segunda-feira, 11 de julho de 2011

Xingú

Os índios caiapó estão espalhados em aldeias dispersas ao longo dos rios Iriri, Bacajá, Fresco e de outros afluentes do rio Xingu, desenhando no Brasil Central um território que pode ser comparado ao da Áustria, praticamente recoberto pela floresta equatorial, com exceção da porção oriental, preenchida por algumas áreas de cerrado. - Cerca de 270 pessoas compõem os iudjá, segundo censo aplicado no ano de 2001.

Os integrantes da tribo são antigos habitantes das ilhas e penínsulas do Baixo e Médio Xingu.

Este povo está separado em dois grupos: os que vivem na região do Médio Xingu, na Terra Indígena Paquiçamba e em Altamira (Pará), e uma porção que se localiza no alto curso do mesmo rio, na área do Parque Indígena do Xingu (PIX) criado em 1961 no Estado do Mato Grosso.

Já os caiabi estão, em sua maioria, no parque indígena, onde se destacam pela prática de uma agricultura forte e diversificada, uma arte caracterizada por complexos padrões gráficos de inspiração mitológica e uma participação ativa no movimento indígena organizado em defesa dos interesses das etnias do Parque.

Os iaualapiti vivem no Alto Xingu, local onde existem grupos de diferentes línguas que compartilham o mesmo repertório cosmológico, com modos de vida semelhantes e articulados por trocas comerciais, casamentos e cerimônias entre aldeias.

Além da prática do xamanismo, os uaurá são singulares em sua cerâmica, no grafismo de seus cestos, sua arte plumária e máscaras para rituais.

Os índios nauquá detêm o título de menor grupo existente no Alto Xingu.

Em contrapartida, os meinaco são parte de um amplo complexo de povos pouco diferentes entre si. O sistema especializado de trocas comerciais, os rituais e os padrões de intercasamento a um só tempo enredam e particularizam os meinaco das demais etnias que os circundam.

Também conhecidos como crenacore, ou índios gigantes, os indígenas panará foram oficialmente contatados em 1973, quando a estrada Cuiabá-Santarém estava em construção e cortava seu território tradicional na região do rio Peixoto Azevedo. A violência do contato ocasionou morte de aproximadamente 75% de sua população, em razão de doenças quase sempre fatais causadas pela falta de resistência biológica e por guerras.

Em 1975 foram transferidos pela Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Parque Indígena do Xingu. A pintura corporal, a arte plumária e a música assimilaram elementos da cultura xinguana, principalmente dos caiapó, seus vizinhos mais próximos.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Cidadãos começam a assumir suas identidades culturais


Uma procissão de índios americanos marchou pelas ruas da cidade de Nova York no início de maio, dançando ao som de tambores tribais. Eles vestiam coloridos trajes típicos, usavam cocares e dançavam em círculos, como dita o costume, ao longo de um parque.

Mas havia algo diferente a respeito dessa tribo, a Tlaxcala, e quando a música parou e a conversa recomeçou, a diferença ficou clara: eles falavam espanhol.

O evento era o Carnaval, uma tradição anual celebrada por tribos indígenas da terra que hoje representa o México. E, apesar de séculos de influência espanhola, os originários da região identificam-se por sua herança indígena.

Quando Fernando Meza é questionado sobre sua identidade, ele responde: "Sou índio". "Eles dizem: 'Mas você é mexicano?", conta Meza, um participante do desfile da tribo Tlaxcala. "E eu digo: 'Mas eu sou um índio??.

Meza representa uma das mudanças percebidas no censo de 2010, que mostrou uma explosão de pessoas de origem hispânica que também se identificaram como índios americanos.

A tendência é parte de um crescimento demográfico que ocorreu em todo o país e no qual hispânicos usaram a definição "Índio Americano" para identificar sua raça. O número de índios ? um termo geral para designar os povos indígenas das Américas, Norte e Sul ? que também se identificou como latinos triplicou desde 2000, passando de 400 mil para 1,2 milhão.

"Houve um aumento real e dramático na imigração dos ameríndios da América Latina", disse José C. Moya, professor de história latino-americana na Faculdade Barnard.

Os índios americanos ainda são uma pequena fração do total da população hispânica dos Estados Unidos, que chegou a 50 milhões este ano. Mas a mudança nos dados do censo representa uma maior sensibilização entre os latinos nativos que acreditam que seu patrimônio se estende mais para trás do que as nacionalidades disponíveis no formulário do censo.

A tendência não está ocorrendo somente entre os recém-chegados aos Estados Unidos. Nancy Perez, que divide sua casa com a irmã e os pais, realizou uma reunião familiar para decidir como deveriam se identificar no censo.

Seus pais se mudaram para os Estados Unidos de Puebla, no México, e apesar de sua família ser mista, "se você voltar no tempo, somos indígenas", disse Perez. Índio Americano, eles decidiram, faz mais sentido.

"Sentimos que haviam opções muito limitadas", disse Perez, 32. "De todas as opções disponíveis, essa era a melhor".

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Modernizar-se sem perder a identidade

Com cerca de 3 mil falantes, a língua waotededo, dos indígenas waodani da Amazônia equatoriana, é um dos idiomas ameaçados do mundo, mas que um programa de educação bilíngue que dá à comunidade ferramentas para enfrentar o mundo moderno pretende preservar.
Após uma viagem de dias de canoa, carro, a pé e em um pequeno avião, Samuel, Manuel, Gayaque e cerca de 20 estudantes chegam à aldeia amazônica de Toñampari para participar de um programa aprovado pela Universidade de Cuenca, no Equador, com o objetivo de preservar as culturas dos ancestrais.
Todos compartilham uma mesma língua, o waotededo, um dos 14 idiomas indígenas do país, mas dos quais oito correm o risco de se extinguir, segundo um estudo promovido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2010.
Apenas o quíchua se mantém forte, enquanto outras línguas indígenas vão se perdendo, como é o caso do zápara, que atualmente só é dominada por seis idosos, e o épera, um idioma do litoral do Equador praticamente esquecido.
"O castelhano, perante todas as línguas ancestrais, tem um domínio absoluto nos meios de comunicação, e os sistemas administrativos do país são exercidos com base na língua espanhola. Isso faz com que tenhamos menos possibilidades de sobreviver", explicou o secretário de Educação do Equador para o Diálogo Intercultural, Alberto Guapizaca.
Com a licenciatura bilíngue se busca fazer com que "os jovens que estão estudando façam sua cultura prevalecer falando o waotededo quando se formarem", disse à Efe Víctor Llangarí, professor do projeto Sasiku.
O programa nasceu em 2006 através de um acordo entre a Direção Nacional de Educação Intercultural Bilíngue (Dineib) e a Agência Catalã de Cooperação ao Desenvolvimento, e oferece, entre outros, licenciatura em Educação Intercultural Bilíngue.
Ensinar na própria selva envolve grandes dificuldades, que os docentes das comunidades encaram como muita dedicação. Apesar dos salários terem dobrado durante o último Governo, os professores cobram entre US$ 250 e US$ 500, o que impede muitos deles de visitar suas famílias frequentemente, já que uma passagem de avião custa cerca de US$ 300.
"Se os professores querem retornar à sua casa caminham, de Pastaza e Napo até suas comunidades. Se trabalham três ou quatro meses e conseguirem economizar, além de ajudarem sua família, podem retornar de avião", disse Julio Remigio Chimbo, supervisor educativo da região e que conhece bem a selva, pois visita as comunidades para supervisionar os planos de estudo.
Devido ao isolamento de Toñampari, a maioria das famílias fala waotededo, enquanto na escola prevalece o espanhol, já que muitos professores são indígenas de outras etnias.
Mesmo assim, entre aulas de matemática, ecologia, língua espanhola e horticultura, os alunos também aprendem waotededo. "Estou ensinando as crianças waodani e tenho que lutar por eles, para que também sejam parte disso e não esqueçam sua língua materna", explicou Rosa Alvarado, professora da comunidade e estudante das oficinas do projeto Sasiku, que disse temer que os jovens que partam paras as cidades "percam sua identidade" e sua cultura.
Essa não se trata de uma preocupação infundada, pois muito jovens desejam deixar o povoado para continuar seus estudos e trabalhar. "Passei muito tempo aqui, desde a infância, e, por isso, eu gostaria de ir à cidade para visitar ou conseguir outros trabalhos", disse Claudia, estudante de ensino médio de 23 anos e mãe de dois filhos.
Por sua vez, Gayaque Enqueri, procedente do Parque Nacional do Yasuní, o território ancestral dos waodani, resumiu o real desejo dos alunos do projeto Sasiku: tornar-se modernos sem perder a identidade.

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BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...