terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Língua indígena "M'BIÁ" será patrimônio imaterial

Um dos primeiros grupos a estabelecer contato com os europeus, no início da colonização do continente americano, a população guarani resistiu ao processo de ocupação e domínio que dizimou os povos originários na região. Para sobreviver a este processo, uma das principais formas de resistência se deu pela preservação do idioma.

O rico repertório lingüístico utilizado entre os falantes da etnia Mbyá Guarani será reconhecido como patrimônio nacional listado entre os bens culturais imateriais, acervo de expressões simbólicas protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC).

Para isso, acaba de ser lançado um inventário sobre a língua dos Mbyá, durante encontro promovido pelo Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (Ipol), órgão responsável por executar a pesquisa e instituir o levantamento entre 69 aldeias dos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, áreas geográficas por onde se distribuem os integrantes desta etnia.

O levantamento sobre o sistema da língua Mbyá começou a ser realizado em 2009. Já o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), foi instituído pelo Decreto nº 7.387, em 2010. Este dialeto deriva do idioma Guarani, que está ligado à família Tupi-Guarani, que, por sua vez, pertence ao tronco lingüístico Tupi.

Para estabelecer parâmetros no contexto do plurilinguismo brasileiro, o INDL lançou seis categorias de língua, possíveis de serem inventariadas, a saber: 1) língua indígena próxima da extinção; 2) língua indígena de grande população e extensão territorial; 3) língua de imigração; 4) língua de comunidade afro-brasileira; 5) língua crioula; e, 6) língua de sinais.

O Guarani Mbyá situa-se nesta abordagem pela abrangência de seu uso. Para o levantamento deste idioma, o Ipol reuniu quase mil questionário de lideranças e chefes indígenas, além de recorrer a arquivos de banco de dados, pesquisa de campo, registro de imagens fotográficas, registro de lista de palavras, depoimentos audiovisuais e coleta de variados materiais.

De um modo geral, para o povo guarani a linguagem está intimamente vinculada à própria cultura, onde a língua e a palavra ajudam a moldar a ética, a conduta e a prática social deste grupo indígena. Para muitos estudiosos, o idioma, juntamente com a ancestralidade e os costumem são os três elementos principais da formação da identidade guarani, constituindo o “modo de ser” deste povo.

A preservação, difusão e reconhecimento do valor e da dimensão cultural da língua Mbyá, através das garantias e salvaguardas legais que dispõem os bens imateriais do patrimônio brasileiro, além contribuir para manter viva este dialeto, ainda irá ressaltar a importância da pluralidade lingüística existente no Brasil. Em nosso território, são falados mais de 200 línguas diferentes, entre as quais, 180 são indígenas, sem contar aquelas praticadas entre os falantes de grupos isolados.

De acordo com estimativas, durante a conquista e ocupação européia, havia no país cerca de mil e trezentas línguas indígenas. Os estudiosos agrupam as idiomas dos povos originários aos troncos Tupi, Macro-Jê e Aruak, reconhecendo, entretanto, o limite desta forma de abordagem, já que existem famílias que não se relacionam a nenhuma destas categorias e outras tantas línguas que nunca foram estudadas.

Os Guarani Mbyá mantém até hoje a plenitude e vivacidade de sua língua, que é transmitida principalmente por meio da oralidade. Para a maioria dos Mbyá mais velhos, o dialeto é a única forma de expressão verbal e, para um pequeno grupo de falantes, formado especialmente por jovens, há alguma fluência em português.

Os bens imateriais do patrimônio cultural brasileiro são definidos pela Constituição Federal como as práticas, habilidades e domínios empregados na vida social, manifestados através de saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas e nos lugares, como mercados, feiras e demais espaços onde se expressam as práticas culturais coletivas.

A partir de 2000, o Ipham adotou o Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), que foi sendo testado e ampliado como principal instrumento da política de proteção aos bens culturais do país.



______________________________
(Guatá/Paulo Bogler/Com informações da Funai e do Iphan)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Formando uma cidadania em Itapecerica da Serra

O ponto de cultura Arapoty reinicia em fevereiro as suas atividades com o objetivo de formar jovens cidadãos em produção cultural, artes manuais, teatro e literatura.

sábado, 21 de janeiro de 2012

A TRIBO QUE VAI TRANSFORMAR O PIAUÍ


Henrique, Kaká, Tomaz e Harume: análise dos trabalhos. Fotos: Tatiana Cardeal.
Mais de 200 universitários de todo o país se inscreveram para o projeto A Gente Transforma (AGT) 2012 – Chapada do Araripe. E não foi tarefa fácil escolher o grupo que irá ao povoado de Várzea Queimada, no coração do semiárido, participar das ações que vão transformar a comunidade em um lugar melhor para viver, com geração de renda e justiça social.
O alto nível dos trabalhos apresentados foi o ponto forte do processo seletivo. Criatividade, compreensão da realidade local, percepção socioambiental e propostas concretas do que fazer estavam presentes em praticamente todos os trabalhos. Por conta disso, a comissão julgadora optou por ampliar de 15 para 17 o número de estudantes selecionados.
Em fevereiro, eles irão à Várzea Queimada para unir esforços com a comunidade e encontrar soluções de permacultura para melhorar o saneamento básico, a iluminação das casas, o problema da água contaminada e da falta de infraestrutura. Nessa tarefa, os estudantes serão orientados pelos arquitetos e urbanistas Henrique Pinheiro e Tomaz Lotufo.
Em paralelo, a equipe coordenada pelo designer Marcelo Rosenbaum vai se unir aos artesãos locais para uma série de oficinas de capacitação e geração de renda. O objetivo será a produção de novas peças, voltadas para o mercado brasileiro de decoração.
Tomaz, Adriana e Ana: trabalhos de alto nível dificultaram a escolha.
O AGT 2012 é uma parceria do escritório Rosenbaum® com o SEBRAE-PI e com o Governo do Estado do Piauí.
Confira a lista dos estudantes que farão parte do AGT 2012..

.
Foram avaliados mais de 200 trabalhos.
.Comissão de seleção
As seguintes pessoas fizeram parte da comissão de seleção: Adriana Benguela – arquiteta e diretora geral do AGT; Ana Galli – arquiteta; Ana Paula Harumi – arquiteta e coordenadora do AGT; Elaine Saron – diretora de projetos do Instituto Arapoty; Henrique Pinheiro – arquiteto e urbanista; Kaká Werá, diretor-presidente do Instituto Arapoty; Marcelo Rosenbaum – designer e diretor geral do AGT; Marques Casara – jornalista e diretor de conteúdo do AGT; Tomaz Lotufo – arquiteto e urbanista.
Marcelo e Elaine assistem os vídeos enviados pelos candidatos.
Comentários
No geral, os trabalhos estavam brilhantes. Minha percepção é a de que os alunos querem ir para ajudar, para somar esforços com a comunidadeKaká Werá.
Fiquei impressionada com o nível de consciência social dos estudantes que participaram do processo seletivoAdriana Benguela.
Vi muita gente conectada, querendo transformar o nosso país em um lugar melhor. São jovens que poderiam estar fazendo outra coisa durante as férias, mas que optaram viajar com o AGT para um lugar árido e difícilMarcelo Rosenbaum.
A equipe responsável pelo processo seletivo foi bem coerente nos critérios. Formamos um grupo o mais interdisciplinar possível. Assistir os vídeos dos inscritos mostrou que os estudantes estão conectados com o momento e com a temática. Parabéns a todos os selecionados e aos que enviaram vídeos e textosHenrique Pinheiro.
O processo de seleção foi muito desafiador para nós. Os vídeos demonstram grande esforço e dedicação por parte de universitários de todo o país. Muitos jovens evidenciaram espírito de mudança e vontade de transformar a sociedade, colocando de fato a mão na massaTomaz Lotufo.

Rosenbaum em entrevista à ÉPOCA sobre o AGT


A Revista Época publicou nessa terça-feira, 17 de janeiro, uma entrevista super bacana com o Marcelo sobre o projeto A Gente Transforma.
Agradecemos ao time da redação da Época e reproduzimos logo aqui abaixo a entrevista na íntegra.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Mulher e escritora indígena

A questão da mulher e de sua presença como protagonista da história do Brasil é algo que a história oficial também faz questão de esconder, mesmo nestes tempos em que temos a primeira presidente do genero feminino  governando o país.
No século XVI, durante os primeiros 50 anos de Brasil, centenas de mulheres indígenas foram "pegas á laço" para satisfação sexual dos portugueses, o que gerou uma mestiçagem forçada, mas ao mesmo tempo foram elas que cederam o ventre para a semeadura do povo brasileiro.
Mesmo entre as diversas culturas das matrizes ancestrais, o papel da mulher foi a de oprimida, com algumas excessões, como no caso das "icamiabas", as mulheres guerreiras que ficaram conhecidas como as "amazonas" desta Terra e que deram origem ao nome do estado do Amazonas.
Na literatura, podemos destacar Eliane Potiguara, mulher ativista, criadora do Grumin, uma organização que trabalha o protagonismo feminino entre os povos indígenas e escritora de um livro clássico na questão indígena intitulado "Metade Cara, Metade Máscara".
Mas infelizmente, mesmo em diversas etnias das nossas raízes, é grande o preconceito e a opressão em torno do papel do feminino na sociedade humana. Precisamos mudar também este velho paradigma.

Turma da Unipaz em Recife

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Literatura indígena

A literatura escrita por índios é relativamente nova no Brasil. Iniciou-se no principio dos anos de 1990. Isso não quer dizer que os índios não escreviam ou que não haviam aprendido os códigos de comunicação da sociedade que aqui aportou no século XVI. Os padres jesuítas ensinavam os guarani a ler e escrever desde essa época. O incoveniente é que eles usaram a educação como um método de desvalorizar a cultura ancestral. mas índios escreveram sobre medicina das ervas, sobre seus mitos e suas formas de pensar.
Os primeiros brasileiros á estudar no exterior foram os tupinambás, em 1556, quando foram fazer apresentações culturais na França. eram cerca de 50. desses, talvez entre cinco e dez ficaram por lá, estudando e aprendendo outra cultura.
Mas infelizmente tudo que existe escrito sobre índio até o início dos anos 90 ou foi uma visão de aventureiro, ou de etnólogo, antropólogo, sociólogo ou algum destes especialistas da academia. Isto não quer dizer que não buscaram refletir suas impressões ou estudos com seriedade. Tem muita coisa boa escrita sobre índio por especialistas não indígenas. mas tem muita coisa ruim também, e algumas viraram 'verdades" históricas; como a idéia de "indio comedor de gente', a idéia de índio arredio ao trabalho, que na verdade era erredio á escravidão, entre outras.
No início da década de noventa eu escrevi um livro chamada TODAS AS VEZES QUE DISSEMOS ADEUS e Daniel Munduruku escreveu um livro chamado COISAS DE ÍNDIO. De lá para cá, inúmeros escritores indígenas foram surgindo. Aliás, Daniel se tornou um grande incentivador não somente da literatura indígena, mas do surgimento de escritores indígenas. Estimulou através de promoção de encontros, da organização de entidade específica, da promoção de parcerias com editoras.
Hoje existem mais de trinta escritores indígenas em atividade, trazendo a expressão de seus pensamentos e de suas respectivas literaturas, colaborando para diminuir a distancia de entendimento de costumes, valores, mitologias, etc; entre a sociedade não indígena e os remanescentes das culturas ancestrais.

Kaká Werá e Rosenbaum resgatam conceitos de eco-arquitetura

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

índio e política

A política para o índio no Brasil é baseada no mais perverso jogo de relação de dependência e assistencialismo que existe no país. É um jogo antigo, pois é assim desde o século XVI. A lógica é a mesma: primeiro cooptam alguns índios por alguma ninharia e promessa; depois estimulam a fofoca para por parente contra parente, líder contra líder, grupos contra grupos. E por fim, vão mantendo a relação com alguns incautos, no banho maria, na base de presentinhos e servicinhos básicos.
No Brasil, o principal tema que se relaciona ao índio é a questão da demarcação das terras, que é é um outro jogo; o de campo minado, onde de um lado estão os interesses de ruralistas que querem manter o domínio sobre quase 320 milhões de hectares de terras desta nação, e do outro: povos e culturas diversas de entendimentos fragmentados em relação á esta causa. É muito desigual. Para inúmeras lideranças indígenas fica o isolamento e a dificuldade de articulações capazes de criar condições para fazer valer direitos básicos, como o de ser reconhecido o seu espaço ancestral.
Junta-se á isso o fato de que o órgão nacional que deveria tratar das políticas para a diversidade dos povos indígenas está sobrecarregada de maledicências e corrupções de décadas, onde o fio desta meada vai longe. Por isso, não é mudando uma pessoa que se irá resolver os problemas que caem sobre a Fundação Nacional do Índio, mas há que se mudar toda uma mentalidade, um modo de se relacionar com as culturas tradicionais, e há que se mudar um comportamento soberbo,de visão distorcida e corrupto de um pequeno grupo que tem se mantido no poder nas últimas décadas.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

De Itapecerica para o Brasil

O projeto " A Gente Transforma" de Marcelo Rosenbaum, apresentado no ponto de cultura Arapoty, em Itapecerica da Serra, será realizado em diversos lugares do Brasil

A Gente Transforma

em 2012, a partir de fevereiro Marcelo Rosenbaum e Kaká Werá estarão atuando juntos no projeto " A Gente Transforma", idealizado por Rosenbaum que visa apoiar comunidades em sua re-estruturação social a partir do núcleo familiar e da moradia. Vão começar pelo nordeste, na Serra do Araripe.

Postagem em destaque

BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...