segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Uma medicina para a alma

BIOGRAFIA DE KAKÁ WERÁ

 Educador. Terapeuta. Empreendedor Social.Ambientalista. Escritor

Kaká Werá é psicoterapeuta de formação, de abordagem holística e transpessoal. Professor na UNIPAZ (Universidade Holística da Paz), especializado em Antropologia Cultural na tradição e visão de mundo da cultura tupy-guarani. Membro do CIT (Colégio Internacional dos Terapeutas) e filiado desde 1997 ao Sindicato Nacional dos Terapeutas.(SINTE). Empreendedor Social, membro da Ashoka Empreendedores Sociais desde 2010,  premiado pela atuação em projetos sociais sustentáveis com foco em comunidades tradicionais. Recebeu em 2010 o premio TRANSFORMADORES promovido anualmente pela revista TRIP pela sua ação no empreendedorismo e sustentabilidade. Entre os períodos de 1998 a 2012 prestou consultorias para a NATURA, CIA SUZANO, JHONSON&JHONSON, NÍVEA, entre outras. 
Ativista ambiental, atuou na delimitação da Reserva da Biosfera Serra do Espinhaço (em Minas Gerais) ,foi membro do premio Ford de Ecologia, premio Eco da Câmara do Comércio Exterior e conselheiro da Bolsa de Valores Sociais. Foi consultor para a Rede Globo, TV Cultura, Fundação Roberto Marinho e Canal Futura para programas com abordagens em culturas indígenas do Brasil no período de 1997 a 2008. 
É membro fundador da URI (United Religions Initiative) com cadeira na ONU (Organização das Nações Unidas), organização com foco no diálogo inter-religioso. Escritor, autor de oito livros. Conferencista internacional, tendo realizado palestras em 10 países, entre eles: Estados Unidos. Israel, França, India e Inglaterra.  Possui formação em Liderança Pública pela RAPS (Rede de Apoio a Políticas de Sustentabilidade) e Fundação Lemmon. Fundador do Instituto Arapoty, que atua a mais de 16 anos na promoção e valorização das raízes culturais indigenas do Brasil, com reconhecimento e premiação pela UNESCO e Ministério da Cultura do Brasil.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

PARA ONDE ESTAMOS INDO?


Como você avalia, no recorte de direitos humanos, a situação de indígenas, na atualidade, sob a pressão de grandes obras de infraestrutura, como hidrelétricas, e Projetos de Lei e ações governamentais de diminuição de terras indígenas?
Kaká Werá: A pressão de grandes obras de infraestrutura em locais que por direito é destinado à povos indígenas ou à preservação ambiental é uma ação permanente e desestruturante social e ecologicamente não somente para as comunidades locais, mas para todos nós. Quando eu digo “nós” eu quero dizer todos os brasileiros em particular e todos os seres humanos em geral. Parece exagero, mas atualmente temos a própria ciência para demonstrar o estrago global quando um pedaço de ecossistema é destruído. Não sou contra obras de infraestrutura, mas atualmente temos tecnologia e inteligência para realizar obras de mínimo impacto e ecologicamente viáveis. De modo que essa questão ultrapassa a linha dos direitos humanos. Essa questão é de uma ordem bem maior, envolve um paradigma civilizatório. Que é, de um lado o desenvolvimento impulsionado pela cobiça e ganância, e do outro lado um desenvolvimento baseado no cuidado ambiental e no respeito à pluralidade de culturas tradicionais.
Com relação aos Projetos de Lei de diminuição de terras indígenas, eles estão baseados em uma patologia que domina parte dos congressistas: ignorância vestida de corrupção e ganância. Observe que todos os que defendem a diminuição de terras são os mesmos que amealharam milhões de empreiteiras e que estão na temida lista da Lava Jato. São indivíduos decadentes moral e eticamente, mas que se arvoram e se fortalecem de conluios no poder legislativo. Nesse sentido, temos que fazer um esforço muito grande, enquanto sociedade civil, para tirá-los de lá pelo voto consciente.
O que difere os períodos anteriores passando pelo descobrimento, colonização e governos no tocante ao contexto indígena do Estado Democrático de hoje e seus direitos conquistados? – Há armadilhas nesse no suposto Estado de Direito, em sua avaliação?
Kaká Werá : Da época da colonização para cá houve até certa evolução no relacionamento com os povos indígenas. No início, foram escravizados, depois com a substituição pela escravização africana foram perseguidos para serem mortos e desde esse momento foram considerados “estorvo” para o progresso. Somente depois da metade do século XX é que começou a haver um interesse mais humanista pela diversidade étnica brasileira. Com o advento da democracia também vem o movimento de cidadania indígena. O nosso desafio hoje é sair da armadilha assistencialista que o Estado promove e ganhar autonomia social. Não dá para a sociedade continuar ignorando o índio cidadão: que estuda, se forma e que adquire novos conhecimentos antes privilégios somente de uma falsa sociedade “branca” e que mantêm os valores fixos nas suas raízes ancestrais e sagradas.
Durante a semana haverá diversas manifestações pelo País tendo seu ápice nesta quarta-feira (19), Dia do Índio, para alertar a sociedade dos retrocessos e ameaças aos direitos indígenas. Como será a atuação da Secretaria de Políticas Indígenas do Partido Verde?
Kaká Werá : Durante a semana dedicada ao “índio” diversas organizações das mais variadas matizes ideológicos estão preparando atos públicos. O que todas têm em comum é alertar para o perigo que estamos passando com a possibilidade de vermos os Projetos de Lei que destroem a natureza e desestabiliza mais ainda as comunidades indígenas se tornando oficiais. Queremos alertar a sociedade brasileira que esses projetos beneficiam somente três tipos de pessoas: os executivos de empreiteiras, e os produtores de veneno para a terra, que chamam de “agrotóxicos” e os interessados em minério do subsolo amazônico. E podem ter certeza que os possíveis lucros monetários advindos disso não serão compartilhados com o cidadão comum e honesto, seja ele de classe baixa, média ou mesmo alta. Quem se beneficia é meia dúzia de pessoas que nem no Brasil vivem.
Faça uma reflexão análise sobre a atual situação das etnias indígenas do Brasil.


Kaká Werá :  O Estado brasileiro viciou durante o período do militarismo no Brasil e até o presente momento o assistencialismo barato que causou uma enorme dependência social de muitos povos indígenas. Hoje, o governo não dá conta nem de suprir essa política assistencialista. Infelizmente, muitas lideranças indígenas exigem o retorno desse tipo de política pública que representa um retrocesso tanto para a própria cultura indígena como para a sociedade brasileira como um todo. A Secretaria de Assuntos Indígenas do Partido Verde defende o desenvolvimento e a valorização da economia criativa através da arte, do artesanato e do conhecimento como uma estratégia para a emancipação de pessoas e comunidades indígenas tanto nas regiões que se limitam entre a floresta e as cidades como nos centros urbanos. Com isso, queremos transmitir a seguinte mensagem: a sociedade que queremos deve ser sustentável: social, ecologica e economicamente.

UM BRASIL PLURAL

O poder do respeito e da reciprocidade


Em um mundo onde ainda se guerreia em nome de uma cultura e visão de mundo supostamente superior contra outra supostamente inferior, onde uma religião se acha melhor que a outra, falar em tolerancia talvez não seja suficiente. Tolerar tem significado manter a hostilidade e consequentemente a prontidão para um possível ataque.  Existe muita cegueira e ignorancia por parte do dogmatismo e do fundamentalismo.
Por isso creio que o ideal é trocarmos a tolerancia pelo verdadeiro respeito. Respeitar outra cultura, outra religião, outra etnia de um modo mais profundo. E isso se consegue havendo abertura para a apreciação. É necessário apreciar o outro. Não precisa abrir mão de si. De suas convicções, idéias, visão de mundo. Mas ao ouvir e ver as do outro com apreciação abre-se o canal de respeito e de reciprocidade. 
Nesse sentido, o Papa Francisco tem demonstrado através de sua prática o quanto ele respeita realmente o outro. Ve-se em suas atitudes como ele respondeu á questão da diversidade, da ecologia e o respeito ás etnias indígenas. Esse é o caminho de uma cultura de paz. 

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