sábado, 22 de setembro de 2012

Sitios arquelógicos indígenas no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro - Representantes de povos indígenas realizaram uma cerimônia religiosa para celebrar a descoberta de dois sítios arqueológicos, no ano passado, na Gamboa, região portuária da cidade do Rio de Janeiro, com artefatos e ossadas dos primeiros índios brasileiros, datados de 3 a 4 mil anos atrás. Integrante da etnia Tupinambá, Anápuáka Muniz Tupinambá Hã-hã-hãe explicou que o ritual também é uma forma de chamar a atenção das autoridades para a importância de se preservar e divulgar esse patrimônio brasileiro. O grupo promoveu o ritual em locais do centro da capital fluminense. ''Aqui é a região do Porto Maravilha, que está sofrendo uma ampla revitalização e onde está sendo construído um corredor cultural. A questão da cultura indígena, no entanto, ainda não foi abordada e estamos aqui para afirmar religiosamente que queremos espaço para trazer para essa área todo o material arqueológico, de cemitério, que temos não só nesse município, mas também em outros, para termos um espaço para pesquisa e de proteção e divulgação da nossa cultura''. O evento foi promovido pela organização não governamental Raízes Históricas Indígenas no prédio do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPM), na Rua Pedro Ernesto, na Gamboa, que abriga o Cemitério dos Pretos Novos e agora também o sítio arqueológico sambaqui, onde foram encontradas cerâmicas que comprovam o primeiro contato entre os índios brasileiros e os colonizadores portugueses na região. Depois, o grupo se dirigiu até a Rua Sacadura Cabral, também na Gamboa, onde há outros achados de sambaqui, finalizando o ritual na Praça da Harmonia, onde existiu um mercado de escravos. O arqueólogo e historiador Reinaldo Tavares, que foi um dos pesquisadores que encontraram os sítios, disse que a descoberta foi uma grande surpresa. ''Estávamos procurando a delimitação espacial do cemitério dos Pretos Novos e foi então que encontramos, primeiramente, o sítio de contato entre europeus e os tupinambás, e depois, na última sondagem pela rua, esse sítio pré-histórico, o que foi uma surpresa, pois só sabíamos de vestígios dele na região por documentos antigos. Hoje, os sítios estão registrados e protegidos e estamos aqui buscando a interação da comunidade com o seu patrimônio''. O arqueólogo explicou que o sítio sambaqui é da época dos paleoíndios brasileiros, com material arqueológico que apresenta indícios de uma sociedade de pescadores e coletores. Existem sambaquis em todo o litoral brasileiro, com resquícios de caixas de sepultura e de locais de convivência, onde a sociedade vivia e enterrava seus mortos. No sítio da zona portuária, foram encontrados também ossos de peixes queimados, lascas bipolares de quartzos para manipular peixes e resíduos de alimentos. O cemitério de escravos foi descoberto durante obras em um imóvel particular do século 18, na Gamboa. A região era conhecida em meados do século 19 como ''a pequena África''. Quando os escravos chegavam ao Rio de Janeiro, desembarcavam na Gamboa. Os ossos encontrados no local pertenciam a pessoas jovens, em sua maioria, pré-adolescentes. Edição: Davi Oliveira

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Funai pede ajuda de tropas da Força Nacional


A Fundação Nacional do Índio (Funai) acionou a Presidência da República solicitando tropas da Força Nacional para 11 municípios que compreende a regional de Ponta Porã. De acordo com a assessoria de comunicação da Funai, o objetivo é prevenir conflitos de terras entre índios e fazendeiros. A medida está relacionada ao histórico de embates em Mato Grosso do Sul em relação a disputa por terra.
De acordo com informações da Funai, foi enviado uma solicitação e devido a um impasse na documentação a área de cobertura de segurança atendia apenas uma localidade em Paranhos. A assessoria informou que a Funai pediu a presidência da república que os policiais fiquem em alerta ou a disposição da Fundação para oferecer segurança, caso seja necessário. A proposta é fazer com que a Força Nacional, que está em Dourados, possa auxiliar na segurança no interior. Na região compreendida pela Funai de Ponta Porã, estão aldeias ou acampamentos localizados em Paranhos, Antônio João, Iguatemi, Tacuru, Coronel Sapucaia, Laguna Carapã, Sete Quedas, Bela Vista, Amambai, Aral Moreira e Mundo Novo.
PARANHOS
De acordo com o Agência Brasil, a Força Nacional também está sendo solicitada garantir a segurança dos funcionários da Funai que pretendem se deslocar até a fazenda Jatobá, onde um grupo de índios guarani kaiowá e nhandeva fizeram a ocupação na última segunda-feira. A área é de 4 mil hectares declarada propriedade indígena em abril de 2000.
A propriedade fica a cerca de dez quilômetros do centro de Paranhos, perto da fronteira com o Paraguai. Segundo a comunidade indígena a ocupação é um protesto contra a demora na conclusão do processo de demarcação da área e na retirada dos não índios da Terra Indígena Potrero Guasu.
ARROIO KORÁ
Na Aldeia Arroio Korá, em Paranhos, índios e fazendeiros vivem em conflito desde que a terra foi reconhecida, demarcada e homologada pelo governo federal em 2009. No último dia 10 de agosto houve um ataque na madrugada. Lideranças indígenas informaram à polícia que um índio, desapareceu após a ação de pistoleiros. Naquele dia indígenas guarani-kaiowá fizeram um protesto e ocuparam áreas de uma fazenda no entorno da aldeia.
A Polícia Federal investiga o ataque e o desaparecimento do índio. O órgão destacou ainda que vai apurar, de forma imparcial, todos os atos ilegais que tenham sido cometidos, tanto por índios, quanto por fazendeiros.
No mês passado reunião entre indígenas e integrantes do Ministério Público Federal (MPF) terminou devido a um tiroteio. Na ocasião o MPF se reuniu para tratar sobre os conflitos na região, tenso desde o último dia 10 de agosto, quando ocorreu ataque contra os indígenas. Após os disparos o clima ficou tenso. A reunião chegou a ser interrompida, mas foi retomada.
CACIQUE
Em 18 de novembro do ano passado um cacique indígena desapareceu quando cerca de 40 pistoleiros encapuzados e armados invadiram o acampamento indígena, atirando e agredindo adultos e crianças. O caso ocorreu em Aral Moreira. De acordo com os índios, Nísio Gomes teria sido atingido por disparos e seu corpo levado pelos pistoleiros. A Polícia Federal em Ponta Porã cumpriu sete de oito mandados de prisão. O crime ainda é investigado e a busca pelo cacique desaparecido continua. A PF acredita que ele esteja morto

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BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...