terça-feira, 26 de abril de 2011

ENTREVISTA DE KAKÁ WERÁ PARA HIEROPHANT

1- vivendo no mundo real das cidades grandes, qual seria sua dica
de responsabilidade social para cada habitante ?

R: a responsabilidade social para cada indivíduo começa com o interesse e a participação nas questões sociais de seu local, região, ou cidade. Trata-se da presença cidadã. Muitas vezes criticamos aqueles que estão no poder, usurpando, mentindo e degradando o ambiente; mas na verdade muita coisa é resultado de nossa omissão social.


2- Diversidade social e Sabedoria ancestral, como usar estas ferramentas de forma harmonica para equilibrar nossa mente e nossos atos?

R: A diversidade social implica em aprendermos respeitar as direnças culturais e comportamentais de pessoas e instituições. A Sabedoria Ancestral implica em reconhecermo-nos como uma extensão de elos que vão além da tribo chamada humanidade, e que há uma interrelação entre todos os reinos, ecossistemas e aspectos imateriais que precisamos aprender a nos relacionar de modo compassivo e cuidadoso. Estes dois aspectos por sua vez implica em uma mentalidade que passe a agir com responsabilidade sobre seus pensamentos, sentimentos e atitudes.

3- Se reconhecer na essência,ter conciência de si faz com nos relacionemos melhor com o todo?

R: Buscar a verdade essencial do que somos fará toda a diferença para a nossa existência e de nossas relações. Diferença para melhor, é claro!

4- ser e estar ligado à natureza nos trás satisfação, como podemos fazer este religare diariamente,nessa vida turbulenta que a maioria leva?
Você acha que é possível? que uma caminhada no parque ,uns minutos no sol,podem mudar o dia da pessoa?

R: Estar ligado á natureza traz mais que satisfação. Mas não existe somente a natureza física, a tradição ancestral considera que devemos nos ligar á nossa verdadeira natureza interior. Uma caminhada no parque, uma reverência ao sol da manhã, ao horizonte, ao vento que bate no rosto, acende essa conexão com a nossa natureza interior. O segredo está na reverência e na gratidão á todas as coisas, á todas as formas de manifestação da vida.













5- felicidade? o que é ? como reconhecê-la?



R: Há três tipos de felicidade; o primeiro tipo é aquela felicidade que se caracteriza como uma sequência de momentos prazerosos para os nossos sentidos. O segundo tipo é aquela que ocorre quando nos sentirmos amados; e o terceiro é quando amamos indistintamente, se impor condições a nada e nem ninguém e sem se preocupar se somos amados ou não. Podemos reconhecer a felicidade pelo brilho nos olhos e a luminosidade no rosto. Existe um quarto tipo que é a felicidade da criança, que é pura e gratuita, para mim essa é a felicidade perfeita.



6- a origem e cultura indígena,não foi respeitada pelos imigrantes e acabou sendo vista como um folclore indigena, sem ser dado o devido valor. O projeto Arapoty nos remete á esse universo que foi esquecido, por favor nos fale um pouco sobre o projeto.


A cultura indígena foi desrespeitada a partir do século XVI, por interesses relacionados á exploração das riquezas da terra e escravização de pessoas. Esse foi o foco que desviou a atenção dos colonizadores para o respeito ás diferentes culturas e para o uso adequado dos recursos e riquezas naturais. O Instituto Arapoty tenta ajustar o foco do homem contemporâneo para o respeito á diversidade e para o uso adequado de recursos e riquezas.




7 - Você postou no seu blog que 1/3 da população miserável no mundo é indigena e que em 100 anos 90% de todos os idiomas indígenas devem
desaparecer junto com suas tribos.
Como a gente vive esta notícia no brasil, qual é conciência do povo brasileiro,perante à este desrespeito ?


Esses dados são da ONU. As culturas indígenas foram pressionadas pelo crescimento desenfreado e pelo abuso relacionado á diversos tipos de invasões e explorações: territoriais, culturais, religiosos. Isso gerou esse tipo de miséria. Hoje existe uma parcela da população que reconhece a necessidade de rever sua relação com os povos indígenas e a natureza, mas é preciso conscientizar mais pessoas

domingo, 24 de abril de 2011

Um terço dos miseráveis no mundo são índios

Um terço das 900 milhões de pessoas que vivem em extrema pobreza no mundo são indígenas, diz um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) publicado nesta quinta-feira (21). O relatório A Situação dos Povos Indígenas do Mundo foi divulgado pelo Secretariado do Fórum Permanente sobre Questões Indígenas das Nações Unidas. De acordo com os resultados da pesquisa, a falta de acesso à saúde e educação faz com que a expectativa de vida da população indígena chega a ser 20 anos inferior à média nacional em alguns países, como Nepal e Austrália. Uma das mais graves ameaças a esses povos é o desrespeito por suas terras. O estudo ainda estima que em 100 anos, 90% de todos os idiomas indígenas devem desaparecer junto com suas tribos.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Caboclos querendo ser ingleses

É preciso rever a idéia de que somos um país que descende, predominantemente, da Europa e dos europeus. Em quase um século após a carta que é tida como certidão do nascimento do Brasil, não havia mulher européia por aqui. Sim, os gigantes paulistas que empunhavam as bandeiras eram mestiços. A língua tupy predominou por estas terras até o final do império, quase já no século XIX, e com ela, hábitos e maneiras de comportamentos se fundiram em um jeito brasílico de ser e de se expressar.
Até a década de 90, nos registros de nascimento, de identidade e nos recenseamentos, o cidadão tinha como opção, se não era branco, nem amarelo e nem negro, de declarar-se pardo. E como vocês sabem, de noite todos os gatos são pardos. Curiosamente, quando o IBGE permitiu a declaração dando referência ao termo “indígena”, aumentou a população principalmente os que moram em áreas urbanas.
Segundo o censo, em 1991, o percentual de indígenas em relação à população total brasileira era de 0,2%, ou 294 mil pessoas no país. Em 2000, 734 mil pessoas (0,4% dos brasileiros) se auto-identificaram como indígenas, um crescimento absoluto, no período entre censos, de 440 mil indivíduos ou um aumento anual de 10,8%, a maior taxa de crescimento dentre todas as categorias de cor ou raça. O total do país apresentou, no mesmo período, um ritmo de crescimento de 1,6% ao ano.
Apenas 0,32% dos indígenas do País conseguem superar o preconceito e ingressa no ensino superior.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Parto da Grande Mãe

Pablo Werá, um guarani da fronteira entre Paraguai e Brasil, no início do século passado havia sonhado que "na dobra do tempo" quando iniciasse um novo ciclo de datas, a Mãe Terra entraria em processo de parto para o nascimento de uma nova expressão de si. Uma nova estrela brilharia no Cosmos. E disse que Tupã renasceria no coração do estrangeiro.Essa profecia foi registrada no livro "Ayvu Rapyta" de Leon Cadogan, na década de trinta.
O povo Maia também predisse que nesta época, que corresponderá ao ano de 2012, a Mãe Terra entraria definitivamente na quarta dimensão, após um longo processo de purificação. E o que é mais incrível é que essas previsões se baseavam em estudos matemáticos e não em transes místicos.
Realmente estamos em um momento de muita conturbação, tanto coletivamente quanto individualmente.
Os valores, a ética, e a consciência encontra-se em momentos de profunda degradação. Há que se limpar, dissolver, transmutar, muitos padrões de comportamento e pensamento que se tornaram crenças errôneas nesta grande tribo chamada humanidade.
Em junho estarei com Roberto Crema fazendo um retiro para uma profunda reflexão sobre este parto.

ROBERTO CREMA E KAKÁ WERÁ NA UNIPAZ EM JUNHO

É com alegria que anunciamos mais esta imersão com Roberto Crema e Kaká Werá.
Nesta imersão, Roberto Crema e Kaká Werá, através de vivências e reflexões, facilitarão um
mergulho profundo de consciência neste movimento de transição planetária, que se encontra
em curso, que podemos denominar de: Parto da Grande Mãe.

“Trata-se de um processo de morte e de renascimento, para o surgimento de uma humanidade
reconectada com a dimensão Essencial. A qualidade da Terra mudará, num processo
transformacional que transcorrerá em etapas. No Parto, todos estamos submetidos a um
estado intensificado de evolução ou involução. Não é possível uma previsão, pois não há
predeterminação de datas precisas: a consciência humana interfere na realidade. Bênçãos,
ensinamentos e inspirações se destinam a facilitar para que possamos nos tornar um cálice
receptivo. Na semeadura do novo, reflorescerá a terra fértil do coração humano.
Os quatro elementos estarão intensamente envolvidos”.
Transcomunicação: Mensagens da Luz – Os Anjos Falam, Pierre Weil, Roberto Crema e Amyr Amiden.

É tempo de voltarmos os nossos sentidos, através dos ritos, para o desvelar dos mitos,
preciosas representações arquetípicas com as quais o Mistério nos provê.

"O rito expressa um mito, encarnando-o. O mito é o coração do rito, sua estrutura
significativa. Rito e mito são duas faces de uma mesma realidade, essencialmente humana.
Quanto mais fundo mergulhamos na transformação, mais próximos estaremos da ordem Mítica,
de onde emana o rito. Há uma clara e generalizada tendência no mundo contemporâneo,
de resgatar o valor do mito e do rito, que conformam todas as grandes Tradições Sapienciais
da humanidade. Estamos vivenciando a demo-lição para a reconstrução, movimento que
alguns denominam de reencantamento do mundo. Tornar-se Sujeito do próprio mito:
Tarefa Alquímica da Individuação.” Roberto Crema
“Os mitos servem de modelos para civilizações, culturas, nações e indivíduos. Quanto aos
nossos mitos mais íntimos, eles sustentam nosso sentido na vida terrena.
Entretanto, existem também os mitos falsos, que nos desolam, que nos desestruturam,
que nos cegam ou encobrem a percepção real do nosso momento no mundo.

Quando se percorre o Caminho do Guerreiro, o aprendizado baseia-se na seiva da memória
que, das raízes, percorre o tronco, os galhos e as folhas da Árvore da Vida, que busca o Sol.
No Caminho do Guerreiro, cabe a cada um discernir os seus mitos, os verdadeiros e os falsos.
É preciso des-a-fiar o que foi tecido pelos fios divinos e o que foi tecido pelos fios humanos.
Quando se principia o discernimento, o ser humano torna-se um "txukarramãe", ou seja,
torna-se um GUERREIRO SEM ARMAS.” Kaká Werá

É importante lembrar que desde as culturas mais antigas da Terra, os ritos possuem uma
profunda importância para a consciência, para a psique e para o corpo humano,
de modo integral. O rito entroniza, celebra, consagra, purifica, glorifica. Mas devemos
cuidar eaveriguar os ritos com acuidade e discernimento. Existem ritos que fortalecem
crenças errôneas e existem ritos que fortalecem nossos laços com a Divina Presença.
Existem ritos que nos refazem os laços com uma Fé Inabalável em o Grande Mistério, cuja
expressão é compaixão, discernimento, beleza interior e a tão preciosa paz.
Neste encontro, através da interação com a natureza, refletiremos e vivenciaremos os
Mitos e Ritos:
> Nas águas do mar, com o objetivo de purificação das emoções e de renovação do nosso
corpo emocional e nossa vitalidade, tão necessários para a harmonia pessoal e coletiva;
> Partilharemos com o Fogo Sagrado um rito de purificação da mente, para que velhas,
errôneas e distorcidas crenças sejam desvencilhadas;
> Com o ar faremos o rito de integração do Ser intangível com o tangível que há em cada
um de nós, renovando nosso poder de discernir e nossa capacidade de acolher a
inspiração do Grande Mistério;
> Com a terra ancoraremos e enraizaremos nossos propósitos mais sagrados e íntimos,
enraizando no aqui e agora;
> Através do silêncio, integraremos todas as forças e potenciais interiores em uma clareza
além das dimensões racionais;
> O Parto da Grande Mãe na Terra e o Parto Nosso de cada dia;

> Mitos e paradigmas: a função do Pajé;

> Mito e mistificação: da mentira ao Mistério;

> O Círculo de Eranos: um apogeu simbólico do Ocidente;

> Mundus Imaginalis, imaginação ativa e o poder do invisível;

> Hermenêutica transdisciplinar - integração, autoria e liberdade;

> A Morada do Encontro: o Templo da Reconstrução.
É tempo de seguirmos o Caminho do Guerreiro desarmado ou com as armas da consciência,
na trilha rumo à plena e verdadeira realização para sairmos desta imersão mais preparados
para um novo reencantamento da vida.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Sustentabilidade

Quando as culturas humanas deixaram de ser verdadeiramente sustentáveis, ou seja, considerando como parte de seu desenvolvimento o cuidado com os recursos da natureza, suas disponibilidades, seus ciclos e sua sazonalidade; não havia menção de guerras ou de quaisquer tipo de violência ou problema relacionado á fome.
Os estudiosos poderiam dizer que não há registro histórico de sociedades milenares sustentáveis. Mas a questão é que os registros históricos estão intimamente ligados á registros de conflitos. Quando há sustentabilidade, os conflitos são mínimos, ou considerados irrelevantes.
Nas sociedades ancestrais sustentáveis, a história não é história, é narrativa mítica, é fábula, ou seja, é norteada para transmitir valores, idéias, pensamentos e visões de origem, e não a guerra.
Mas a questão que gostaria de colocar aqui é que quando pensamos uma civilização incluindo o cuidado com a natureza e o uso adequado de seus recursos e disponibilidades; questões sociais como violência, fome, desigualdade social, também são afetadas positivamente. Ou seja, sustentabilidade não é só proteger a natureza, mas é equilibrar a sociedade como um todo.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Havia o tempo da memória da unidade.

Um dos primeiros livros escritos por um autor indígena tem por título: "Antes o Mundo Não Existia"; e neste momento não vou me lembrar o nome do autor, mas prometo que irei falar sobre ele novamente; sei que é do povo Dessana, lá do alto rio Negro, na sagrada imensidão do Amazonas. Este livro traz a visão deste povo sobre a criação do mundo, entre outras coisas. E em essência ele diz que, uma Avó ancestral e mítica cuja extensão era o vazio, principia, através do sopro de seu cachimbo e sentada em um banquinho criado do nada vivificante, a manifestar as coisas que viriam a existir.
Neste tempo surge o mundo, a natureza, os seres fantásticos, encantados, que dão por sua vez existência e voz aos primeiros seres humanos. Estes não eram classificados por etnia, por cor, por tamanho, por diferença de classes. Na verdade, nem classificados eram. Simplesmente foram humanizados, ou seja, do húmus da terra e do sopro criador, com o impulso dos encantados, tornaram-se gente.
De acordo com esta memória Dessana, somos todos descendentes das primeiras canções dessa gente, que se reconhecia unida á toda a natureza do céu e da terra. Somos unidos por uma raiz ancestral única. Somos todos índios. Feliz semana do índio pra vocês!!!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O índio e seu Dia

Mais uma vez se aproxima a semana de comemoração ao índio. Mas ainda estamos muito longe de fazer valer a lei federal que obriga o estudo de sua história, seus valores, sua cultura, de modo mais profundo e adequado.
É necessário para o país enquanto nação tocar nos aspectos mais profundos e preciosos dessa imensa diversidade e deste plural singularizado como índio.
Primeiro porque isso vai colaborar para diminuir discriminações de todo o tipo. Segundo porque isso vai colaborar para acolhermos enquanto nação o respeito pelas raízes que a fundaram.
Finalmente, porque a compreensão mais profunda da relação homem/ambiente esta nas memórias ancestrais destas culturas, e é imperioso que possamos recuperar o sentido mais profundo desta memória.
desejo que o índio que habita em cada coração seja abençoado neste momento!!!

Roberto Crema e Kaká Werá


O corpo é a casa do ser, que é o sopro divino, chama criadora
que cuida e vivifica sua casa.

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BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...