem nas perdas sofridas pelos povos indígenas quando de seu relacionamento com os não índios. Terena disse lembrar dos Carajás como índios altos e fortes, bons nadadores e remadores. Para ele, é preciso prioridade para o resgate de valores ancestrais.
"Não podemos deixar de ouvir a sabedoria da mulher nas aldeias. São elas que ensinam a língua e o conhecimento. Também é preciso valorizar a parte espiritual. A força dos pajés pode ajudar a recuperar valores ancestrais, para que povos indígenas sintam firmeza nas relações interculturais", disse.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Veja não vê, não ouve, não aceita luta Kaiowá


Professores Kaiowá e Guarani se posicionam sobre matéria da revista Veja

 COMISSÃO DE PROFESSORES KAIOWÁ GUARANI SOBRE REPORTAGEM DA REVISTA VEJA

Ao contrário do que escreveram os jornalistas da Revista Veja, Leonardo Coutinho e Kalleo Coura, quem luta pelos territórios tradicionais é sim o povo Kaiowá e Guarani. Somos nós que estamos retomando nossos territórios antigos.

A matéria publicada foi racista, preconceituosa, discriminatória, estimulou o ódio contra os povos indígenas. Tenta desmotivar o nosso povo, ignora que nós temos língua própria, sentimento próprio, natureza própria. Não fala que a gente sabe o que a gente quer. Acaba colocando as pessoas contra nós, não a favor.

A revista Veja não está a serviço dos indígenas, nem dos mais pobres. Está a serviço de quem manda. Age com coronelismo. Parece estar a serviço de quem paga.

Os jornalistas precisam estudar mais um pouco. Conhecer o que é índio, o que é cultura, o que é tradição, o que é história, o que é lingua, o que é Bem Viver. A terra, para nós, é o nosso maior bem viver, coisa que ainda a imprensa não entendeu muito bem. Não entendeu que é possível escrever coisa boa sem prejudicar.

O povo pobre não tem acesso à imprensa, quem tem são os latifundiarios e os emrpesarios. São eles que comandam. Nós somos brasileiros, somos filhos da terra. É preciso valorizar todas as culturas, o que a imprensa não faz. Mas precisava fazer.

O direito à terra é um direito conquistado pelo povo brasileiro que precisa ser cumprido. E é possível fazer essa luta com solidariedade, com amor, com carinho, que é a competência do ser humano. Não é com maldade, como fez essa reportagem.

A matéria quer colocar um povo contra outro povo. Quer colocar os não-índios contra os indíos. Essa matéria não educa e desmotiva. Ao invés de dar vida, ela traz a morte. Porque a escrita, quando você escreve errado, também mata um povo.

DOURADOS, 5 DE NOVEMBRO DE 2012

Fonte: Cimi Mato Grosso do Sul 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Kaiowá quer demarcação urgente de suas terras

(agência de notícias Brasil)

Lideranças indígenas pediram hoje (1º) urgência na demarcação de terras da etnia Guarani Kaiowá. Elas participaram de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado. "Já ouvimos muito discurso bonito, recebemos cesta básica, mas isso não resolve. Queremos a demarcação do nosso território", afirmou o líder kaiowá Elizeu Lopes.
Segundo ele, até agora, os povos indígenas só estão vendo os índios serem retirados das áreas que ocupam e não há sinais de quando vai começar a demarcação das terras. "Não aguentamos mais viver em baixo de uma lona preta, as crianças tomando água suja, sem ter condição de vida digna com nossas famílias. Os guaranis kaiowás vêm morrendo de atropelamento na beira da estrada, ataque de pistoleiro, muitos matando nossas lideranças. Não aguentamos mais isso", disse Elizeu. Outro ponto destacado pelos representantes guranis kaiowás foi a necessidade de apuração das mortes de líderes indígenas.
A presidenta da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marta Maria Azevedo, também participou da audiência pública e destacou que a situação dos guaranis kaiowás é única e a mais preocupante em todo o Brasil. "A gente tem certeza que é preciso um pacto social e que a Funai, sozinha, não dá conta. O processo administrativo de demarcação é longo, é demorado, envolve diferentes atores. Então, por isso, a gente precisa sim de vigilância constante porque a situação é grave."
O secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Cléber Buzatto, cobrou uma melhoria na estrutura dos estados para tratar das questões indígenas. "Não pode ocorrer mais de a Funai gastar com a rubrica de demarcação de terra só R$ 29 milhões, como aconteceu em 2010 e 2011. Isso infelizmente não vai resolver a situação. Para ele, a Funai precisa fazer concursos específicos para viabilizar e acelerar os processos de demarcação de terras indígenas que " estão muito aquém do que é necessário".
Para o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), a situação dos guaranis kaiowás  precisa ser acompanhada de perto pela Comissão de Direitos Humanos do Senado. "É uma situação que mobilizou a opinião pública, lamentavelmente, só agora. Mas é um drama que os povos guaranis sofrem há muito tempo. É necessário um diálogo permanente com as instituições, com a Funai, com o Ministério da Justiça, com o governo do estado de Mato Grosso do Sul", ressaltou.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Kaiowá participa da Comissão de Direitos Humanos


Lilian Venturini, de O Estado de S.Paulo



O líder indígena Eliseu Lopes Kaiowá criticou a lentidão com que os governos federal e estadual tratam a questão da demarcação de território para aldeias, durante audiência pública no Senado nesta quinta-feira, 1º. “Enquanto o governo está se organizando, nossa comunidade está morrendo”, afirmou. A Comissão de Direitos Humanos discute a situação dos índios guarani caiová, no Mato Grosso do Sul.
A disputa de terras entre a aldeia e fazendeiros ganhou repercussão após a divulgação de uma carta do grupo alertando autoridades sobre a intenção de resistirem “até a morte” à decisão judicial que os obriga a deixar uma área de 2 hectares. Ao todo, 170 índios que vivem na terra, localizada numa mata ilhada entre um charco e o leito do Rio Hovy, na divisa da Reserva Sassoró com a Fazenda Cambará, propriedade de 700 hectares, no sul de Mato Grosso do Sul.
A presença foi decretada ilegal e a aldeia, condenada a deixar o local. Nessa semana, a Justiça garantiu a permanência numa  área de 10 mil metros quadrados até que seja concluído o trabalho de demarcação das terras em disputa. Para o líder indígena, no entanto, a decisão não garante a solução. “Já ouvimos muitos discursos bonitos, muita promessa. Queremos nossa demarcação de nosso território. Isso pelo menos minimiza a violência que estamos sofrendo”, disse Eliseu Lopes Kaiowá.

O secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Cléber César Buzatto, afirmou que a ausência de demarcação de terras indígenas no Brasil potencializa a ocorrência de conflitos e cobrou a participação mais efetiva dos governos federal e do Estado do Matro Grosso. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) sugeriu a formação de um grupo de parlamentares e a realização de uma diligência na área dos guarani caiová para acompanhar de perto as ações prometidas para o impasse.
Participam também da audiência procurador da República em Dourados (MS), Marco Antonio Delfino, representantes da Funai e do governo do Estado do Mato Grosso do Sul.
 Abaixo, os principais momentos:
13h25 – É encerrada a sessão.
13h20 – Líder Eliseu apoiou a ideia da visita da comissão à aldeia.  Senador Delcídio do Amaral (PT-MS): “A solução para esse conflito é o diálogo. Precisamos de uma articulação forte dos parlamentares, do governo federal, do Ministério do Planejamento, do Palácio do Planalto (para ajustar o Orçamento) e dar a atenção devida aos guarani caiová.”
13h18 – Marta Maria do Amaral Azevedo, presidente da Funai: “Essa iniciativa é excelente, de manter essa comunicação em alerta permanente. Na Funai, temos certeza de que essa situação dos guarani é a mais preocupante em todo o Brasil. A Funai sozinha não dá conta. O processo de demercação é longo, demorado. Precisamos, sim, dessa vigilância constante porque a situação é muito, muito grave.”
13h05 – “Nós aguardamos a visita de vocês”, disse um integrante da aldeia aos parlamentares.
12h53 – Deputada Janete Capiberibe (PSB-AP): “Isso (o que os índios propõem) não é suicídio. É luta pacífica.”
12h50 – Senadores propuseram criar comissão mista, juntamente com deputados, para acompanhar os debates sobre a demarcação de terra.
12h36 – Tonico Benites, antropólogo da etnia caiová: “Não queremos prejudicar o agronegócio. Reivindicamos uma parte (da terra). (…) Nós estamos pronto para conversar. Não somos violentos. Não temos armas.” O antropólogo foi aplaudido ao final da sua fala.
12h28 - “Como é que a gente vai sobreviver de modo cultural? Pistoleiro tá lá. A luta do guarani continua pela devolução (das terras). Estamos pedindo uma parte só. Estamos apenas lutando por uma área que não chega a 3% do Estado”, diz o antropólogo, ao lembrar das reivindicações de outras aldeias no Mato Grosso do Sul.
12h08 – Tonico Benites, antropólogo da etnia caiová: “Ninguém tem vontade de resolver definitivamente. Isso tem que ser repensado”, diz sobre o processo de demarcação de terras.
12h04 – Tonico Benites: “Eu vou morrer pelo meu povo. Eu vou morrer, pode me matar. Mas para que meu povo continue vivendo. Isso não é suicídio. Para nós, não. A própria liderença tem que morrer para salvar a próxima geração.” O antropólogo relata uma séria de crimes, segundo ele, cometidos contra a aldeia.
11h54 – Tonico Benites: “Quem seria o responsável por isso?”, provoca o antropólogo, mencionando interesses financeiros e agrários sobre as terras. “(O governo) tem vontade (de resolver) ou apenas discurso?”. Tonico apresenta fotos da aldeia e pede, emocionado, um minuto de silêncio para a morte de um líder indígena que completou três anos nesta quinta-feira. O corpo nunca foi localizado.
11h49 – Tonico Benites, antropólogo da etnia caiová: “Foram mortos mais de 2 milhões de guaranis e continuamos morrendo (ao longo dos cinco séculos). Esse é o fato. Isso o Estado tem que assumir. ”
11h28 – Eliseu Lopes Kaiowá, liderança indígena, comemora a decisão judicial, mas lembra que não é o suficiente. Segundo ele, a decisão garante a permanência de 200 pessoas numa área de 1 hectare. “Não aguentamos viver embaixo de uma lona preta, de ver as crianças bebendo água suja. Guarani caiová vem morrendo de atropelamento, de ataque de pistoleiro. Não aguentamos mais isso. Já morremos muito e vamos continuar retomando o que é nosso. Nós não recebemos ainda quando vai começar essa demarcação. Enquanto o governo está se organizando, nossa comunidade está morrendo (…). Não só os guarani vêm passando por isso.” (…) “O que a comunidade vai produzir em 1 hectare só? É uma vergonha. vamos continuar a fazer retomada (de terras).” “Já ouvimos muitos discursos bonitos, muita promessa. Queremos nossa demarcação de nosso território. Isso pelo menos minimiza a violência que estamos sofrendo.”
11h18 – Senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) sugere a realização de uma diligência na área dos guarani caiová para acompanhar de perto as ações e reunir com o governo do Estado do MS para conhecer a situação. “Por essa audiência, vemos que esse não é um problema de agora, é um problema de anos e exige um acompanhamento mais detido do Congresso e dessa Comissão de Direitos Humanos.”
11h11 – Critica projetos em discussão no Congresso que podem agravar a situação indígena no Brasil. “Precisamos que os deputados e senadores estejam sempre atentos para combater, junto com as organizações e os povos, essas proposições que se somam e têm causado bastante preocupação em todos nós.” Ele critica também a suspensão da Portaria 303, que regulamenta as salvaguardas das terras indígenas do País. “Não é possível acreditar que a AGU entenda que esses processos sejam revistos. Isso no nosso entendimento criaria novos focos de conflito”.
11h06 – Cléber César Buzatto, secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário : “Precisamos que o Estado haja no sentido de demonstrar que a violência é ilegítima. O Estado precisa agir por meio de suas instituições. Nós não acreditamos na boa vontade do governo do Mato Grosso do Sul. (…) A ação do governo federal tem que ser mais efetiva, tem que ter responsabilidade maior. (…) O governo federal não pode continuar esperando que o Estado do MS contribua para esse processo.”
10h58 – Cléber César Buzatto, secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário, cobra agilidade do processo de demarcação de terras indígenas. “Isso acaba potencializando os conflitos”, afirma.
10h55 – Cléber César Buzatto, secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), defende que os governos devem indenizar índios em certas condições. Defende ainda que seja reconhecida a “tradicionalidade” das terras.
10h43 – Marta Maria do Amaral Azevedo, presidente da Funai: “Temos dados passos para chegar a soluções e para que os povos possam manter sua terra. É importante que o governo estadual também tenha vontade política de participar desse processo.” “Temos dificuldade com esse diálogo. O governo estadual tem papel extremamente importante”, diz Marta ao lembrar a necessidade de apoio na área de educação e da saúde. “A gente precisa do governo estadual envolvido nessa pactuação.”
10h35 – Marta Maria do Amaral Azevedo, presidente da Funai: “Tem muitos casos de terras indígena que estão judicializadas e não estão de posse dos guarani caiová. O que a Funai tem feito é ter presença mais efetiva na região. Tem estruturado escritórios regionais na região.”
10h18 – Senador Delcídio do Amaram (PT-MS) defende garantir de recursos para demarcação de terras indígenas, além de políticas de infraestrutura para as aldeias
10h07 – Senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) afirma que o Congresso também precisa fazer a sua parte na questão.
10h – Procurador da República em Dourados, Marco Antonio Delfino, explica que a decisão judicial que garante a permanência dos guarani caiová na terra ainda não encerra a questão.
9h44 – Presidente da comissão, senador Paulo Paim (PT-RS), abre a audiência
9h20 – Comissão exibe vídeo sobre cultura indígena

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BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...