domingo, 26 de fevereiro de 2012

Onde reside a esperança

Tenho andado pelo Brasil afora a mais de 20 anos em diversas comunidades indígenas e mestiças. O que todas elas possuem em comum é uma idéia de que dependem da boa vontade e da assistencia de instituições e governos. Se por um lado os governos não fazem a sua obrigação social, por outro lado estas comunidades se esqueceram que seus antepassados e sua sabedoria ancestral possuiam técnicas e saberes sustentáveis e não dependiam de supostas políticas sociais que na verdade escravizam mais do que libertam.
Tive uma experiência emocionante recente em Várzea Queimada, sertão do Piauí, onde remanescentes de escravos negros e de índios tapuias, fundaram em 1841 um povoado que vivia basicamente da roça. Atualmente vivem do artesanato produzido da folha da carnaúba e do re-aproveitamento do resíduo de pneu onde os homens fazem sandálias de borracha.
Através de uma parceria que reuniu o SEBRAE, o Instituto Arapoty, Marcelo Rosenbaum, equipe de permacultores e estudantes; fizemos uma profunda ação que resultou n a construção de um Centro comunitário, criação de cisternas para captação de água e desenvolvimento de diversos itens de produtos artesanais a partir da folha da carnaúba. a comunidade acolheu com alegria a possibilidade de tornarem-se efetivamente sustentáveis. E é nesse tipo de ação, que liberta e cria vínculos cooperativos, que reside a verdadeira esperança!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Fábulas para o Teatro

Este ano está sendo adaptado para o teatro as histórias xinguanas que contam como nasceu a lagoa Morená, do Xingú. São contos ancestrais onde os antigos narradores se tornam porta-vozes dos sentimentos e dos sonhos dos rios, dos peixes e dos animais da amazônia.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

No carnaval, índios lutam por terra na Bahia

Grupos de homens armados que se dizem indígenas da nação Pataxó, na Bahia, invadiram 35 fazendas na região sul do Estado durante os feriados de carnaval. O protesto ocorreu, principalmente, no município de Itajú do Colônia, próximo a Porto Seguro. Várias estradas chegaram a ser interditadas por homens armados. A Polícia Militar ainda não controlou a situação. Além desta região onde os descendentes de indígenas reivindicam a demarcação de 57 mil hectares como reserva, o conflito de terras  com os produtores rurais da região sul da Bahia também envolve os descendentes dos Tupinambás e se estende aos municípios de Ilhéus, Buerarema e Una. Ao todo são mais de 104 mil hectares ocupados historicamente por fazendas de gado e de cacau, mas hoje reivindicados pelo movimento indigenista com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai). Os dois casos estão na Justiça ainda sem solução.
Leonel Rocha

Após intenso trabalho no sertão, o retorno

Participar de uma ação para apoiar o povoado de Várzea Queimada, na sertão do Piauí, foi intenso. Em 15 dias construímos um centro comunitário, desenvolvemos juntos um acervo de produtos totalmente ecológicosa e sustentáveis, e tocamos na memória ancestral daquela gente boa. Agora é torcer para que a semente dê bons frutos!


uma pausa para o silencio


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A Gente Transforma aponta soluções sustentáveis para povoado




Soluções de permacultura, baixo orçamento, emprego de técnicas construtivas locais, respeito às características culturais da comunidade e participação de estudantes junto aos próprios moradores num sistema de mutirão. Essas são algumas ideias que norteiam o AGT 2012.
Confira abaixo algumas imagens para acompanhar a execução do projeto proposto pelo Grupo de Arquitetura do AGT 2012, que prevê a construção de duas salas, um pátio interno coberto por um pergolado, um coreto e uma cisterna para armazenar a água da chuva. Leia mais sobre o mutirão clicando aqui.
Maquete apresentada à comunidade
- SketchUp do Centro comunitário de Várzea Queimada: a Toca de Possibilidades
- Fotos do terreno antes da obra. A antiga lavanderia comunitária, nas fotos abaixo, estava desativada e passa a integrar o projeto:

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Violência contra índios ainda é grande

Quarenta e sete índios morreram assassinados no Brasil no ano passado, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e o Mato Grosso do Sul segue com o maior número de mortes violentas de indígenas no país. Foram 27 assassinatos no estado - 25 vítimas do povo Guarani Kaiowá e dois do povo Terena.

Entre os casos relacionados está a morte da estudante indígena Lucivone Pires, de 28 anos, queimada durante ataque a um ônibus escolar ocorrido em 3 de junho no município de Miranda, a 203 quilômetros de Campo Grande. Trinta estudantes estavam no veículo.

O levantamento não inclui ainda o caso do índio Nisio Gomes, desaparecido durante ataque ocorrido em 18 de novembro no acampamento Tekoha Guaiviry, em Aral Moreira, a 18 km da fronteira com o Paraguai. Gomes é considerado desaparecido, mas índios da comunidade afirmam que viram quando ele foi baleado e colocado numa caminhonete pelos agressores. A investigação está a cargo da Polícia Federal e seis pessoas devem ser indiciadas pelo crime, entre elas um proprietários de terras na região.

"As circunstancias das mortes são as mais variadas, mas estão relacionadas à vulnerabilidade dos indígenas por conta da questão da terra", explica Flávio Machado, coordenador do Cimi no Mato Grosso do Sul.

Segundo o Cimi, em 2010 foram 60 assassinatos, 34 deles no Mato Grosso do Sul, cujas vítimas foram 29 pessoas Guarani Kaiowá, um Guarani Nhandeva, um Terena, um Ofaye-Xavante e dois Kadiweu.

Além das mortes ocorridas em áreas de disputa, os indígenas são vítimas também de homicídios comuns, devido ao alto índice de alcoolismo registrado em acampamentos indígenas, onde as terras não foram demarcadas e são consideradas insuficientes para que eles possam manter a cultura e o modo de vida.

O Cimi ainda finalizou o levantamento de dados sobre suicídios nas aldeias, mas o problema prossegue. Segundo a missionária Lídia Faria de Oliveira, um menino de 10 anos se suicidou na semana passada na aldeia Panambizinho, em Dourados. A reserva tem 1.200 hectares, onde vivem 500 pessoas.

"Os índios recebem cesta básica e praticamente não há espaço e incentivo para a formação de roças. A aldeia é de índios guaranis e eles se organizam em núcleos familiares. Os filhos vão se casando e construindo suas moradias ao redor da dos pais. Nas famílias grandes, não há mais espaço para os netos", diz Lídia.

Segundo ela, na cultura dos guaranis não há adolescência. Os meninos são considerados adultos a partir de 12 anos de idade. Desta forma, a discussão sobre o futuro de cada um começa mais cedo.

"Esse menino passaria a ser considerado adulto daqui a dois anos, com a perspectiva de constituir família. É quando eles aprendem a caçar e plantar. Para eles, a perspectiva de futuro ocorre mais cedo. Quando começam a olhar para o futuro, muitos perdem o sentido da vida", explica Lídia.

O Mato Grosso do Sul tem várias áreas de conflito entre fazendeiros e índios, que reivindicam a posse de terra. No estado, o ano começou com a perspectiva de possíveis confrontos.

Rogério Batalha Rocha, assessor jurídico do Cimi no Mato Grosso do Sul, lembra que há duas ordens de despejo de comunidades indígenas determinadas pela Justiça.

A Justiça Federal determinou a desocupação da terra Laranjeira Nhanderu, onde moram 127 índios, metade deles com até 13 anos de idade. Eles ocupam uma área considerada reserva legal de uma propriedade particular. Segundo Rocha, são 300 hectares de Mata Atlântica nativa, cortada pelo Rio Brilhante, onde os indígenas encontraram condições ideais de vida, pois a preservação garante a caça.

"Não há ainda estudo da Funai que indique, pelo relatório antropológico, que a terra tenha sido ocupada pelos índios e é isso que eles pedem", afirma Rocha.

Outra decisão de despejo, em dezembro, partiu do ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo sobre a área conhecida como Terra Indígena Cachoeirinha, no município de Miranda, na região do Pantanal. Ali, os índios ocupam 400 hectares da fazenda Xarqueada do Agachi, onde mantêm 125 hectares de lavoura plantada.

Em 28 de dezembro passado, o ministro Marco Aurélio concedeu liminar (antecipação de tutela) na Ação Cível Originária e preservou, até decisão final do processo, a posse, por particulares, da fazenda. O imóvel havia sido incluído em 2008, pelo Ministério da Justiça, em reserva indígena de posse permanente do povo Terena.

O ministro argumentou que os proprietários têm a posse desde 1892 e que a família detentora possui título de propriedade do imóvel desde 10 de dezembro de 1940. A fazenda foi incluída na expansão da área da reserva indígena Cachoeirinha após estudo técnico da Funai, concluído em 2003, e os proprietários brigam para garantir o título das terras.

Segundo o Cimi, 7 mil índios Terena vivem numa área de 2.500 hectares na região e há estudo antropológico que indica que as terras indígenas somam 36.288 hectares.

"O STF demora a julgar a questão. Até agora apenas o relator se manifestou e outros ministros precisam se posicionar", diz Rocha.

Esta é a segunda vez que os índios ocupam a fazenda.

"Já tivemos dois anos atrás desocupação violenta na região, com agressão e vários índios feridos", afirma o representante do Cimi.

Da Agência O Globo


Ponto de Cultura Arapoty retoma suas atividades

No dia 25 de fevereiro o Ponto de Cultura Arapoty, de Itapecerica da Serra, re-inicia suas atividades

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