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Mostrando postagens de Agosto, 2010

Um tapuia na cidade

No início dos anos 90 tive o privilégio de compartilhar uma mesa redonda com Orlando Villas Boas no SESC de Santos, em São Paulo. Naquele momento eu e minha esposa, Elaine Silva, promovíamos ações de apoio á aldeia guarani de Boracéia, próximo á Bertioga, de caráter de prestação de assistência social. Fazia palestras sobre cultura indígena e as pessoas pagavam com alimentos que eram doados para as comunidades.
Na ocasião, Orlando narrou suas aventuras na histórica marcha para o Oeste e, ao saber que eu me posicionava como um servidor da comunidade guarani ele disse:
- mas você não tem cara de guarani, você tem jeito de txukarramãe.
- E o que é um txukarramãe? - Perguntei.
- É um guerreiro sem arco e sem flecha, pois eles não utilizavam estas armas.
- Então tudo bem, sou um guerreiro sem armas, um guerreiro da paz!!!
Desde então me posicionei como um servidor da paz; mas isto causou depois uma confusão em relação á minha origem étnica. Pois os jornais começaram a noticiar que eu era um…

a vida acontece dentro de nós

A vida começa do interior de cada um de nós. Frequentemente ouço comentários sobre a vida a partir de fora. Do que acontece do outro lado do mundo. Do que acontece do alto das hierarquias de poder. Do que acontece a partir das crises econômicas. Com certeza certas percepções nos inflluenciam demasiadamente. Mas devemos lembrar que a vida acontece a partir de dentro de cada um. do mundo interior que cada um carrega dentro de si. e este mundo interior é decisivo na qualidade da vida que levamos, ele tem mais poder de influenciar do que de ser influenciado. Por isso a importância de prestar atenção para uma ecologia da mente. Uma despoluição da mente. Uma meditação diária daquilo que devemos por ênfase ou ação.
A vida é assim. Nasce do silêncio, neutro e luminoso, e depois nós a vamos qualificando.

A natureza está em nosso coração

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Rostos

O vento bate no rosto cujo corpo dobra a esquina de uma rua vulgar, como a lua cheia, como esta noite, como esta quantidade de passos de gente que passa distraída de si. Assim como eu. Respiramos enigmas. Ninguém conhece ninguém. Até que o rosto some. A rua some. O som dos passos lampejam. A escrita no muro ao lado lampeja questões sobre o anonimato e a gratuidade da vida na metrópole. Coisas sem nexo. O ar da cidade está seco. O olho lacrimeja. Não sei se os passos que ouço acham normal.

Sobre mais uma vez o agora

É difícil estar presente na vida. Sonhamos acordados. Habitamos nas esquinas das expectativas, nas vilas das lamúrias, nas ruas das preocupações, nas avenidas do stress, nos bairros das desilusões, na casa dos outros, nas tarefas automáticas e de vez em quando nos fazemos presente.
Agora mesmo o luar respira pela fresta da janela e há sons de cães bem ao longe na estrada. mas o corpo insiste em prestar atenção no noticiário televisivo, enquanto os olhos passeiam pelas notícias virtuais.
A vida é assombrosamente prateada e azul na noite...
Agora...

Ministério até pra peixe. Já pro índio...

por Geraldinho Vieira

“A questão indígena é inspiração para todos os modelos que defendem qualidade de vida, eco-sustentabilidade e re-ligação do homem à terra e ao grande mistério. No entanto, a maneira como ela é abordada conduz, atualmente, para um olhar exótico e folclórico. A questão indígena está fragmentada em problemas ditos de minorias, mas diz respeito ao profundo humano que habita em nós”.

Kaká Werá Jecupé, 46, índio de origem tapuia ou txucarramãe, é escritor, professor, conferencista que já encantou platéias mundo afora, empreendedor social da Ashoka e um dos vencedores do prêmio Transformadores (promovido pela revista Trip).

Fundador do Instituto Arapoty (www.institutoarapoty.org.br), é com ele nossa conversa direta ao ponto deste domingo, décima-terceira desta série Eleições & Sociedade Civil – sobre o que lideranças sociais estão vendo e ainda esperam do processo eleitoral.

Pergunto a Kaká se a questão indígena ficará sempre estigmatizada num debate sobre futuro …