terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Cada nação possui um espírito

Quando se forma uma nação, nasce também um espírito coletivo, que vai sendo tecido de culturas, contradições, comportamentos, padrões e qualidades diversas.
O Brasil possui sua essência espiritual em uma árvore de alma vermelha, cuja tintura embelezou manto de reis da europa e caciques das américas.
O Brasil possui um corpo tecido de raízes índias, negras, amarelas e brancas.
O Brasil possui uma alma criativa, intuitiva, com sérias tendências de compaixão e cooperatividade.
O Brasil possui uma história de lutas e superação, sofrimentos e vitórias.
O Brasil possui mitos de gigantes adormecidos que se levantam e sustentam o mundo!
Feliz Brasil!!!
Que o seu futuro sonhado e sagrado se faça presente!!!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Vejam um estudo genético sobre os pataxós

Eles podem usar roupas iguais às de outros brasileiros pobres e não falar mais a língua de seus ancestrais, mas os genes dos índios pataxós ainda são, em sua maioria, o de uma gente que pisou o chão da América dezenas de milhares de anos antes de Cabral. Essa é a principal conclusão de um estudo feito por geneticistas paulistas e baianos: a tribo pataxó, que ainda habita a região do Nordeste onde ocorreram os primeiros contatos entre europeus e índios brasileiros, continua a ter DNA majoritariamente indígena.

A nova pesquisa foi apresentada durante o 53. Congresso Brasileiro de Genética, que aconteceu nesta semana em Águas de Lindóia (SP). Uma equipe da USP de Ribeirão Preto e da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia analisou cerca de 180 indivíduos da etnia pataxó, distribuídos em seis aldeias da região sul baiana, perto de Porto Seguro. Os pesquisadores estudaram tanto a transmissão de genes pelo lado materno quanto pelo lado paterno dessa população, comparando-a com outros índios brasileiros e com pessoas de origem européia e africana.

Traçar o perfil genético dos pataxós não é só uma questão de curiosidade acadêmica. Aguinaldo Luis Simões, pesquisador da USP que orientou os trabalhos, explica que algumas pessoas chegaram a considerar que os membros da tribo não seriam mais indígenas, por causa dos traços de mistura cultural com a sociedade brasileira. O exemplo mais trágico desse tipo de avaliação é o assassinato do índio Galdino Jesus dos Santos, em 1997. Ele pertencia a um grupo aparentado aos pataxós, os pataxós hãhãhães, e foi morto por adolescentes de Brasília que atearam fogo a seu corpo, achando que se tratasse de um mendigo.

Além disso, "é um grupo cuja história não está bem contada", afirma Simões. Sabe-se apenas que o grupo, junto com outras tribos do sul da Bahia, foi fortemente afetado pelos conflitos entre índios e portugueses nos primeiros séculos da colonização. Em meados do século 19, uma tentativa desastrada de juntar todos os índios da área numa aldeia "unificada", independente da etnia a que pertenciam, acelerou ainda mais o processo de descaracterização cultural que fez os pataxós esquecerem o próprio idioma que falavam originalmente.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Novas visões sobre os índios no Brasil

A historiografia indígena vigente, baseada em documentos escritos pelo homem branco, tende a transmitir abordagem unilateral e incapaz de dar conta do papel exercido pelos índios na configuração social do Brasil Colônia. Uma contribuição para ampliar o horizonte de compreensão da questão está na obra Os indígenas e os processos de conquista dos sertões de Minas Gerais (1767-1813), escrita pelo historiador Adriano Toledo Paiva e recentemente lançada.



Graduado em História pela Universidade Federal de Viçosa, Adriano Toledo cursa doutorado na UFMG, com ênfase na pesquisa dos processos de conquista e governo dos sertões da Capitania de Minas Gerais na segunda metade do século 18. O livro é resultado de dissertação de mestrado e utiliza como estudo de caso a freguesia do Mártir São Manoel dos Sertões do Rio da Pomba e do Peixe dos Índios Cropós e Croatos, localizada em área de grande extensão territorial na atual Zona da Mata.



De acordo com Toledo Paiva, a ideia de que a cultura e as comunidades nativas dos territórios conquistados nas Minas do Ouro foram dizimadas disseminou-se e perdurou por muito tempo nos manuais didáticos e em uma produção historiográfica. No entanto, a população indígena na capitania era numerosa e os registros documentais por ele analisados revelam que os aborígenes se adaptaram às situações impostas pelo processo colonizatório, reestruturando suas concepções de espaço, liderança e poder.



Para o historiador, “a descoberta e a grande provocação do estudo é observar de que maneira os índios se inseriram no universo colonial, como eles incorporaram elementos colocados como mecanismos de conquista do homem branco e de que maneira acionaram esses instrumentos para alcançar seus próprios objetivos”.



Adriano Toledo Paiva afirma que a colonização teve efeito devastador sobre as aldeias, transformando severamente alguns parâmetros da organização tradicional e eliminando lideranças e valores por meio de confrontos armados. Mas, a despeito disso, ele considera equivocada a ideia da conversão das aldeias em aldeamentos como processo que fez dos índios vítimas passivas de um projeto político.



O pesquisador mostra que os índios souberam explorar as vantagens oferecidas pelo Estado, e a partir de alianças com o poder colonial

reconfiguraram suas aldeias. “Os conquistados encontraram novas formas de organização diante da suposta submissão ao poder colonial”, afirma Paiva.



Narrativa

O fio da narrativa se desenvolve pela descrição de alguns personagens, escolhidos conforme a temática que o estudo se propõe a observar. Adriano Toledo conta, por exemplo, a trajetória do Padre Manuel de Jesus Maria, primeiro vigário da freguesia. Nascido de ventre escravo, ele se ofereceu para construir o aldeamento e para catequizar os seus índios, instaurando um novo organismo social extremamente mesclado

e complexo.



Em outra frente, o autor desconstrói a tese de alguns pesquisadores que usaram a história de Pedro da Motta, índio e padre, para tentar provar a incapacidade do indígena de viver no mundo do colonizador. “Desde a chegada das primeiras caravelas, os índios foram pensados como seres efêmeros e em transição. Não devemos abordar essas comunidades como cultura pura ou original e fadadas a contaminações que desagregam o ser índio. Precisamos compreender as reformulações identitárias e culturais vivenciadas pelos indígenas ao longo do tempo”, conclui

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BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

  Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e tra...